domingo, 11 de outubro de 2020

A massa da maça que amassa e maça (4)

Este texto é sobre um manuscrito de Sanchoniato, mas começo por lembrar alguns textos encadeados em 11 pontos, sobre o problema da Cobertura, escritos em 2013:

A história de Sanchoniato, é a versão fenícia da História, que terá sido escrita antes da Guerra de Tróia, que nos chegou através de um manuscrito grego, de Filo de Biblos

Bom, normalmente o que se sabia de Sanchoniato não vinha da tradução grega de Filo de Biblos, era apenas citada por Eusébio (de Cesareia) na sua Praeparatio evangelica, em que procurava mostrar a superioridade cristã sobre outras religiões. Curiosamente, Eusébio marca aí uma troca de cartas entre Jesus Cristo e o rei Abgar V, de Edessa.

Sobre o original de Filo de Biblos nada se sabia, até que após, as guerras liberais, surgiu a notícia de que teria sido encontrado num convento português... de nome "Merinhan". Este episódio é em si mesmo rocambolesco, e passo a explicar o que encontrei:

neste artigo o autor diz que os jornais anunciavam a descoberta, há seis meses:

Aussi a-t-il dû apprendre avec une joie bien sans doute mêlée de quelque incertitude, la nouvelle annoncé il y a environ six mois par les journaux, que la traduction grecque de Sanchuniathon, par Philon de Byblos, avait été retrouvée dans un couvent de Portugal.

mas aquilo que tinha saído publicado era uma primeira tradução para latim, depois publicada por F. Wagenfeld em Hanover (1837). Ao que parece nunca mais se viu o original grego... e num artigo inglês no The Foreign Quarterly Review, Volume 19 (1837), pág 184 diz-se isto: 

  • As to the place of discovery, we are informed by natives of Lisbon and Oporto that the name of Merinhan is not Portuguese at all, and that they know of no convent so called. It may be a similar name, and an obscure place; and this obscurity may have concealed the manuscript. We are aware that ancient Portuguese history has never been properly examined, even by the natives, and that many points of similitude or difference connect them with, or sever them from, the various tribes of the Peninsula of Spain. Some such cause might operate for the possession of the manuscript in question; but in any case the production of this manuscript will triumphantly answer all doubts, and vindicate the critical acumen of the learped Professor.

Ou seja, duvidava-se da existência do original... mas devemos ter em atenção que este "Merinhan" pode ser um fraco entendimento de "Marinha" (havia o Convento de Santa Marinha da Costa). 

O aparecimento de tal original grego, ou talvez apenas uma cópia monástica, seria facilmente ligado à pilhagem organizada pelos liberais, aquando do fim das Ordens Monásticas, em 1834. Se apareceu, voltou a desaparecer, e encontrar uma tradução do texto, mesmo em inglês, foi coisa em que não tive sucesso. 

O texto parece ter sido irritantemente inconveniente, e foi submerso de novo, pela falta de atenção que lhe foi dada. Ainda assim encontrei excertos de traduções portuguesas, feitas numa publicação chamada "Instituto" (Biblioteca da Univ. Coimbra). Neste fim de semana, deixei de ter acesso... azar!
Ficamos com a versão em latim, o que serve para praticar...

Hércules - Melqart - escultura fenícia (Museu de Cádis)


Hércules - Melicarto
Bom, e qual poderia ser a importância de tal manuscrito para a história ibérica?
A importância principal é que o nome Tartesso aparece mais de 40 vezes. Tartesso era um antigo reino ibérico cuja cidade principal foi Tarsis, ou Cádis. Tantas vezes quantas aparece o nome de Melicarthus, ou seja, Melqart, Hércules na versão fenícia, e que na versão de Bernardo de Brito será o Hércules Líbico.

Dou alguns exemplos...

  • Regnat autem ille in Tartessiorum regione, ultimi orbis populi
  • Ele reinava na região de Tartessos, a última cidade povoada.
Quem era este? Ou seja, que rei foi deposto por Hércules?
Alguém viu o nome Masisaba antes escrito?
  • Jam vero Liathanam Masisabas, Tartessiorum rex in hanc insulam demovit, ex qua effugere non potest.
Aqui fui ajudado pelo comentário do artigo inglês, que diz que Masisaba tinha aprisionado Liathanam, uma princesa com pés de serpente, numa ilha da qual não podia fugir. 
  • Per multos navigantes dies in Occidentem, arcem conspiciunt loco mediterraneo sitam. Jam vero erant in Tartesso atque arx illa erat Masisabæ. Qui cum navem conspexisset virosque, descendit, ut cum iis dimicaret. Erat autem Melicartho capite major, armis præclarus, corpore valido atque veloci. 
  • Navegando muitos dias para Ocidente, até encontrar aquele lugar mediterrânico. Mas agora, em Tartessos estava Masisaba. Que quando os navios viu, desceu, apenas para lutar. Hércules era o capitão maior, claro de armas, corpo e veloz.
Neste apontamento dá conta do confronto directo entre Masisaba e Hércules. Em texto anterior, na imagem do prólogo da Genealogia do Infante D. Fernando está uma imagem que pode reflectir esta suposta batalha. O rei peludo no centro da imagem será Hércules, e os adversários aparecem como faunos...

Ao lado coloquei a imagem de uma estátua que é suposto representar Hércules a dominar Caco. Ainda que Caco também apareça referido por Bernardo de Brito, é já numa fase bastante posterior, em que aparece um Hércules grego na expedição dos Argonautas. Mais correctamente seria Gerião, ou antes, os 3 Geriões, chamados Lomínios. 
Portanto, haverá uma eventual ligação deste Masisaba, que seria o tal Gerião. O mito grego apenas fala de um Gerião de 3 cabeças, que seriam os seus filhos...
  • Melicarthum autem, qui tanta peregerat facinora, Deum esse videbant, itemque ejus socios, sed minores. Freto autem adjacent duo promontoria et Melicarthus in utroque erexit columnam, quæ etiam nostris temporibus conspiciuntur, nominatæ a Melicartho.
  • Hércules pelo tanto que fez na juventude, vivia como um deus, assim como seus companheiros, porém menores. Num estreito de dois promontórios adjacentes, Hércules elevou em ambos pilares, que mesmo no nosso tempo são nomeados de Hércules.
Bom, e aqui nesta parte a habitual referência às Colunas de Hércules.

Mas talvez, o trecho mais inesperado, será este:
  • Sed longe prospicienti a genis tibi defluent lacrymæ humectantes terram, et pontus resonabit carmine lugubri; naves enim longæ in finibus Tartessiorum fractæ. sunt, filiorumque tuorum fortissimi in ripa longe remota obierunt.
  • No entanto, na face do teu rosto fluem lágrimas que humedecem a terra, e o mar entoa canções lúgubres. Os teus navios foram quebrados nos confins de Tartesso, onde os teus fortes filhos naquele rio distante morreram.
Isto encontra-se segundo o comentário inglês numa Canção de Sídon atribuída a Sanchoniato:
  • But lift up thine eyes afar! Tears shall roll down thy cheeks to water the land; and the sea shall resound with the voice of thy wailing.
  • For thy ships are broken to pieces in Tartessus, and the best of thy sons are laid on a foreign shore, a prey to the vulture and the fishes!
Apesar disto ser uma análise preliminar ao texto, e ainda não consegui enquadrar o contexto, nem ver todas as ocorrências, é bastante significativo de que a história de Tartesso não era, conforme pretendia o comentador inglês, a história de uma região de "espanhóis selvagens"... ou seriam tão selvagens que dos invasores fenícios não restavam nem navios, nem filhos.

12 comentários:

  1. Por falar em Hércules... eis uma interpretação pós-moderna e pós-verdade segundo o novo paradigma de géneros e generalidades em geral e sobre identidades assexualizadas e afins em particular...Ah e mete El Rei Dom Sebastião pelo meio, isto tudo num contexto histórico nos idos do séc. XVII, comentado doutamente por uma anglo-saxônica.
    https://www.youtube.com/watch?v=joQc-mORvfw&feature=emb_logo

    A. Saavedra

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    1. Pois, já se estava a antever que a ditadura do "politicamente correcto" era apenas uma sombra de outra, bem mais escancarada e dura, ou seja, aquela que se começa a instalar hoje em dia, à conta da Covid.

      Obrigado pelo link e vi o vídeo, onde a senhora parecia estar sob efeito de poderosos antidepressivos, mas deve ser apenas jeito. Sendo arrogantes, diremos que "para americana", conhecia razoavelmente bem aquele contexto da história de Portugal e Espanha, e assim deu para saber de peças espanholas sobre a morte de D. Sebastião que não sabia que existiam.

      No entanto, não me parece ser um caso de acção directa do politicamente correcto, é mais indirecta, porque há diversas referências na Antiguidade que dizem que Hércules jogava em ambos os terrenos - ou seja, apesar de haver muita mulher, começaram a ligá-lo a homens.

      Um dos casos é duma suposta ligação com Anteus:
      https://en.wikipedia.org/wiki/Antaeus
      em que basicamente aproveitaram a luta entre dois homens, para muitos artistas, esses sim, de sexualidade duvidosa, retirarem outro contexto ou usarem-no como "sinal":

      https://diariodeumhomeminvisivel.wordpress.com/2015/04/14/heracles-o-semideus-bissexual/

      Quando alguém X fala sobre Y não diz apenas o que foi Y, por vezes coloca muito de si próprio no retrato que faz doutrém. Assim, Hércules como era um tema presente, foi tratado como bissexual por bissexuais... em concreto, nada há, tal como pouco resta de Hércules que não sejam histórias míticas ou semi-míticas. É dito que Plutarco lhe listava diversos amantes, mas quiçá seria mais natural que Plutarco os tivesse tido.

      De qualquer forma, uma certa ambiguidade sexual que se verificava na Grécia, e noutras civilizações, ou que nos chegou como tal, resulta também, e muito, do gravíssimo problema dos eunucos, dos milhares que eram condenados a isso. Coisa que já abordei:

      https://alvor-silves.blogspot.com/2013/02/panoptico-ou-ovo-de-colon.html

      Há um ponto em que ela, Dian Fox, tem razão - se D. Sebastião tivesse tido ao menos um bastardo, os Filipes não teriam tido um sucesso tão facilitado. Só que a própria circunstância do número de filhos de D. Manuel e de D. João III, ter sido imenso, não diminuiu o problema da sucessão... porque, estou convencido, de que a ordem bragantina, ou superior, era terminar ali com a dinastia. D. Sebastião terá sobrevivido à explosão/atentado do paiol de pólvora, apenas porque não estava lá:

      https://alvor-silves.blogspot.com/2015/08/pela-mao-de-sebastiao.html

      Mas não acredito que D.Sebastião tivesse qualquer tendência homossexual, e ela também não o diz.
      Simplesmente tentou juntar o contexto de meia-dúzia de obras teatrais espanholas, que abordavam Hércules e D. Sebastião... é um daqueles trabalhos académicos que serve para dizer que não se fez nada.

      Abraço.

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  2. Boa tarde, desculpem o incómodo mas gosto de seguir o blogue embora não concorde com tudo o dito (não partilho da ideologia mais anti-liberal do Alvor-Silves sendo mais, como dizia Kolakowski, "Conservador-Liberal-Socialista" e também acho que é céptico de mais de historiografia científica visto que é útil ver de onde veio uma informação, a primeira fonte, analisar o qual credível poderá ser, como alinha com outras fontes, etc.), mas acho que há muitas coisas que o vosso blogue fala que erudição mainstream devia estudar nem que seja para "falsificar" (como diz Karl Popper), e até um historiador marxiano como Gwyn Williams considerava que «Os historiadores devem examinar mitos». Como "agnóstico" quanto à veracidade desse manuscrito de Sanchoníato em Portugal, deixem-me resumir (principalmente dos próprios livros, facsímile do original Grego e tradução em Latim, de 1836 e '37, e dos artigos em Francês e Inglês citados aqui pelo Alvor-Silves) o que sabemos da questão:
    1. Em 1836 é apresentado em Hanóver ao orientalista F. G. Grotefend a transcrição dum manuscrito Grego por um tal de Friedrich (Fr.) Wagenfeld, que disse que o original transcrito lhe chegou de Portugal de um tal convento de Entre-Douro[Duero nos livros de 1836-37, mas o uso do Espanhol é notado pelo editor]-e-Minho de "Santa Maria de Merinhao" (não "Merinhan" como diz o Alvor-Silves, dito assim parece indiscutível que é só o convento de Santa Marinha da Costa mal transcrito por "estranja", mas com o nome completo parece mais discutível qual o nome verdadeiro que a gralha estrangeira esconderá) onde foi encontrado por um oficial Português chamado "Pereiro" (isto por Pereira parece um erro natural de "estranja" mas a impressão traduzida em Latim e com facsímile do original Grego tem descrição das cartas do suposto "Pereiro" em que surge assim escrito pelo próprio, mas pode ser um simples erro de cópia da tipografia a transcrever cartas ou gralha distraída do próprio Pereira na carta manuscrita);
    2. começa uma pequena polémica em torno da veracidade ou não do manuscrito, a veracidade apoiada por Grotefend contra outros, e durante esta surgem cartas de um tal de F. Wilde que diz que leu o manuscrito achado por "Pereiro" e o teria trazido ao conhecimento de Wagenfeld e outros na Alemanha; (...)

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    1. (...) 3. começa discussão sobre se Wilde e Wagenfeld serão a mesma pessoa, e este último ora nega, ora que Wilde é seu apelido e Wagenfeld é o da mãe que prefere usar para assinar, e as várias cartas com atribuição de achado ora a Pereiro ora a Wilde, e as várias cartas não tornam claro se Wagenfeld teve ou não em mãos o manuscrito ou se o viu em Portugal directamente (algumas fazem parecer que foi Wilde, se existiu como outra pessoa, que o levou a ele ou que lhe transcreveu e foi isto que ele analisou e fez chegar a Grotefend) complicam ainda comprender mais as coisas (e aumentam o cepticismo dos cépticos do achado e sua veracidade);
      4. os dois livros são publicados, a controvérsia vai continuando, passando um tempo em 1837 Wagenfeld ou Wilde ou como se chama desaparece de cena (não há qualquer notícia sobre a sua carreira posterior como há de James Macpherson e outros possíveis criadores de fraudes literárias, tornando ainda mais discutido se o nome era real, etc., etc.) e o manuscrito que teria ou não em posse (novamente, depende se de facto o teve nas mãos ou só lhe fizeram chegar uma transcrição ou pode vê-lo, transcrevê-lo mas não possui o exemplar) nunca foi apresentado a Grotefend ; alguém dado a conspirações poderá pensar que a conspiração materialista histórica lhe "limpou o cebo" e destruiu o manuscrito, mas é igualmente provável que cansado da polémica de um meio académico hóstil (não se deve atribuir a malícia o que muito facilmente se pode atribuir a incompetência) ele se tenha retirado totalmente de cena e se tivesse publicado e divulgado o eventual manuscrito sob pseudónimo mais fácil seria isso, por sua vez se houve algum período na história lusa em que era fácil um manuscrito monástico perder-se era pós-extinção-das-ordens-religiosas de 1834 (é muito fácil isso ter acabado na biblioteca doméstica de um latifundiário novo qualquer por 1836). Mas que Wagenfeld/Wilde não tenha ressurgido como escritor literário é inacreditável porque a questão deste manuscrito é que SE ERA REAL então o texto reescreve a estória da literatura e religiões eurasiáticas (a canção sobre a destruição de Sídon de que o Alvor-Silves transcreve umas linhas é basicamente a canção sobre Tiro de Ezequiel na Bíblia antes da mesma, se o mito de Melqart e o gado de Obybachros e Masisabal/Masisaba/Masisabas [significando "Senhor-ungido"] e Leiathana/Liathanam é realmente fenício então antes da primeira escrita clássica do mito de Hércules e Gerião/Gerión de 3 corpos já havia este mito que os Gregos imitaram, há descrições de Fenícios pelos lados da Índia cujas passagens parecem anteceder literatura sobre o Buda posterior, etc.), mas mesmo que SEJA FALSO então (como Macpherson) Wagenfeld/Wilde deve ser reconhecido como um bom escritor, um estilista de pastiches perfeito (nesse caso todos os textos e mitos acima são imitados e não precedidos, mas que imitação formalmente perfeita!), um pioneiro da mitopeia antes de Tolkien ou sequer George MacDonald no mesmo século XIX e um pioneiro das tentativas de reconstituição mitológica que temos visto nos estudos proto-indo-europeus até hje. Grotefend continuou a defender a veracidade segundo os seus estudos de antigos textos "orientais" por anos depois.
      É claro que há muito de duvidoso na estória mas que era uma altura perfeita para um livro realmente existente se perder. Assim vamos dar alguma margem à hipótese de ter existido.

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    2. Quanto a "Santa Maria de Merinhao":
      1. Esta grafia com a-o faz quase parecer a transcrição de palavra com til, quase que vejo "Merinhão" escrito, o que claro não é palavra portuguesa real, e nome assim similar só me ocorre a aldeia Maranhão alentejana, mas claro isso não é no Entre-Douro-e-Minho (mas tendo em conta todos os outros erros nas cartas apoiando o achado como real, esse não seria nada demais, principalmente se Wagenfeld e/ou Wilde não tivessem encontrado directamente o manuscrito em Portugal);
      2. "SANTA MARINHA da Costa" ter-se corrompido em "SANTA MARIA DE MERINHAO" ("Marinha" teria de se ter corrompido em "Maria" e "Merinhao" é rebuscado mas não impossível (até porque há a questão da idade do manuscrito, que os livros originais não indicam; se o manuscrito fosse real podemos supôr de Grotefend e Wagenfeld ambos queriam estudá-lo mas perdeu-se antes; mas se foi em S. Marinha da Costa então há a questão do mosteiro ter sido construído no século IX talvez sobre restos da igreja paroquial de Carantonis que talvez seja a actual Cantonha perto do convento/mosteiro, por sua vez construída sobre os restos de uma propriedade agrícola provavelmente do Baixo Império Romano do século III-V d.C., por isso que um proprietário local letrado coleccionador pode-se ter o livro lá e o convento posterior o ter "herdado" ao achá-lo nas ruínas anteriores ou na igreja de Cantonha decadente faz sentido, se alguma vez aí surgiu esse livro realmente);
      3. Isto pode ser interesseirismo localista meu, mas Góis, MARINHAS, Esposende tinha casais locais possuídos pelo Mosteiro de SANTA MARIA de Bouro do século XIII a XIV em diante (período em que um manuscrito antigo possa ter sido encontrado ou como frequente em propriedades de ordens religiosas, copiadas várias vezes a partir de um original); existe ainda uma família Maranhão na zona, vivendo hoje na ex-freguesia de S. Bartolomeu do Mar e tendo lá um café homónimo (uma miúda dela até participou numa edição infantil do "A Voz de Portugal" salvo erro); que casais possuído pelo Mosteiro de Santa MARIA de Bouro em Marinhas (talvez à guarda de uma família pequeno proprietária MaRaNHÃO tenha sido confundida por "estranjas" e erros de transcrição em "Santa Maria de Merinhao" é rebuscado mas possível;
      4. pode ser confusão com a Igreja de SANTA MARIA e ex-mosteiro/CONVENTO de SANTo Tirso DE MEInedo (nos nomes antigos da altura "MagnEto"/"MagnEtuM" (nesse caso o texto poderá ter ficado nessa igreja original do século XII e actual pós-séculos-XIII-XIV ou ter sido copiado de um do antigo mosteiro/CONVENTO ou igreja suevo-visigodos, de quando Meinedo era diocese, sendo que a lenda aponta que o mosteiro/CONVENTO recebeu o corpo de S. Tirso vindo de Constantinopla, logo livros gregos tendo vindo com isso de lá é possível se isso alguma fez aconteceu, a partir dessa era recuada);
      5. voltando a conventos em possíveis Santas Marinhas, há o CONVENTO de Corpus Christi/Mosteiro de São Domingos das DONAS de Vila Nova de Gaia em Santa Marinha, Vila Nova de Gaia fundado em 1345 por uma D. MARIA Mendes Petite;
      6. o manuscrito pode ainda ser sido encontrado por eclesiásticos ou escrito nalgum século posterior ao XIV se "Santa Maria de Merinhao" for confusão com o Mosteiro de Nossa Senhora [i.e. Santa Maria] da Conceição de MoNçÃo, a Capela de SANTA MARINHA de MoNçÃO;
      7. ou confusão com algum imóvel afecto à Confraria das Almas de SANTA MARINHA de Roussas, MElgaçO ou com o desaparecido mosteiro de S. Paio em Paderne, MElgaçO (cuja igreja matriz tem por padroeira é SANTA MARIA podendo ter havido confusão de santos).

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    3. Com abertura intelectual, admitindo o muito de duvidoso na estória toda mas que nada falsificou ainda totalmente que seja real, e com muita especulação, é tudo o que tenho a dizer, fora que a estória de Melkarth e Masisabal surge no Capítulo I do "Salammbô" de Flaubert, e que talvez seja só eu mas o enredo com Celipôncio libertando Colimena guardada por uma serpe (e um leão) do gigante Monderigón na "Comédia sobre a Devisa da Cidade de Coimbra" de Gil Vicente lembra-me Melqart, Liathanam [Co-Liathanema?] e Masisaba).

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    4. Caro boss ferreira monteiro, certamente o saudoso Damaia (Alvor-Silves ou simplesmente Carlos) teria adorado responder-lhe e debater consigo ideias. Infelizmente faleceu precocemente para infelicidade dos seus correspondentes neste blog. Faça o favor de comentar e expor as suas ideias, é uma forma de não deixar este blog morrer também.

      Cumpts,

      JR

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    5. Caro JR, obrigado pela resposta. Uma grande perda, o saudoso Carlos Damaia (dada a falta de participação mais recente dele imaginei tal mas como eu próprio não sou das pessoas de participações em-linha mais consistentes dada vida fora da linha pensei que pudesse ser outras coisas), visto que o tipo de coisas que ele falava deviam ser faladas mais largamente por gente de todas as inclinações (eu próprio não concordando com muito do que ele dizia considerava discutir abertamente sobre o que ele falava importante), e se alguém considerava que as suas teses eram "falsificáveis" (no sentido popperiano) então deviam estudá-las e provar a versão correcta alternativa em vez de ignorá-las. Sempre que me ocorrer algo a dizer no blogue, direi para ajudar as discussões daqui a não morrerem também (dado que já não temos alguém com a curiosidade e leituras do Carlos para discutir nas mesmas). Se não se importarem irei publicar num blogue meu uma versão (com gralhas e incorreções menores corrigidas) destes comentários, referindo este blogue e o falecido Carlos. Cumprimentos,
      V. André Ferreira Monteiro.

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    6. Caro André Monteiro. Obrigado pelas participação e simpáticas palavras. Com certeza os leitores mais assíduos deste blog acharão motivação extra nas suas intervenções. Pode também deixar o contacto do seu blog para os mais curiosos.

      Com os melhores cumprimentos,

      João Ribeiro

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    7. De nada, obrigado eu pela atenção. Quando puder direi mais alguma coisa. Fiz dita publicação aqui https://onportugalnoteson.blogspot.com/2023/03/sanchoniaton-in-portugal.html, daqui podem ver todo o resto do blogue. Cumprimentos,
      V. André Ferreira Monteiro.

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