terça-feira, 11 de maio de 2021

Censura i-Limitada

Com a promulgação a 8 de Maio de 2021 da Carta de Direitos Humanos na Era Digital, vê-se que todo este título da legislação é uma paródia à inteligência, ao desplante e à proclamação da 

Censura i-Limitada

Em consequência deste ataque à informação, provocado por desinformadores profissionais, armados em anjos com pés de cabra, e únicos informadores autorizados, não há condições de continuar. 

A censura é isto, e se não o perceber à primeira, facilitamos a leitura:

Depois, virão as tangas costumeiras, dizendo que o Artº 4 diz que:

Todos têm o direito de exprimir e divulgar o seu pensamento, bem como de criar, procurar, obter e partilhar ou difundir informações e opiniões em ambiente digital, de forma livre, sem qualquer tipo ou forma de censura, (...)

só que depois acrescenta logo de seguida: 

(...) sem prejuízo do disposto na lei relativamente a condutas ilícitas.

Ou seja, todos são livres de sair à rua, desde que não saiam de casa.

Por exemplo, se a política pública consistir em amputar um dedo aos cidadãos, ou em vacinar crianças com mistelas de efeito imprevisível, aquele que disser que tal coisa pode não ser boa ideia, estará a enganar o público, pois comprovadamente se é política pública só pode ser boa!

O que fazer?

Neste caso, não há qualquer dúvida, e repito-o, conforme repeti antes - não é preciso fazer nada!

Cada vez que a política for mais repressiva, é fazer o mínimo possível.

Querem uma sociedade de bonecos? Pois, bonecos terão!

Pelo meu lado, over and out...  


sábado, 1 de maio de 2021

Segredo do Cubango

Uma casa típica dos anos 60 tinha umas imagens vindas de África. No caso concreto, na casa dos meus avós estava um quadro-fotografia a preto e branco de umas magníficas cataratas, que fui achando serem as Cataratas de Victoria, pois é como se não houvessem outras em África. 

Cataratas do Duque de Bragança, é um nome do passado, porque passaram chamar-se "Quedas de Calandula", após a independência de Angola, nome que é talvez ainda menos conhecido mesmo hoje.


Quedas de Calandula, com 100 metros de altura, rio Lucala (afluente do Quanza, Angola).
(... chamavam-se até 1975, cataratas do Duque de Bragança)

Prefiro o nome Calandula, mas a necessidade dos angolanos se desprenderem de nomes coloniais, terá feito perder alguma atenção sobre uma grande atracção turística, já que apesar de não terem a dimensão das Quedas de Victoria, são habitualmente classificadas como "as segundas de África".
 
A fotografia que me lembro era mais notável, mas de qualquer forma o site monsoondiaries.com tem um vídeo e fotos ilustrativas, igualmente notáveis:
Quedas de Calandula (ver monsoondiaries)

Estas quedas de água não são caso único em Angola, há outras, por exemplo na fronteira com a Namíbia, no rio Cunene, na região de Cuando-Cubango, encontram-se outras que foram igualmente famosas - as Cataratas do Ruacaná:

Quedas do Ruacaná (fronteira Angola-Namíbia)

No entanto, é preciso ter em atenção que no caso do Ruacaná estas quedas de água dependem agora do caudal do Cunene que é controlado pela barragem a montante. Só quando há descargas, na época das chuvas se poderá ter fotografias com tanta água, senão a água libertada é razoavelmente escassa.

Segredo do Cubango
Vem isto a propósito de explorações feitas por Serpa Pinto em Angola, na época em que eram populares as "redescobertas" do continente africano, feitas por Livingstone, e depois por Stanley, Brazza, e outros, entre os quais entrou Serpa Pinto, desde 1869. 
Alexandre Serpa Pinto

Estas explorações portuguesas tiveram um aspecto algo controverso, definido pela necessidade de reclamar a presença oficial em paragens onde sempre haviam estado, para efeitos de reconhecimento externo. Em 1877, Serpa Pinto integra a missão inicial com Capelo e Ivens, de chegar a Moçambique, mas diverge de ambos e vai mais para sul, acabando na África do Sul, em Pretória. 
Sobre Capelo e Ivens já falámos:

A divergência entre Serpa Pinto, e os outros dois (Capelo e Ivens), acabou por levar à separação da exploração e a diversas críticas, nomeadamente sobre uma informação que Serpa Pinto apresentou de um certo "Segredo do Cubango", que não teria revelado, passando a ser usado com desdém e detracção pelos seus opositores (ver por exemplo "As conferencias e o itinerario do viajante Serpa Pinto", de M. F. Ribeiro, pág. 292).

Esse segredo do Cubango já não seria na região de Cuando-Cubango, seria mesmo na actual região do Botswana, apesar de se relacionar com o rio Cubango, cuja maior parte do percurso é ainda angolana.
A questão é que há um enorme delta do Cubango (ou Okavango), onde o rio desagua... ou melhor, desaparece no deserto do Calaari, e em parte no lago Ngami. Isto deve-se a evaporação, transformando a região num grande pantanal, que é considerada uma das "maravilhas naturais de África".

Gambusinos e Chilindró
A forma como acabou por ser encarado o segredo do Cubango, é algo semelhante à forma jocosa como foi evoluindo a noção de gambozino em português...

Gambusino em espanhol colonial reportava aos garimpeiros que procuravam ouro, especialmente na Califórnia, no Séc. XIX, e de certa maneira associa-se à piada de que não iriam encontrar nada. Com efeito essa foi uma manobra de falsa propaganda, destinada a atrair uma boa parte da população, para territórios que necessitavam de colonização rápida (ver também o texto sobre Fusang e a fossanguice associada).
Isso terá consistido num de muitos planos da maçonaria, em difundir mensagens enganadoras, um pouco na réplica de "com papas e bolos se enganam os tolos". Ou seja, nunca esquecendo, nem perdoando, as bulas papais que permitiram aos estados ibéricos dividir o mundo em dois.

Gambusino - é um garimpeiro.
Gambian Mexicanism describes miners and small-scale miners. It also describes the American gold seekers who during the nineteenth century gold rush explored the terrain of the United States and Canada. The Gambusinos who came to the fevers of gold were not trained to recognize the mineral or areas of potential wealth, so they depended largely on their fate. Very few gambusinos were enriched with gold fevers. The gambusinos acted both individually and collectively. In the early years of the gold rush, the ore could be collected from the river beds. The selection was made visually, using a screen to separate the sand and other minerals. When the gold of the rivers ran out, the gambusinos began to associate to explore other sources of the mineral, resorting to the traditional mining and developing techniques like the hydraulic mining.

Chilindró. Esta é outra interessante noção popular que ainda se relaciona com todas as tramas com que a maçonaria acabou por nos presentear, ligando-se neste caso, segundo me parece, ao panóptico de Bentham, uma prisão cuja forma era um cilindro:

https://alvor-silves.blogspot.com/2013/02/panoptico-ou-ovo-de-colon.html

Ler este texto, já com oito anos, não deixa de ser instrutivo... 
Acontece que cilindro também se escreveu como cylindro e acidentalmente chylindro. Era essa a forma sugerida por J. Bentham para o encarceramento prisional:

Porquê? Porque assim bastaria um guarda em posição central, para poder ter acesso a todo o movimento dos prisioneiros, nas suas células, com todo o interior visível. Um sonho do déspota encarcerador! 
Na minha opinião, a maçonaria só foi ainda mais longe quando iludiu os cidadãos que eram livres, e os convenceu de que deveriam inventar sistemas para que ficassem ainda mais presos e sem possibilidade de fuga. Quem ganhou esse concurso, teve a imediata recompensa de passar a viver nele... como preso, é claro, para certeza que nem tal génio conseguiria fugir!

Que "as paredes têm ouvidos", já o sabemos há muito tempo, o que nunca foi claro é que tivessem associado aos múltiplos olhos e orelhas, algum cérebro funcional. O mais que vemos, será uma sucessão infindável de actos abomináveis, próprios de bestas insanas, cujo destino, assim como das anteriores, será a inevitável e completa extinção. Pode demorar muito, mas é inevitável...

_________

02.05.2021

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Fernão de Magalhães (7) Lapu Lapu

Por estas horas nas Filipinas já se comemorou a vitória de Lapu Lapu na batalha de Mactan (Cebu). 

Imagens da comemoração da vitória de Lapu Lapu (27 de Abril de 2021, Cebu)

As comemorações estiveram sob o signo da máscara, Covid oblige.
Em contraponto, deve lembrar-se que aí pereceu Fernão de Magalhães, morto em batalha. Magalhães quis forçar que as Filipinas celebrassem missa. Muitos chefes anuíram, mas Lapu Lapu recusou.
Magalhães terá ido convencido que conseguiria vergar pela força, e esse convencimento de quem detém uma superioridade de armamento, acabou por lhe custar a própria vida.

Deixo um retrato ficcionado, que normalmente se associa à ilustração da sua morte, sozinho, lutando contra vários indígenas.


Uma boa maioria dos restantes portugueses e espanhóis, acabaram por se salvar a tempo.
O facto de Magalhães se ter deixado ficar, acabando por perecer, acaba por ficar num certo misto entre a casualidade da guerra, e alguma intencionalidade própria.
Nesta altura, Magalhães já sabia que as Molucas (o objectivo) estavam ali ao lado. Se quisesse evitar um confronto desnecessário, bastaria rumar às Molucas e ignorar Lapu Lapu... deixar que outros tomassem conta do assunto (conforme mais tarde o fizeram).
Magalhães quis o confronto, e empenhou-se pessoalmente mais do que o expectável. Não me parece ter feito o suficiente para evitar a própria morte. Se não foi um suicídio (tal coisa era abominada pelos clérigos), não esteve muito longe entre isso e uma obstinação de chefia que não admite desobediência.

Estava ao serviço de Espanha, mas não é claro que não estivesse também ao serviço de Portugal.
A sua história é um marco na navegação mascarada, sendo o primeiro desmascarado a contornar o globo. Primeiro, porque tinha estado antes naquelas paragens, pelo hemisfério português, e ali acabava de confirmar o caminho pelo hemisfério espanhol. Esse hemisfério espanhol tinha ocultado tantas proezas nacionais, que uma série de homens, cartógrafos (Faleiro, Reinéis), pilotos, marinheiros, quiseram associar-lhe outro nome português, e muitos acompanharam-no naquela senda. Os três capitães seguintes, comandantes da frota, continuaram a ser portugueses. El Cano, nunca foi comandante da expedição, era comandante do único barco que regressou a Espanha (o outro navio foi capturado).

Os filipinos têm toda a razão em comemorar a vitória de Lapu Lapu, foi uma batalha heróica, pelo seu lado. Teremos nós razão em praticamente ignorar que passam 500 anos sobre a morte do português mais celebrado em todo o mundo?
Não, não há nenhuma Covid que justifique isso, apenas uma subjugação externa, obsessiva, para a qual  proezas desta gente são rudezas suas.

O Magalhães, no feito com verdade português, porém não na lealdade.

E como o próprio Magalhães o reconheceu, o feito de cruzar o Estreito e navegar o Pacífico, foi com verdade português, pois estava cartografado em mapas portugueses, mas não na lealdade de o atribuir a um primeiro autor (talvez Diogo Cão ou João Afonso do Estreito).

sexta-feira, 23 de abril de 2021

da Costa Gomes a Gomes da Costa

Há um chefe e um vice-chefe das forças armadas, e são ambos demitidos.
Passado um mês há um golpe militar, e o vice-chefe, sem saber como, passa a presidente, mas enquanto presidente, não consegue formar governo. Acaba por ficar isolado e cai passados 4 meses.
Com o vice-chefe fora de cena, o chefe assume o cargo presidencial.
Dão-se golpes, contra-golpes, etc... mas há um personagem que sai incólume - o chefe:

Francisco da Costa Gomes, a figura nos bastidores do 25 de Abril de 1974.

Costa Gomes estava ao serviço da NATO, e foi a NATO a força dissuasora no 25 de Abril.
A NATO esteve presente de 23 a 25 de Abril com uma armada capaz de arrasar Lisboa.

A hierarquia do MFA seria simples - Costa Gomes era a peça de ligação portuguesa à NATO, e manteve-se nos bastidores. Seria de si que partiam as direcções que coordenava com Vasco Gonçalves, para as reuniões do MFA, onde Otelo Saraiva de Carvalho assumiu protagonismo para os restantes envolvidos.
Houve mais, bastantes mais capitães, mas houve essencialmente um general que soube desviar de si as atenções, a ponto de nos relatórios da CIA se manifestarem dúvidas sobre se era figura apagada ou protagonista.
Para quem era um puto na altura, como eu, seria muito mais fácil associar protagonismo a Spínola do que a Costa Gomes. Para a generalidade dos portugueses, Costa Gomes seria a figura mais apagada daquele período conturbado, em que quase todos procuravam protagonismo.

No entanto, estes são os factos, que já aqui expusemos do Carnaval revolucionário:
  • Costa Gomes esteve sob Humberto Delgado no comando SACLANT da NATO em Norfolk.
  • Costa Gomes foi secretário de estado sob o general Botelho Moniz, então Ministro da Defesa.
  • Humberto Delgado e Botelho Moniz tentaram ambos derrubar Salazar.
  • Após o falhanço do golpe de Botelho Moniz, a embaixada americana sinalizou que melhor solução do que Botelho Moniz seria Costa Gomes.
  • Costa Gomes ficou chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas em 1973.
  • No final de 1973, Vasco Gonçalves começou as reuniões clandestinas do MFA.
  • No início de 1974, Costa Gomes incentiva Spínola a publicar o seu polémico livro.
  • Em 13 de Março, Costa Gomes e Spínola são ambos demitidos do EMGFA.
  • Em 16 de Março dá-se a primeira revolta, o golpe das Caldas.
  • A 23 de Abril, a força da NATO (STANAVFORLANT) está em Lisboa para o exercício:
      • Dawn Patrol (patrulha da madrugada)
  • A 25 de Abril, as chefias militares, até há um mês lideradas por Costa Gomes, não esboçam reacção à iniciativa de Salgueiro Maia. Não há aviões no ar (a NATO estava no Montijo), e o navio português da NATO (comandado pelo pai de Francisco Louçã), ao apontar os canhões para o Terreiro do Paço é bloqueado pela fragata canadiana.
  • Contra as tropas de Salgueiro Maia, restam poucas forças leais a Marcelo Caetano, que se rendem.
  • Quem o MFA vai chamar para a transição é Spínola e não Costa Gomes.
  • Spínola tenta fazer um governo militar, mas a maçonaria impõe Palma Carlos como primeiro-ministro. Ao fim de pouco mais que um mês, Palma Carlos demite-se.
É aqui que começa a aparecer o outro lado da revolução... Vasco Gonçalves aparece como exigência do MFA para ser primeiro-ministro.
Esta exigência parece-me ser claramente de Costa Gomes, provavelmente o líder desde o início desse MFA congeminado pela NATO. Spínola sente-se sem qualquer poder sobre os acontecimentos, em Setembro convoca "a maioria silenciosa" e dela vai receber silêncio...
  • Em Setembro, Costa Gomes passa a ser o segundo Presidente da República após o 25 de Abril, tal como Gomes da Costa foi o segundo Presidente da República após o 28 de Maio de 1926. Até esta troca de apelidos é sinal da troca de regime (Mendes Cabeçadas, esse ainda durou menos tempo que Spínola, e foi afastado passadas duas semanas, em 1926).
  • As figuras lançadas para a frente, Spínola e Mendes Cabeçadas, estavam desligadas dos bastidores das revoluções que iriam tomar a iniciativa seguinte.
Com Costa Gomes e Vasco Gonçalves começa a "transição para o socialismo". Essa experiência vai ser lançada em toda a sua plenitude em 1975 até ao 25 de Novembro. Conforme referi no ano passado, foi uma vacina de turismo revolucionário, que acabou definitivamente com os ideais anárquico-socialistas.

Afastados Vasco Gonçalves e Otelo Saraiva de Carvalho, Costa Gomes manteve-se como presidente, como se nada se tivesse passado. De certa forma, naquele período conturbado tanto permaneceu como referência para a extrema-esquerda, como para o centro-direita. Mas a sua permanência estava aprazada, enquanto figura de transição, até à eleição de Ramalho Eanes em 1976.

O papel de heróis do 25 de Abril caiu por inteiro nos capitães, mas todos estes bastidores fazem crer que, à excepção de Otelo, tiveram pouco mais que uma intervenção comandada de fora.
A troika (conforme lhe chamaram os americanos) Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Otelo Saraiva de Carvalho, poderá ter tido uma ideia de aproveitar a revolução para tentar implantar um certo socialismo, algo anárquico, mas se essa ideia pode ter sido algo genuína em Otelo e Vasco Gonçalves, parece-me que serviu mais propósitos de vacinação pela parte de Costa Gomes e da NATO. 

Diz-se que Kissinger terá pensado numa invasão de Portugal, usando a Espanha, mas isso seria mais porque provavelmente não estaria completamente ao corrente da experiência científica que a CIA estava a fazer em termos de vacinação contra os ideais socialistas anárquicos. Os muitos grupos deslumbrados com a experiência revolucionária portuguesa, viram-na cair por si mesma, sem intervenção externa. Isto foi marcante no progressivo desaparecimento de muitos desses grupos na Europa.

O custo deste carnaval revolucionário foi depois passado em forma de cheque ao FMI, em duas tranches, a primeira logo em 1977, e a outra em 1983, para dar acesso à superliga da CEE (tal como o custo da entrada no "euro" começou a pagar-se em 2011). E, é claro, como todos sabem, aquela coisa a que chamam "vacinas", só a alguns parece ser obra de caridade das farmacêuticas.

Outros postais acerca deste assunto:

domingo, 4 de abril de 2021

A África começa nos Pirinéus (6)

Resumindo aquilo que foi apresentado nesta série, para mim fica claro que não existem registos judaicos anteriores à queda de Cartago. A questão das moedas, levantada no postal anterior, é apenas mais um exemplo. Não se encontram símbolos judaicos, nem sequer em relatos de outros povos.
É claro que há tentativas de ligar qualquer referência à Palestina, a um povo judaico, mas mesmo essas são tão escassas e pouco significativas que podem ser quase ignoradas. Todo o folclore judaico começa quase em simultâneo com o cristianismo, à excepção do suposto "Velho Testamento", cuja origem mais antiga é praticamente coincidente com a queda ou, pelo menos o declínio de Cartago após a derrota de Aníbal.

Antes da invasão de Alexandre Magno, o mundo antigo tinha civilizações de referência - os egípcios, os persas/babilónios/caldeus, os fenícios, e os gregos. A invasão de Alexandre terraplanou essas diferenças para um factor comum - todos foram helenizados! É claro que Alexandre nem se dá conta da existência de judeus, porque simplesmente não contavam/existiam.

Só que, passado um século torna-se claro que o legado cultural egípcio, fenício, persa ou caldeu, corria um risco iminente de desaparecer da História. Os fenícios ainda tinham Cartago, Cartagena ou Cádis, mas os restantes estavam sob domínio das dinastias dos generais de Alexandre - de Ptolomeu no Egipto, e de Seleuco no Médio Oriente.

O mais natural, parece-me, é que especialmente o corpo sacerdotal não queria perder um legado milenar, de um momento para o outro, e a ideia de uma certa aliança entre três reinos magnos começou a ganhar forma, especialmente quando os Romanos ameaçaram mais definitivamente substituir-se aos gregos no controlo dessas regiões, após as "vitórias de Pirro" (Burro) e a derrota de Aníbal.
Esses três reinos eram basicamente três partições do império de Alexandre: - a parte africana do Egipto (Ptolomeu), a parte asiática do Médio Oriente (Seleuco), e a parte mais europeia com a Ásia Menor (Antígono).


Representação dos 3 reis magos com chapéus frígios "de liberdade".

Do lado egípcio seria herdado um velho monoteísmo de Akenaton. 
Do lado caldeu todo o antigo mito da criação de Gilgamesh, em concorrência com os ensinamentos filosóficos de Zaratustra.
Do lado da Ásia Menor e Fenícia, um certo ideal de liberdade das cidades estado fenícias, dos reinos da Frígia,  Lídia, Lícia, herdeiros hititas, um aspecto de comércio livre, etc.

Quem terá tomado o inicial protagonismo terão sido provavelmente os egípcios e caldeus adeptos do culto monoteísta de Akenaton a Aton e de Zaratustra a Ahura Mazda, em conjunto com os fenícios de Tiro.
A formação da religião monoteísta "judaica" terá sido congeminada aquando da definição da Septuaginta, umas décadas depois de Ptolomeu ter consolidado o seu reinado, na nova capital egípcia, Alexandria. 
A região entre a Palestina e a Síria tornou-se um foco de várias batalhas entre os lados ptolomaico (egípcio) e seleucida (sírio), culminando numa zona de ninguém, onde se começaria a formar o reino judaico, com a revolta dos Macabeus. Com o fim de Cartago e a conquista romana da Grécia e Ásia Menor, é natural que aí se juntassem expatriados fugindo não só de Cartago, mas também de territórios vizinhos conquistados pelos romanos.

Em breve essa aliança circunstancial terá cedido em dissensões, em que o núcleo principal "judaico" se foi identificando aos expatriados fenícios, de Cartago e Cartagena, forçados a uma travessia no deserto até às suas origens. O lado egípcio foi provavelmente aquele que, juntamente com o lado da Ásia Menor (Paulo, era nascido em Tarso), mais favoreceu a dissensão para um cristianismo. 
Com efeito, a adesão ao cristianismo foi tão forte no Egipto, que praticamente o cristianismo copta substituiu a antiga religião egípcia. Após Cleópatra, o Egipto era apenas mais uma província romana, e o resto da cultura egípcia perdera-se. 
Outra dissensão, seria pelo lado caldeu e frígio, ligando-se ao culto do Mitraísmo que, até à implantação do cristianismo por Constantino, era um culto com bastantes adeptos e muito concorrencial com o cristianismo. Esse lado favoreceu depois o próprio aparecimento da região islâmica, como natural dissensão dos velhos acordos.

O grande objectivo destes três reinos magnos seria a queda de Roma.
O maior sucesso partiu do lado judaico-cristão, que se foi espalhando justamente por todo o império, especialmente entre os escravos. Os fenícios-cartagineses mantiveram-se na dissensão que levou á concretização do judaísmo. Os povos da Ásia Menor,  variaram entre o mitraísmo e o catolicismo, com a sua definição pela separação no lado ortodoxo cristão, do Império Romano Oriental, com centro em Constantinopla. Finalmente o legado principal dos caldeus acabou por ir para a definição da terceira religião abraâmica, o islamismo.

Roma incorporou o cristianismo de forma subtil, e acima de tudo sobreviveu à sua vitória, reerguendo-se como capital do império ocidental. 
Bom, mas esta especulação ainda não termina aqui...

quarta-feira, 31 de março de 2021

Fernão de Magalhães (6) missa nas Filipinas

Uma das coisas a que os Filipinos deram alguma importância foi à realização da 1ª missa nas Filipinas,

 

Portanto, parece que os filipinos não esqueceram de comemorar esse evento em Limasawa, algo que a igreja católica portuguesa ignorou, bem como todas as autoridades, porque se há coisa que a Covid trouxe foi uma total perda de memória, de vergonha, de coluna vertebral, etc.

Pelo menos o Vaticano não esqueceu por completo... porque afinal de contas há muitos filipinos (e qual Cristiano Ronaldo, o cristiano Francisco bateu o recorde de assistência nas Filipinas, com 6 milhões de fiéis numa missa).
ainda que se tivesse anunciado que não haveria comemorações.
Praia de Limasawa onde terá decorrido a Missa pascal em 31 de Março de 1521

Tudo correria bem, na evangelização das Filipinas, excepto em Cebu, onde Lapu Lapu decidiu não aceder a esta realização de missas pelas diversas ilhas. Magalhães tentou usar a força para converter aqueles filipinos. É assim que passado um mês lunar, em 27 de Abril, os guerreiros de Lapu Lapu vão terminar com a vida de Magalhães.

______________________
Nota adicional (01.04.2021):
Convém notar que, mesmo após a morte de Magalhães, o comando da expedição continuou a ser português e não passou para Elcano.
Por breves dias, o comando esteve com Duarte Barbosa e João Serrão, que foram ambos mortos num jantar oferecido por um rajá local, aparentemente por conspiração do intérprete malaio Henrique de Malaca, que deveria ter sido libertado após a morte de Magalhães.
Ainda depois disso, a expedição foi entregue a João Lopes de Carvalho, durante quase 5 meses, até que por rebelião/eleição passou para Gonzalo Espinosa, espanhol. 
Este Espinosa foi depois capturado pelos portugueses, pelo que Elcano nunca foi comandante da expedição, mas somente comandou o navio que regressou.
Quando os espanhóis tentam puxar para Elcano o sucesso da circumnavegação, é claro que ignoram tudo o que não interessa à narrativa... Para colocar-se ali o nome de Elcano, deveria ser no mínimo:
Expedição de Magalhães-Barbosa-Serrão-Carvalho-Espinosa-Elcano

Sobre João Lopes de Carvalho, remetemos um anterior postal:
porque, por estranho que possa parecer, João Lopes de Carvalho nem sequer tem página na Wikipedia, nem em português, nem em espanhol, nem em inglês:
Zero, nada, népias!

domingo, 28 de março de 2021

Annus covidianus

Passado um ano, é altura de ver o que foi escrito aqui. Cito algumas frases.
Isto é sempre bom para que se veja até que ponto exagerámos (ou não) em previsões.

  • 9 de março de 2020 - Cara ou corona?
    • Cidadãos mais circunscritos e limitados no seu raio de acção, são cidadãos cujas acções, mesmo descontroladas, podem ser contidas e tratadas no "foco da doença".
    • Ou seja, o que esta pandemia de gripe deixará claro é que o contacto cara a cara passará a acto perigoso face à mais saudável interacção no verso e reverso, coroa a coroa, com a distância assegurada pelos filtros sanitários adequados.
  • 10 de março de 2020 - dos Comentários (60) é-vento 201
    • (...) IRF sinalizou um evento que decorreu em 18 de Outubro de 2019, dois meses antes de ser sinalizado o primeiro caso da epidemia na China: Event 201 - A Global Pandemic Exercise
    • Portanto, para quem gosta de acreditar em coincidências, tratou-se de mais uma coincidência. Haverá quem diga que este tipo de exercícios de antecipação é considerado há muito tempo, e que a preocupação com pandemias é permanente. Mas, curiosamente, também acertou no vírus escolhido, um novo corona-vírus, e numa taxa de mortalidade, à volta dos 5%.
    • No entanto, nunca tal exercício tinha sido promovido, incluindo ainda o aspecto financeiro, a que se juntava a participação do World Economic Forum, e a fundação de Bill Gates, alguém que há muito mostrava preocupação pelo assunto, mais do que a sofrera com os vírus informáticos.
  • 14 de março de 2020 - dos Comentários (61) pan-demos
    • (...) José Manuel Oliveira sinalizou um detalhe importante, relacionado com a existência de «fundos pandémicos»
    • (...) No entanto, e numa altura em que haverá alimento para múltiplas teorias da conspiração, surgiu uma outra, relacionada com o projecto de identificação digital ID2020, que consiste em usar vacinas para uma identificação digital dos indivíduos.
    • Este será o primeiro teste de funcionamento de uma sociedade funcionando à distância, centrada em casa própria. Uma sociedade para o Séc. XXI com características medievais, nomeadamente na limitação do deslocamento físico, na ausência de propriedade real e na completa dependência de um funcionamento central para sobrevivência individual.
  • 22 de março de 2020 - Lavagem de Pilatos
    • Convém perguntar qual será a diferença entre as orientações das "entidades de saúde" e os conselhos das avós, quando éramos crianças. Rapidamente poderemos concluir que as nossas avós eram bastante menos mentirosas, atabalhoadas ou bobas. Só faltará às autoridades sugerirem colocar pimenta nos dedos, para não os levar à boca.
    • Entretanto, os cidadãos vão ficando numa prisão domiciliária ridícula, onde o simples passear é crime, e onde até parece que os carros são também transmissores de vírus... 
    • A vantagem do assunto é que a situação foi de tal forma exagerada que nem se dá espaço aos outros vírus para seguirem o seu caminho. Este distanciamento não bloqueia apenas o corona-vírus, vai bloquear toda a contaminação, e no final de contas, o que podemos ter a mais de mortes por um vírus, irá compensar o que temos a menos pelos outros... 
    • Ou seja, que amanhã, 23 de Março haverá ~ 2010 casos, depois 2500, 3080, 3750, etc... chegando a aproximadamente 8 500 casos no final deste mês.
  • 28 de março de 2020 - Corona spinea
    • Em períodos em que o medo impera, e em que ordens draconianas são aceites sem pestanejar, com um pseudo-argumento científico, tudo está preparado para uma perfeita arbitrariedade. Com novas fronteiras impostas pelo medo de propagação, o turismo tem os seus dias contados, as viagens a destinos exóticos são possibilidades do passado, mas pior que isso, a dureza de posições, remetidas a fronteiras, pode impor um novo militarismo descontrolado... com óbvias vantagens para os produtores de armamento.
    • Relativamente a Portugal, as contas que apresentámos no postal anterior foram completamente confirmadas durante a semana, praticamente todos os dias (com erros de 1% a 5%), mantendo a previsão de que o pico deverá ocorrer no dia de Páscoa... no entanto, as estimativas da DGS são agora outras, dilatam para Maio, talvez porque seja mais interessante dilatar o período de detenção.
    • E é óbvio que chegados à Páscoa, com 20 ou 25 mil casos, 300 ou 400 mortos, os valores vão continuar a aumentar até Maio, mas esses aumentos serão pequenos e residuais, dependentes das deslocações na Páscoa e da capacidade de recuperação da doença.
    • A situação não se irá repor com a mesma velocidade que se impôs. As restrições foram colocadas de um momento para o outro, mas cada uma delas só será levantada se for lutado para que assim seja. 
    • Portanto, o que agora preocupa não é o vírus, é o que a desmedida irracionalidade humana poderá fazer usando este e os próximos vírus como pretexto... Podendo não ser nada, não me parece augurar nada de bom, pela lógica do "quanto pior melhor" que observámos ao longo dos séculos.
Pequena conclusão.
Defeito profissional, a previsão do comportamento da curva de casos foi brincadeira de crianças.
A previsão (no dia 22) deu "sem dúvida" um pico até à Páscoa (dia 42). 
Confirmou-se em pleno.
Ninguém o quis reconhecer. Nem aqui, nem entre amigos, nem noutros sítios onde apresentei, onde estavam parodiantes "especialistas" do Infarmed ou que vão debitar loas à TV. Antes, ninguém acreditava, porque ia contra a numeração oficial que punha um crescimento até 175 mil casos em Maio. Nos próprios dias da Páscoa, a DGS ainda tinha dificuldade em reconhecer. Depois, não interessava, porque o problema era o desconfinar...
Quando se está rodeado de pessoas que vivem numa realidade distante dos factos, ou se alinha com esse discurso, ou há um perigo claro de "ser anormal". Desde essa altura, recuso-me a fazer previsões, mas ensinei uns vinte para o fazerem, que voltaram a acertar a um mês de distância, com precisão idêntica.
Calam-se todos, nunca mais falam comigo sobre o assunto, e ficamos por aqui.
Quando é tempo de errar, quem quiser acertar é um inimigo da sociedade!

segunda-feira, 22 de março de 2021

A África começa nos Pirinéus (5)

Normalmente era habitual os reinos colocarem nas suas moedas os seus símbolos distintivos.
Foi isso que se passou com as moedas cartaginesas, fenícias, mas então e as moedas judaicas?
Recupero um pouco a linha aqui interrompida sobre moedas.

Moedas fenícias

As moedas fenícias, os xequel, diferem segundo a cidade, relembrando que a Fenícia não era apenas Tiro, havia uma rivalidade com Sídon e também não seria desconsiderada a importância de Biblos. 

(1) Biblos

Começamos com Biblos, a cidade mais a norte. A típica aparência das moedas que encontramos é esta:
- uma embarcação com 3 guerreiros (ditos hoplitas gregos) sobre um cavalo-marinho alado; 
- no verso, um leão abocanhando um touro:

Séc. IV a. C.
Coin Archive: PHOENICIA. Byblos. Uzzibaal, circa 400-365 BC. Shekel (Silver, 23 mm, 13.22 g, 11 h).
Galley, with an eyed prow ending in a ram and a lion's head figure head, and with three armored
Greek hoplites standing left on deck, moving to left above waves;
below, Phoenician letters 'z above a hippocamp swiming to left with a murex shell below.
Rev. zb'l mlk gbl (in Phoenician) Lion attacking a bull to left.

(2) Sidon
Neste caso de Sídon, cidade no meio, há dois tipos de moedas comuns, um que invoca uma fortaleza com 4 torres, que depois deixa de aparecer, talvez consequência de uma destruição persa. Em substituição aparece um navio multirreme. No verso, umas vezes aparece um rei dominando um leão, noutros uma quadriga (associada ao domínio persa).

Séc. IV a. C.
Coin Archives: PHOENICIA. Sidon. Baalshallim II, circa 401-366 BC. Double Shekel (Silver, 32 mm, 27.93 g, 12 h).
Phoenician galley to left over double row of waves; above, 'Beth' (Phoenician).
Rev. Persian king and driver in chariot to left; behind, king of Sidon walking left, holding scepter.

Séc. V a. C.

Coin ArchivesPhoenicia, Sidon AR Half-Shekel. Time of Ba'alšillem I - Ba'ana, circa 425-402 BC. City walls with four towers, before which a Phoenician galley to left; below, two lions leaping in opposite directions / Persian Great King or hero standing to right, holding dagger and grasping mane of lion held before him; all within incuse square.


(3) Tiro
No caso de Tiro, parecem ser claros dois períodos. Um anterior à invasão de Alexandre Magno, com o cerco de Tiro, que levou à conquista da cidade, e um posterior em que aparece uma águia/fénix.
No caso anterior a 332 a.C., as moedas tinham tipicamente um cavalo marinho alado (como em Biblos, mas aqui na parte superior), e no verso estava uma coruja. Após a conquista helénica, e sob o império seleucida, passou a estar uma cabeça de rei ou Melkart, e no lado oposto uma águia, com letras gregas.

Séc. V a. C.
Coin ArchivesPHOENICIA. Tyre. Ca. 425-394 BC. AR shekel (25mm, 13.18 gm, 8h). NGC Choice XF 2/5 - 3/5.
Uncertain king. Bearded deity (Melqart?), bow and arrow in left hand, reins in right, riding winged hippocamp right above waves; dolphin swimming right below, all in guilloche border /
Owl standing right, head facing, flail and crook over shoulder; guilloche border

Séc. II a. C.
Coin ArchivesPhoenicia, Tyre AR Shekel. Dated CY 10 = 117 BC. Laureate bust of Melkart to right /
ΤΥPΟΥ Ι[ΕΡΑΣ] ΚΑΙ ΑΣΥΛΟΥ, eagle standing to left on prow, palm behind;
LI (date) above club to left; ZB monogram to right, Phoenician letter beth between legs.

No entanto, convém referir que esta é já uma moeda típica do período helénico, após Alexandre Magno, que se encontra não apenas na parte seleucida, mas igualmente com o mesmo aspecto na parte ptolomaica. Não é assim uma moeda de Tiro, será mais uma moeda macedónica cunhada em Tiro.


(4) Cartago
Há várias inscrições típicas. Começamos por um estáter de ouro, com a deusa Tanit e o cavalo.

Séc. IV a. C.
Coin ArchivesCARTHAGE. Circa 350-320 BC. Stater (Gold, 20 mm, 9.19 g, 4 h).
Head of Tanit to left, wearing triple pendant earring, necklace, ... with seven pendants, and a wreath of grain leaves.
Rev. Horse standing to left; in field to right, before horse's fore legs, three pellets arranged as an inverted triangle.

Alternativamente, começa a aparecer a palmeira (tamareira), por exemplo, atrás do cavalo, na primeira moeda, e depois na face da moeda seguinte, com cachos de tâmaras.

Séc. IV a. C.
Coin ArchivesCARTHAGE. Circa 400-350 BC. Æ Unit (16.5mm, 3.50 g, 6h).
Carthage mint. Wreathed head of Tanit left / Horse standing right; palm tree in background.


Séc. IV a. C.
Coin ArchivesZEUGITANIA. KARTHAGO.1/10 Stater. ca. 350 - 320 v. Chr. Vs.: Palme. Rs.: Pferdekopf

(5) Cádis

Há ainda moedas com inscrições fenícias/cartaginesas em Cádis, onde tipicamente nesta Andaluzia sob influência cartaginesa um dos símbolos usados eram um ou dois atuns... do outro lado, a cabeça deixa de ser entendida como Melkart, e passa a associar-se ao equivalente Hércules. 

Séc. II a. C.
Coin ArchivesGades. Hemidrachm. 120-20 BC. Cadiz. (Abh-1308). (Acip-634).
Anv.: Head of Melkart on left, wearing a lion's skin. Rev.: Tuna right with Phoenician legend type B.

(6) Judeia
Há um registo de evolução de moedas judaicas aqui:


que começa com umas pseudo-variações de moedas de Tiro, que tal como as de Atenas tinham uma coruja (símbolo de Atena), dizendo que a inscrição com 3 letras num "paleo-" (paleio) qualquer, quer dizer "Yehud". Esqueceram o detalhe que a coruja tem cauda, como as de Tiro, e não tem olhos grandes como as de Atenas. Têm mais duas moedas, tipicamente uma helénica e outra cartaginesa, e um paleo-paleio para tentar argumentar que havia moedas judaicas anteriores à queda de Cartago. 
As que mostram seguidamente são posteriores, e são simples variações de moedas seleucidas, que até têm o símbolo do império que ali dominou de 332 a.C. até à chegada romana, com uma concessão breve aos macabeus e a Herodes.

Portanto, não há vestígios de moedas judaicas antes do Séc. I a.C.
Depois será discutível... mas já estamos no tempo de Jesus, com 30 dinheiros em "shekels de Tiro".
Quando se começa a ver uma produção minimamente significativa, é quando se dá a primeira revolta Judaica que termina numa Massada e no transporte da menorá (candelabro judeu) para Roma, como se vê no Arco de Tito (onde é praticamente a única coisa não vandalizada):

Curiosamente desse minúsculo período, os judeus vão fazer moedas que sobreviveram em boa quantidade, invocando outros símbolos judaicos... ou nem tanto quanto isso:

Séc. I
Coin ArchivesJewish War. 60-70 CE. AE Half Shekel (26 mm, 15.22g). Jerusalem mint.
Dated year 4 (69/70 CE). 'Year four, half' (Shekel) in Hebrew, two lulav branches flanking ethrog.
Reverse: ''To the redemption of Zion' (in Hebrew), palm tree with two bunches of dates, flanked by baskets with dates.
Séc. I
Coin ArchivesJudaea, The Jewish War. Bronze Prutah; Judaea, The Jewish War; 66-70 CE, Year 3=68/69 CE, Prutah, 2.53g. Hendin-1363, Meshorer-204. Obv: Amphora with broad rim, two handles, and conical lid decorated with tiny globes hanging around edge; "Year 3" around in Paleo-Hebrew. Rx: Vine leaf on small branch with tendril; "the Freedom of Zion" around in Paleo-Hebrew.

Séc. I
Coin ArchivesJewish War. The Jewish War. Year 3, Silver Shekel (14.02 g) 66-70 CE. Jerusalem, Year 3 (68/9 CE). 
'Shekel of Israel' (Paleo-Hebrew), ritual chalice with pearled rim, the base raised by projections on both ends; above, 'Year 3'. Reverse: 'Jerusalem the holy' (Paleo-Hebrew), staff with three pomegranate buds, rounded base.


Não encontrei nada com a menorá, aliás não se conhece que o símbolo apareça muito antes deste transporte registado no Arco de Tito. Diz-se que um sarcófago em Magdala (descoberto há dez anos) que tem uma menorá, pode ser algumas décadas anterior a Tito.

Faço notar a presença da Palmeira (Tamareira) na primeira moeda destas três.
- Por que razão é importante? 
Porque era um símbolo de Cartago. Aparecia também nas moedas de Cartago.
Ora se as tâmaras se associavam a Cartago, também a parreira (2ª moeda) se pode associar à vinha, ou as granadas (3ª moeda)... a Granada. Para não se dizer que as inscrições são variantes fenícias, diz-se que são paleo-hebraicas. 
Ora este paleio hebraico significa que na prática não existia língua hebraica consolidada, fala-se num "aramaico" para evitar uma relação directa com o fenício. Praticamente o que se falava na região eram apenas variantes, e seria natural que o fenício de Tiro tivesse variação em Biblos, etc.

Ora, as típicas representações em moeda das palmeiras/tamareiras usavam 3 ou 4 ramos para cada lado.
Isso é engraçado porque se o topo da menorá for destacável, basta inverter, para obter o símbolo da tamareira. Três ramos são usados para o templo, e quatro para o Hannukah.
... além disso, não esquecer que apareciam dois cachos de tâmaras, um de cada lado:
A essas coisas os judeus chamam etrog (uma das 4 espécies, sendo outra folhas de palmeira - lulav).

Tal como a Fénix é um bicho mitológico que renasce das cinzas após a sua morte, e que corresponderia a um renascer da Fenícia, depois dos habitantes de Tiro se verem sujeitos a manusear moedas com a águia imperial dos gregos seleucidas/ptolomaicos, também haveria a memória de fazer renascer as tamareiras de Cartago, arrasada pela águia imperial romana, virando a menorá, para matar saudades...

Quanto à destruição do Templo de Herodes, os judeus voltaram a revoltar-se, já no Séc. II, ainda não tinha passado um século da primeira revolta. Aí já encontramos os símbolos judaicos mais típicos, para além do lulav no verso, vemos o templo com a Arca da Aliança (notando que isto já seria uma visão de quem pouco ou nada tinha visto, pois eram já passados 65 anos):

Séc. II
Coin ArchivesBar Kokhba Revolt. Year One, 132-135 CE, Silver Sela (13.95 g). Jerusalem (132/3 CE). 
In Paleo-Hebrew 'Jerusalem' on three sides of the facade of the Jerusalem Temple; show bread table or Ark of the Covenant inside with semicircular lid seen from its end at center of entrance.
Reverse: 'Year one of the redemption of Israel' (Paleo-Hebrew), lulav with etrog at left. 

O que resta do Templo - o "Muro das Lamentações", acaba por ser outro lamento, já que claramente resulta de um empilhar de grandes pedras que pertenceriam... sabe-se lá a quê!


O muro das lamentações é essencialmente uma manta de retalhos, provavelmente
reconstruído empilhando grandes pedras (não tão grandes quanto Baalbek) de um ou mais templos.

Em conclusão...
Apesar de ser cultura popular, religiosa e não só, que os judeus têm uma tradição milenar que remontaria a tempos egípcios com Moisés, e depois com Salomão, a situação objectivamente traçada por confrontação com outros registos históricos, tem tantas pernas para andar quanto acreditar na sucessão da Monarquia Lusitana feita por Bernardo de Brito... ou talvez ainda muito menos.

Símbolos judaicos como a menorá, ou outros, não se encontraram antes dos tempos romanos.
Com o registo de moedas, língua, inscrições escritas, etc, tudo vai parar à altura de Herodes, na melhor das hipóteses... ou seja, já sob domínio imperial romano.

Os historiadores gregos não deram que existissem judeus, sendo certo que haveria por ali alguém, mas não com importância de ser mencionado. Alexandre Magno passou por ali como se não existissem, e só foi parado em Gaza, onde teve de fazer mais um cerco complicado, e exibir a sua gloriosa misericórdia com o valoroso general persa inimigo, arrastando-o pelo chão no seu carro de combate até morrer.

Ora, quem ali existia digno de referência pelos gregos e restantes, eram os fenícios.
Com a queda de Tiro por Alexandre no Séc. IV a.C., com a terraplanagem de Cartago no Séc. II a.C., e já sem Cartagena ou Cádis, pela mesma altura, aos fenícios só restava sucumbirem.
Segundo o consenso histórico, teria sido isso que aconteceu... depois de um brilhante período, desapareceram da História, no fim da última Guerra Púnica.

Não me parece...
Como uma Fénix, creio que o que os fenícios acabaram por fazer foi reinventar-se.
Absorveram diversas dissidências que foram convergindo para um mesmo objectivo:
- Não desaparecer da história...
No Séc. II a.C. já contariam com vários aliados no mesmo propósito... afinal até os egípcios começavam a perder a sua relevância e cultura, ficando definitivamente greco-romanos. 
Os fenícios ligavam os deuses a homens, os sacerdotes egípcios herdeiros do monoteísmo de Akenaton, seriam os mais interessados em fazer reavivar as ideias de um monoteísmo perdido.
Nada mais natural do que lavrarem uma sagrada aliança no monte Sinai.

segunda-feira, 15 de março de 2021

King Kongo (2)

King Kong. Em 1933 saiu um filme de Hollywood que fez furou pelo mundo:

King Kong (filme original em 1933) 

O argumento foi escrito pelo inglês Edgar Wallace que o intitulou "Kong". Embora não haja explicação sobre o nome, "Kong" seria tão natural como "Gabon", pois Gabão e Congo são as duas regiões onde há a maior quantidade de gorilas. Em alternativa, Wallace terá proposto "King of the Apes", mas surgiu então "King Kong".

Acontece que alguns ingleses e americanos sabiam perfeitamente que existia uma pessoa que reclamava o título "King of Kongo"O reclamante era Pedro VII, aqui com a sua mulher, em pose de estado, no ano seguinte, em 1934: 

King - Kongo: Pedro VII (1934)

Em virtude da Conferência de Berlim (1884), o reino do Congo tinha-se colocado como reino vassalo de Portugal (1888), e depois de uma revolta em 1914, os portugueses republicanos tinham terminado com esse reino. No entanto, continuou a haver pretendentes à sucessão, tal como no caso português.

Uma associação entre uma coisa e outra parece-me acidental, e é natural que não tenha passado pela cabeça de ninguém. Nem dos produtores de Hollywood que quiseram a mudança do nome, nem do inglês que escreveu o argumento.

Pelo lado do argumento inglês encontro mais semelhanças com a descrição de Richard Burton:


que 8 anos antes da decisão da Conferência de Berlim, proclamava que a permanência inglesa em África deveria seguir "o modo dos Lusitanos dos velhos tempos heróicos", de garantirem a influência territorial  no interior através de portos bem consolidados no litoral (Prefácio, pág. x). 

O capítulo XI tem como título "Mr, Mrs, and Master Gorilla", onde para além de atribuir a primeira viagem àquelas paragens a Hanno, o cartaginês que navegou de Cádis até ao Golfo da Guiné, de onde surgiu a designação "gorila", e desmistifica mais à frente preconceitos sobre gorilas:
 

Para os portugueses que conheciam África desde o Séc. XV, estas explicações deveriam ser escusadas, mas para toda uma Europa que estava agora empenhada em redescobrir o que já estava descoberto, era como se nada existisse antes. Basta ver que a Stanley é atribuída a brava missão de cartografar o Rio Congo até à rocha onde Diogo Cão deixou a sua assinatura. Foi como se desde 1485, e passados 400 anos, ninguém tivesse entrado mais no rio...

Os jornais deram eco a essa paranoia de publicidade imperial, feita a Livingstone, Stanley ou pelos franceses a Brazza (italiano, de onde vem o nome Brazzaville). O mais curioso é que estes intrépidos exploradores, ou digamos turistas, usavam na sua equipa para além de nativos, também portugueses.
É claro, os jornais oficiais nunca deixaram de cumprir a sua função oficial - vender uma verdade conveniente às políticas dos estados, ou dos grupos de influência, que os detinham.

Um outro detalhe está no capítulo XII, onde Richard Burton associa uma ilha do Corisco (já aqui referida) a uma certa "ilha Gorila":

Acidentalmente ou não, encontramos aqui registos que sugerem o entendimento de gorilas enquanto fantásticas criaturas diabolizadas, e a existência de uma ilha Gorila, ligada às ilhas do Corisco. Referindo ainda que essas ilhas derivam o nome dos relâmpagos e tempestades que as assolavam. Ou seja, o enredo que foi usado no filme King Kong poderia encontrar-se nos mitos da época meio século antes, e não seriam poucos os que se lembrariam disso.
 
Ilha de Corisco, e a sul, à esquerda de Mbanié, existe uma minúscula ilha "Conga".

Heart of Darkness
Em 1899 Joseph Conrad publicou Heart of Darkness (Coração das Trevas), referindo a viagem pelo rio Congo em direcção a um estado idealizado pelo psicopata Kurtz, ou digamos, pelo rei Leopoldo II da Bélgica, para quem o Congo foi propriedade privada, para experiências sociais avançadas, que eliminaram milhões de "brutos" (sic). 
Uma curiosa adaptação desta obra é depois usada no filme Apocalypse Now, onde o rio deixa de ser o Congo, e sendo no Vietname, passará a ser o Mekong.

Mais uma vez, esta ligação entre Kong e Mekong será possivelmente fruto de coincidências encadeadas, não tanto porque não seja vislumbrada qualquer relação entre os rios, ou mesmo entre a situação política... digamos que Nixon não corresponderia a Kurtz, da mesma forma que isso poderia ser feito com Leopoldo. 

Zaire
O que não é completamente claro para mim, ainda hoje, é até que ponto não houve um conhecimento dos dois rios Congo e Mekong, e dos respectivos reinos associados, ainda ao tempo de D. João II.
A esse propósito desde logo adiantei que me pareceu que a viagem de Diogo Cão pode ter corrido no sentido oposto, passando pelo Estreito de Magalhães.
Porquê? 
Porque Fernão de Magalhães refere usar um mapa de Martin Behaim, para passar o estreito, quando acerca de Behaim só me parece haver registo que tenha viajado com Diogo Cão.
O rio Congo passou depois a ser designado como rio Zaire, supostamente vindo de palavra indígena n'zere, ao passo que a palavra original para o rio no Vietname seria mesmo khong.

quarta-feira, 10 de março de 2021

King Kongo (1)

Na literatura inglesa, rei do Congo é designado "King of Kongo". Estas eram as suas armas reais, onde se lê Rei de Mani Cõgo:


D. João II sempre se orgulhou de ter conseguido a conversão do primeiro rei do Congo à religião cristã, baptizado em 1491, e que adoptou o mesmo nome, João.
A partir daí todos os reis do Congo usaram nomes portugueses, até hoje.
Franceses, belgas, etc, usam por vezes um nome indígena, para evitarem ter que explicar que os reis do Congo prezavam a sua ligação a Portugal, e o nome português. Mesmo outras casas dinásticas que governaram o Congo usaram o símbolo das Quinas, como a Casa de Coulo (em francês, inglês Kwilu):
D. Álvaro I, rei do Congo em 1568.

De certa forma, os reis do Congo mantinham um controlo sobre os locais, e dominavam o comércio de escravos. Para evitarem que fossem os seus a serem usados como escravos, fariam guerra às tribos vizinhas, e vendiam os prisioneiros aos negreiros portugueses. 
O problema começou logo com D. João I do Congo, que assim que morreu D. João II, abandonou a religião católica. Os portugueses apostaram na sucessão, e quando este morreu em 1506, provocaram uma guerra cívil, apoiando D. Afonso I, o irmão que iria garantir que o Congo seria sempre católico, e até com embaixador em Roma.
O rei D. Afonso I protestou contra o comércio de escravos, que ia já além do seu controlo, e começava a haver transacção com pessoas livres, vendidas como escravos. Apesar de estar sujeito às "ordenações manuelinas", perante tal lista diz-se que ironizou, perguntando ao embaixador português, Rui de Aguiar:
  • Qual é então a punição por pôr um pé no chão?
Este reino do Congo foi varrido da memória nacional, mesmo que todos os seus reis continuassem a usar nomes portugueses. Os portugueses estavam de certa forma confortáveis com o controlo que Francisco de Almeida propusera na Índia - sempre que o governante começasse a ter ideias próprias, era mudado, por golpe palaciano ou efectiva disputa com irmãos mais obedientes.
Claro que Francisco de Almeida não imaginaria que 500 anos depois Portugal seria sujeito ao mesmo, quando cedesse a sua independência (por exemplo, a Bruxelas, ou ainda antes ao FMI).

Indo directamente ao assunto.
Com o crescimento do Império Alemão, Bismarck começou a fazer birra pelo facto de não estar a calhar nada à Alemanha como potência colonial, e promoveu a Conferência de Berlim (1884-85), que foi especialmente apadrinhada pelo rei Leopoldo II da Bélgica, visando ficar com o Congo, em nome de uma "sociedade internacional", de que por acaso era dono. Da rainha Victoria de Inglaterra, sua prima, Leopoldo recebeu o turista Stanley, muito promovido (ainda hoje), por ter andado a mapear uma África que os portugueses conheciam há séculos...

Nestas coisas, os facínoras movem-se sempre pelo "progresso da humanidade civilizada". 
Usaram ideais anti-racistas, quando queriam efectivamente dominar outras "raças", argumentando que existia escravatura em África, nos territórios islâmicos e sob controlo indígena... o facto desse comércio de escravatura existir umas décadas antes, promovido pelos próprios, não interessava nada.
Não usaram ideais libertadores, porque a contrario iam efectivamente colonizar, isso só seria usado depois da 2ª Guerra Mundial. 
Não usaram ideais de uma cândida verdura, porque iam efectivamente explorar a selva, e porque as agendas do clima, LGBT, etc... eram coisa para ficarem de molho, para cozinhar agora.

No Congo, que Leopoldo tanto queria, havia um problema:

King Kongo, D. Pedro V:

Sejamos claros, nesta conversa toda, que sabemos ser conversa para crianças numa loja de doces, havia um reino que era cristão, que tinha uma história muito mais antiga que a da Bélgica (que nem sequer tinha um século), que nunca se recusara a usar costumes europeus, que não apreciava o uso de escravos, e onde não era propriamente fácil usar de qualquer argumentação LGBT (liberdade, garantia, bonomia, e trabalho), para chegar lá e cortar como se não existisse...

O que é que isso interessou? Nada!
O rei do Congo teve que ficar sob o protectorado português de Angola, e o resto do território, foi para belgas e franceses. 

Portugal estava numa posição complicada, porque se via ameaçado por todos os lados, e só encontrou como aliado a Inglaterra, para evitar que o Congo entrasse por metade de Angola. Depois pagou isso, porque a Inglaterra achou que a ambição de Portugal ligar Angola a Moçambique, era demasiada.

O rio Congo seria um rio internacional, e através dele, Leopoldo teria acesso ao mar.
Leopoldo depois pode explicar os seus ideais progressistas ao reinar sobre o Congo, a escravatura passou a chamar-se trabalho (forçado), e outros requintes de civilização, ou seja, atrocidades, com estimativas que variam entre 1 e 15 milhões de mortos. Vivam os ideais progressistas!

Para percebermos como Portugal é que era uma nação racista, que espezinhava os negros, ao contrário das outras sofisticadas e progressistas nações europeias, veja-se esta pequena diferença, em que Rafael Bordalo Pinheiro apresenta a rainha do Congo, D. Amália, dando um sermão ao emissário que a iria representar na conferência:


Bordalo Pinheiro, que dedica uma série de números ao assunto, comenta:
  • A rainha do Congo, D. Amalia, que é incontestavelmente a pessoa mais interessada na questão que se está discutindo na conferencia de Berlm, acaba de investir de poderes de accessor pratico em aquela conferencia ao popular Zé Augusto que vae encarregado de pregar sobre a morte do Congo o mesmo sermão de lagrimas que costuma pregar por occasião do enterro do bacalhau.
Irei dedicar mais uns números a este assunto, porque isto tem pano para mangas...

Por isso, quando ouvimos a malta da nossa praça falar de "racismo" em Portugal, convém fazer notar que os únicos a invocar a questão racial são na esmagadora maioria auto-denominados "anti-racistas".
Também nenhum careca gosta de ser chamado "careca", e não é por isso que vou classificar comentários como carequistas, ou fazer a apologia do anti-carequismo
A maioria dos "anti-racistas" são brancos que querem chamar "pretos" a quem não pertencer ao seu clube de ignorantes. Ou seja, querem ser racistas à sua maneira. Como a maioria, estão-se totalmente a borrifar para os negros, mas usam esse pretexto para censurar pessoas e opiniões, como qualquer inquisidor medieval.
Na quase totalidade, desconhecem os contornos manipulatórios onde são usados como marionetas.
Já agora, quero ver aparecer o primeiro anti-racista militante, que mencionou, ou sequer conhecia os reis do Congo com nome português.
Haja paciência, porque falta paciência para tanta estupidez militante...