sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Cangurus e cãs dos gurus

O José Manuel fez o favor de enviar um link do jornal Público (16/1/2014):


Não aceitar que a Austrália estivesse descoberta ao tempo da chegada dos portugueses a Timor, em 1514, é a maior prova do controlo global que se exerceu sobre o conhecimento até aos dias de hoje.
Ilibar responsabilidades portuguesas é difícil, pois D. Manuel não se assumia vassalo de ninguém, aliás usava o epíteto imperial de César.

A maioria das pessoas não liga ao assunto, considerando-o um facto menor, quando é o facto mais claro do poder absoluto que se gerou sobre a divulgação e a educação a um nível global nos últimos 500 anos

Sim, já fez este ano 500 anos sobre o registo documental dessa chegada, conforme se pode ler (wikipedia)
A primeira fonte documental europeia conhecida que refere a ilha é uma carta de Rui de Brito Patalim a Manuel I de Portugal, datada de 6 de janeiro de 1514, na qual são mencionados navios que tinham partido para Timor. 
McINTYRE, Kenneth Gordon. The secret discovery of Australia... 1977. p. 69.
A situação é tanto mais caricata quando confrontamos em mapa a evolução das descobertas:

Como é óbvio, os laranjinhas holandeses fizeram a mesma ocultação, de forma ainda mais caricata, reduzindo o território por descobrir a uma zona bem definida.
Não há quaisquer limites naturais que impedissem as viagens, como é óbvio... só limites da inteligência.

O ridículo é tanto maior quando se tenta traçar a linha divisória entre o conhecido e o desconhecido... a fronteira do desconhecido bate na linha de costa australiana, e portanto a terra só era desconhecida por ser conhecida. Proibição superior, e nada mais!

Quem obedeceu a esta proibição?
Pelo menos, o poder português, espanhol, holandês, e finalmente inglês.
É claro que, tal como a América, era um mero segredo de Polichinelo para quem ali viajava, ou para quem tinha posição influente nas cortes europeias e no meio eclesiástico da Igreja Católica.

No entanto, e dado que estamos a recuperar a história desde outros tempos e influências, parece-nos claro que a proibição australiana era ainda muito mais antiga.
Porquê?
Porque não encontramos vestígios de templos hindús, ou até de influência islâmica. Algo especialmente estranho, dada a proximidade com Java e Bali, onde abundam esses vestígios.
Podem ter os ingleses apagado os últimos vestígios, destruindo os últimos restos de presenças anteriores?
Não são relatados pelos aborígenes, australianos, ou será que havia efectivamente essa proibição antiga?

A lista complica-se bastante, porque temos que juntar hindús, árabes... e certamente chineses, que não deixariam de navegar, tal como o fizeram até Madagáscar.

Os Gurus indianos desconheciam? O Kublai Khan de Marco Polo também?
Só os Khan-Gurus é que reservam esse conhecimento.

Chegamos assim às Caldas da Rainha, das ca...vacas, algo muito sagrado para hindús.
Carvalho, Catarina, era o nome da religiosa que aí viveria, de acordo com a notícia, e que tinha o livro de orações com o "canguru"... cuja datação é colocada entre 1580 e 1620. Estava em posse portuguesa, mas só fica "público" quando é vendido a uma galeria de Nova Iorque. 
As Caldas estão muito ligadas à Rainha D. Leonor, e por consequência a D. João II, por isso seria um local dado a algum conhecimento privado à época dos descobrimentos.

Já tínhamos aqui falado noutro canguru, como Prova, que aparecia no mapa do Museu da Marinha, e que seria um mapa-mundi à altura d'El Rei D. Sebastião... que recordamos:
Porém sabemos que "provas" são folclore que lembrará a Canção de Lisboa.
Estas costas australianas não assentam, e o que interessa à população é entretê-la com outros contos, que evitam esta prova.

Informação adicional:

Todos os anos mencionamos o assunto... mas deixemos os cangurus, ou as grisalhas cãs dos gurus. 
A informação verdadeira relevante aparecerá naturalmente, a outra ficará na ilusão, nos ilusos, e lusos ou não.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Estória alternativa (3)

Uma tentação natural seria centrar a história em torno do nosso cantinho português ou ibérico.
Evito ao máximo fazer isso, ainda que possa parecer que não... 
Simplesmente não posso ignorar o que sei, e tudo apontou para um problema aqui.
A princípio fui certamente levado por algum centralismo patriota, dada a recusa estrangeira em assumir os feitos nacionais. Porém, rapidamente tentei abranger o problema maior, procurando influências noutros lados para o problema global de ocultação. 
A coisa porém assumiu outras proporções quando comecei a deparar com as demasiadas coincidências línguisticas. Aí já era difícil pensar que o português era uma língua como outra qualquer... não é! Tem demasiada informação encriptada para se poder achar que é mero acidente de percurso.
É claro que há a ligação ao latim e grego, mas é apenas ligação, não é descendência... e é claro que as penínsulas ibérica, itálica e grega, definiram grande parte da história que temos. Focamos só aqui o lado europeu, que acabou por se impor globalmente... justamente após a expansão portuguesa.

Bom, tínhamos ficado na Guerra de Tróia, e relendo agora a Ilíada ou a Odisseia poderia juntar muitas outras observações, mas não nos vamos perder em detalhes. Se a hipótese for correcta, as coisas vão-se ajustar naturalmente, se não for, será a estória que é.

Ó disse eu, U lesses
Odisseus, na versão latina Ulisses, depois da Guerra de Tróia perdeu-se certamente que não pelo sobejamente conhecido Mediterrâneo, mas pelo Atlântico, dada a tradição que o liga a Lisboa, a Ulissipo, onde teria desposado Calipso (Calipo foi nome do rio Sado). Os gregos descobririam assim um mundo atlântico, além das Colunas, que lhes estava antes vedado. Menelau teria circumnavegado a África, de acordo com a mesma tradição.
Por outro lado, os romanos, com Virgilio, colocaram um Eneias como herdeiro de Troia, deambulando nos braços de Dido, primeira rainha de Cartago, antes de partir para a fundação de Roma.

Eneias e Dido

Vemos facilmente como há cronologias quase inconciliáveis e mitos concorrentes. Roma teria supostamente origem com Remo e Rómulo, apenas c. 750 a.C., ou seja quase um milénio depois da reportada queda de Tróia, e da consequente fuga de Eneias, para e dos, braços de Dido. 
Porém, antes de Roma e Cartago disputarem a hegemonia, houve Tarsis, na Tartéssia ibérica.
Schwennhagen dá-lhe o relevo de grande potência marítima controlando a entrada mediterrânica, e sugere que teriam sido os tartéssios a apoiar os fenícios e depois os hebreus. O tártaro era o inferno grego, que foi depois colocado na Cítia.

É indiscutível a presença fenícia, e depois cartaginesa, na Ibéria. Se Schwennhagen deu relevo ao "Car" em Cartago, podemos também salientar o "Tago", nome antigo do Tejo. Podemos ver assim uma Dido de Cartago em paragens semelhantes às de Calipso que reteve Ulisses, tal como Dido reteve Eneias.
Claro que os tempos mudam, e a Cartago deixou de ser a outrora Ulissipo.

Galo e Fenix
Os fenícios definiram uma Ur, uma Tur, dita Tiro, na costa libanesa.
Nessa altura, para além de tartéssios, habitariam a costa portuguesa os Turdulos velhos, e não deixamos de reparar no fonema "Tur". Podemos pensar numa manifestação do domínio fenício, mas seguindo Schwennhagen, será mais natural ver o contrário. Até porque na costa portuguesa havia ainda os Venetos, ou Venécios, que da Gália até à zona Etrusca definiram uma influência naval que se mantinha à época romana... antes de serem finalmente derrotados na Bretanha. Essa seria origem da grande influência naval que passou para Veneza. Os Venécios talvez se tenham confundido com os Turdulos, e depois com os Fenícios... todos os nomes remetem para origem comum, renascida dos galos troianos.

O legado de Tróia, ao contrário do que os romanos pretenderam, dar-se-ia antes com os fenícios. Estes seriam resultado da estabilização dos Povos do Mar em paragens libanesas. Estes povos do mar vinham de mais longe, provavelmente de colónias hispanicas/troianas na América, e quando depararam com o entreposto ibérico destruído, irromperam pelo Mediterrâneo. 
O próprio poder egípcio teria mudado quando surge Akenaton... é tempo dos crânios alongados, tradição que se poderá remeter a paragens americanas. Talvez, como sugere Schwennhagen, o culto monoteísta de Car tenha florescido no Brasil. Afinal é Akenaton que irá iniciar esse culto monoteísta egípcio de Rá, que é rapidamente anulado, ao tempo de Tutankamon.
Akenaton e a esposa Nefertiti

O embate entre a tendência monoteísta e politeísta permanecerá entre os descendentes americanos de Car, dos magos caldeus, e o domínio sacerdotal politeísta dos magos arianos do Cáucaso, ligados aos hindús e medos.
A figura de Car parece desempenhar papel similar à de Zoroastro, e o embate entre as monarquias será favorável aos caldeus, aquando da ascenção de Ciro e a definição de um grande império Aqueménida persa. 
Porém, antes disso, perante a derrota do monoteísmo, parece haver uma tentativa de dar sequência à visão monoteísta com Moisés e com os hebreus, escravizados no Egipto, logo depois do fim de Akenaton. 
Parecem definir-se assim três grandes poderes... o dominante sacerdotal ariano, com os grandes impérios - medos, egípcios, babilónios, essencialmente politeísta. Outro poder sacerdotal, caldeu, descendente de Car, com influência até à América, e finalmente os antecessores fenícios - venécios e tartéssios, mais pragmáticos nas questões religiosas, herdeiros dos galos e da plebe atlante.

É neste enquadramento que depois se daria a colaboração entre fenícios e hebreus através de Tarsis, conforme refere Schwennhagen. Será mais frutuosa no tempo de Salomão e Hirão, onde as coisas parecem correr bem, e a influência dos magos arianos ter sido reduzida, a ponto do comércio fenício florescer com as paragens americanas, alargando-se pelos hebreus às paragens orientais até à Sião tailandesa.
É o tempo de Sião, que será sempre chorada pelos hebreus...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Estória alternativa (2)

A ideia principal nesta estorieta é objectivar um nexo ao longo dos tempos. Para uma história que descreve acontecimentos mas que não os enquadra, que faz parecer tudo fruto de acasos avulsos, para esse efeito já temos a história habitual, como uma imensa manta de retalhos... em que uns povos são diferentes porque sim, e outros são semelhantes porque sim. Uns têm os olhos em bico, outros não têm, uns fizeram civilizações outros não... constata-se, mas não há sequer tentativa de enquadrar.

Há uma grande uniformização fisionómica a oriente que só me parece explicável por um ascendente quase único, mas circunscrito a essas paragens. A recessividade genética tem tendência a sobrepor certas características, mas isso teria levado a uma população global muito mais parecida com a indiana do que com a chinesa, europeia ou africana. O maior vestígio duma mistura natural num contacto de culturas será o indiano, e a partir daí começou a impor-se alguma separação racial... as castas terão sido o primeiro sinal dessa ordem.

De luva e lava
O dilúvio reportado terá sido o segundo no registo dos magos. Teriam sobrevivido nas partes altas das ilhas da Oceania pela primeira vez, e daí definido o seu poder local, depois migrado para a Índia e China. A palavra "dilúvio" tem no "luv" uma derivação latina do "lav" de lavar... e a lava não é só de água, é também de vulcões. Fenómenos que lavaram registos humanos como uma luva.

Na parte grega do mito diluviano encontramos um Licaão da Arcádia, que pelo seu sacrifício de crianças é transformado em lobo por Zeus, e os licantropos seriam varridos pelo dilúvio... 
Se os pelasgos da Arcádia eram condenados com Licaão, ao mesmo tempo, pelo lado de Atenas encontramos Cécrope, figura mítica metade homem - metade peixe, que é incumbido de ensinar aos gregos a leitura, a escrita, e até sepultar os mortos. Cécrope tem um aspecto capricórnio, tal como será apresentado em Matsya, o avatar de Visnu que salva Manu.
Zeus condena Licaão e a Arcádia... 
os licantropos sobreviventes seriam vistos como lobisomens.

O mito grego é completado com Deucalião, filho de Prometeu, sobrinho de Atlas, que também sobreviverá ao dilúvio no monte Parnaso, em conjunto com a mulher Pirra. Prometeu e Atlas fazem parte dos titãs condenados por Zeus, vencedor da Titanomaquia contra Cronos. Atlas ficará sempre ligado às paragens ocidentais, dando o nome às montanhas mauritanas, ao próprio oceano, e por associação aos atlantes. 

Houve um caminho que se fez entre o imaginário e o real. Quanto mais racional se tornou a humanidade, menos espaço houve para um acordar em mundos fantasiosos. O poder da ilusão pode ser imposto quando não há um substrato racional para o questionar. Esse era o mundo ideal da magia, que se impunha naturalmente, como convite a uma miragem da realidade. Havendo predisposição para isso, esse era um mundo em que magos podiam condicionar exércitos, e escrever outra realidade.
Quando os homens deixaram de ser tão sugestionáveis pelos espíritos, e pragmaticamente começaram a erigir fundações do seu conhecimento, esse mundo mágico começou a ficar condicionado pela racionalidade. Por isso os espíritos dos deuses-magos sempre procuraram condicionar os progressos mais racionais, e promover dedicação à sua causa, onde não haveria restrições físicas-matemáticas.

Os atlantes ao procurarem maior conhecimento despertaram a racionalidade humana para um patamar que exigiria um outro controlo, para além da mera ilusão xamã. Atlas terá que aguentar esse novo mundo, um mundo de homens despertados pelo fogo de Prometeu, mas ameaçado pelas contradições que Zeus fez questão de trazer, pela oferta de Pandora. O desejo e curiosidade incessante, o mesmo que é oferecido pela serpente a Eva, e que retira os homens da sua inocência primitiva.
A invocação do mito grego foi aqui trazida na continuação do argumento do texto anterior. Um novo poder divinal de magos iria instalar-se sobre paragens caucasianas, recuperando povos que estavam condicionados a uma informação quase infantil, órfãos constantes do passado. A evolução desses povos seria usada para contrabalançar restos de população rebelde, atlante, perdida em ilhas... os Pelasgos, expulsos da Arcádia, pintados como lobisomens. 

Hércules
Pelo lado do panteão dos magos-deuses iriam definir-se então impérios servidores... sumérios, egípcios, gregos. Por esse lado se contará a história habitual, e é preciso perceber no que faltava a história restante. Se houve uma cultura primitiva desenvolvida na arte rupestre pelo lado europeu, onde estaria ela por essa altura? Não eram as planícies ibéricas, italianas, francesas, suficientemente atractivas para gerar civilizações? Por que razão se circunscreviam então as civilizações naquelas paragens próximas do Cáucaso, da Ásia Menor? As montanhas gregas ou turcas favoreciam a agricultura? As zonas áridas do Crescente Fértil não eram áridas? Então e o que dizer da zona norte de África, magrebina? Parava a influência egípcia no Nilo, nada havia a ocidente?

Bom, a ocidente haveria então a influência restante da população atlante esquecida. Alguma estabelecer-se-ia na Mauritânia, e nos antigos geógrafos greco-romanos ainda encontramos a referência "Atlantes" para os povos que viviam nessa parte do norte de África. 
Conforme observámos no texto "Grota do Medo", o Rei Hiempsal tinha o relato da expedição de Hércules à Hispania. Um exército de Arménios, Persas, Medos e outras nações... tipicamente da região caucasiana, provavelmente enviado para terminar com um novo poder que se estabelecia na Ibéria.

Schwennhagen dá importância ao domínio dos Geriões sobre a Ibéria, que teria quebrado a dinastia atlante. Os Geriões são remetidos à Ilha Eritreia e à capital Carteia... Muito provavelmente, em tempos de maior nível de água, a ilha Eritreia, contígua à península seria o Algarve, e Carteia é um nome antigo de Quarteira. 
Hércules contra os Geriões (dito melhor, "Guerriões"?)

A figura de Gerião, confunde-se com os filhos Geriões, e colide com a de Hércules. Um dos trabalhos seria roubar os Touros de Gerião... mas por outro lado, Hércules é visto como aniquilador do despotismo de Gerião, sendo depois vítima dos seus três filhos... que foram vistos como um monstro de 3 cabeças. Todo o contexto do mito, da história, depende do lado em que se coloca o contador. Os Geriões chegaram a ser vistos como libertadores da Ibéria... e nesse caso o invasor seria Hércules. Ora, isso embate contra a fama popular do herói grego (líbio ou egípcio), que emprestava o seu nome a quase todos os monumentos ibéricos, conforme criticava André de Resende.

A entrada de Hércules marca um período em que a revolta da restante população atlante foi esmagada pelo envio de um exército enviado pelos deuses-magos após a abertura do Mediterrâneo à navegação. As Colunas de Hércules marcariam a imposição desse domínio, e a proibição dos mediterrânicos a contactos para além daquele ponto. Após as colunas foi definido um Mar Eritreu, vermelho, como limite às navegações mediterrânicas.

O exército de Hércules após a sua morte acaba expulso, e segundo Hiempsal os persas, medos e arménios acabam por ficar do lado africano, sem qualquer simpatia dos hispanicos. É de considerar que apesar da derrota, os hispânicos tivessem acolhido bem Hércules e algum eventual acordo de paz, que os circunscreveria ao lado atlântico para navegações. Os deuses-magos exerceriam o seu poder sobre o lado mediterrânico e oriental até à Índia. As Colunas selariam esse limite... durante algum tempo, para obter as maçãs de ouro hespérides, Hércules aguentou com o equilíbrio do mundo, em substituição de Atlas. O acordo que passava do vermelho ao laranja, com maçãs douradas, seria esse... um fornecimento de ouro hispânico, que tornou o Tejo famoso na Antiguidade. 
Carregamentos que eram enviados para a Ásia Menor, para a Lycia, Lidia, Frigia... e que deram origem aos mitos de Midas e Creonte. Nem seria claro que fosse o Tejo a origem do ouro. Possivelmente poderia ser trazido doutras paragens, até americanas, e ali reunido para remessa posterior.
O "Velo de Ouro", missão dos Argonautas e Jasão na Cólquida caucasiana, verificaria o mundo restante após o prejuízo diluviano, circunscrevendo a grande ilha europeia. A Cólquida caucasiana simbolizaria a vontade de velar pelo ouro presente noutras paragens.

Car
Schwennhagen dá especial relevância à Cária, região vizinha da Lycia e Lidia, e ao seu fundador Car, um nome cabal, associado aos Cários e à capital Halicarnasso ("jardim sagrado de Car"). Citando-o:
Na época de 1800 a 1700 a.C. saiu da Caldeia, como emissário da Ordem dos Magos, o progenitor, respectivamente organizador e legislador dos povos cários, chamado K.A.R. Esse nome é uma forma cabalística cujo significado pertencia aos segredos da Ordem.
Depois prossegue, estabelecendo uma vasta ligação entre os Cários e os Tupis brasileiros. Car seria o precursor de uma religião monoteísta centrada em PAN ("senhor do universo"), os tupis chamavam-lhe TuPan, que se encontra também em Moisés com Jeová, ou até no faraó egípcio Akenaton, com o seu culto ao sol Rá.
Schwennagen dá exemplos de múltiplas palavras que usam Car, passando pelo feminino Caeres que daria Ceres (divindade similar a Cíbele, Gaia), e ainda das Cariátides, filhas de Car. Outras atribuições vão do fenício Cartago ao egípcio Carnac... mas também ao tupi Carioca, e até ao coloquial brasileiro "cara"! 
Portanto, se às vezes parece que exagero nas associações, basta olhar para outros autores para ver que até me contenho bastante nas simples especulações. Segundo ele, PIA era outra palavra dos magos para compreender a religião, e AGA era um servidor divino... assim, "carpia" pode ser relacionado com carpir - está correcto, e quanto a "caraga"? Bom, é só uma linha de exploração evidente. Nem estou só a brincar, porque estas coisas têm um lado "caricato", anedótico - mas também já vimos outras "piadas", e que os Anedotos eram afinal os poderosos Anunaki dos sumérios.

Esta associação de Schwennagen é importante porque mostra como o poder dos deuses-magos estava interessado também em consolidar-se nas paragens americanas, evitando a forma subsidiária dos hispanicos. Schwennhagen considera que a ligação ibérica era feita através de Tarsis e dos tartéssios, ligando logo aos fenícios e ao acordo entre Hirão e Salomão. Porém, creio que é preciso recuar um pouco mais, e falar de Tróia.

Tróia
Os barretes frígios foram vistos como um símbolo de liberdade, e Heródoto remete a origem dos frígios para a Europa. Aliás, os Países Baixos foram identificados com a Frísia, nome algo semelhante, tal como é semelhante o nome dos Lusos relativamente à Lycia (Lucia), lembrando que se escreveu Lysitania.
Pode ter acontecido que depois do embate herculeano, as populações atlânticas tenham recuperado lentamente, e constituído uma confederação de "galos", talvez melhor ilustrada pela presença da cerâmica campaniforme em toda a Europa. Conforme já referimos, esta seria a origem comum do nome da Galiza, da Gália, de Gales, da Galécia ucraniana, e depois da Galácia, na Ásia Menor. Toda esta região seria então navegável, e este ponto comum seria a base de uma cultura celta que ia buscar o seu passado anterior à invasão ariana. O seu porto principal seria, pois, um porto-galo, nos limites anteriores às colunas de Hércules, numa certa Tróia. 
Haveria uma correspondente Tróia na Ásia Menor, onde desembarcaria o ouro devido aos magos, pelo acordo de paz. O mais natural é que as cidades da Ásia Menor ficassem efectivamente com a riqueza explorada às colónias europeias.
Isso até ao ponto de ruptura, em que há uma tentativa de sublevação da colónia europeia de Tróia. Será o pretexto para a Guerra de Tróia, onde mais uma vez os gregos são encarregues pelos deuses de restabelecer a sua ordem em paragens afastadas. Conforme assinala Schwennhagen, o "Aga" em Agamemnon revelaria esse servidor dos deuses.
Ou seja, a Tróia turca existiria, seria destruída, mas o que demorou dez anos de guerra, e a odisseia de Ulisses seria uma outra Tróia remota, muito provavelmente em paragens ibéricas que acolhessem o ouro do Tejo e das várias minas alentejanas.
O desfecho é conhecido... Tróia cai, mas também se segue um período que ficou conhecido pela invasão dos "povos do mar". Estes povos do mar, vistos como piratas, seriam resultado do fim da estrutura social dos galos troianos... ficando por sua conta, atacariam o Mediterrâneo de forma caótica. Roma reclamará a herança troiana, mas antes disso os galos vão despertar como uma fénix que iria criar a Fenícia por via dos Venécios ou Venetos, que também seriam antecessores etruscos.
Este período é já colocado num tempo próximo... por volta de 1500 a.C.

(datação)
Temos evitado falar de datas porque não me parece haver nenhuma história plausível por mais do que 10 ou 20 mil anos, desde que o homem não é macaco! Falar de histórias com 100 mil anos ou até milhões de anos é simplesmente não pensar na actividade humana. Ninguém fica dezenas de milhar de anos a pintar grutas e a ver o tempo passar. Por isso, por estranho que pareça, a datação religiosa parece ser mais plausível, concatenando o despertar humano nuns simples 6000 anos... De resto parecem haver simplificações lineares de hipóteses nas datações científicas. Os ciclos não tiveram que ser sempre iguais, e a datação lunar precedeu a datação solar, o que multiplica anos por mais de 12 em registos de outras épocas... ou até por mais, se o ciclo lunar nem sempre fosse constante como hoje.
Ao contrário do ciclo lunar, que é evidente pelas fases da Lua, o ciclo solar só se deve ter tornado evidente com a agricultura numa época pós-glacial, em que as estações se ligavam directamente com as colheitas.

Aliás é de considerar que tenha sido uma perturbação orbital no sistema Terra-Lua, por algum embate violento de asteróide, que pode ter originado forças de marés semelhantes a dilúvios. Alterações climáticas e geológicas súbitas podem comprometer as hipóteses dos sistemas de datação simplificados, que normalmente ignoram "catástrofes", apesar de algumas delas estarem bem claras nos registos fósseis.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Estória alternativa (1)

Conforme referi no "ponto de situação" é tempo de embarcar por uma estória da história.
Alguém me fez notar que não é acidental não termos duas palavras e assim não distinguimos uma história contada da História passada. Talvez sempre se tivesse achado que tudo eram apenas "histórias", com importância relativa e não absoluta... como se a verdade fosse sempre impossível de escrutinar. 
Portanto, contamos aqui uma história ou estória, e nada mais que isso.

De Gelo ao Degelo.
Vamos retomar então o contexto no momento em que os invasores indo-europeus chegam à Europa.
Nessa altura haveria neandertais ou descendentes, que ligamos às primeiras pinturas rupestres. Já teriam tido contacto com outros sapiens, mas não com os arianos. Esse contacto seria talvez competitivo, mas não agressivo... Provavelmente a civilização desenvolvia-se em torno de pequenas aldeias-tribo, sem maior necessidade de contacto que o da vizinhança no tradicional território de caça. Haveria populações de grande estatura, quase gigantes, especialmente na zona da Bósnia-Croácia, mas também não seriam hostis... seriam depois forçados a migrar para paragens escandinavas.

A chegada dos invasores Oceânicos à Índia teria introduzido o sistema de castas, e ao fim de poucos milénios a estrutura social teria sido implementada com uma hierarquização brutal. Os invadidos eram tratados como escravos, isso não teria novidade, mas a própria hierarquia teria produzido novos estratos entre os invasores. Essa sociedade seria mais brutal do que sofisticada... mais sacrificial, ao género Azteca, mas sem a monumentalidade associada.
Para evitar o conflito interno iria ocorrer nova migração, sob a forma de força invasora na rota do ocidente. O oriente já teria ensinado que o desfecho de conflitos internos levaria praticamente a uma auto-destruição, de onde restariam apenas um ou dois clãs. Esses clãs teriam praticamente refeito do zero a população asiática, nas vertentes siberianas e chinesas. Para evitar o mesmo desfecho, a elite ariana seria impelida a uma invasão ocidental.
Começariam por ser mais agressivos com os povos mesopotâmicos, visando também uma entrada em África. Porém, a paisagem africana não se adequaria a aventuras invasoras. Os conflitos anteriores em África já teriam definido uma população esquiva, com tradições comuns às da própria Nova Guiné. Ninguém invade uma selva, a menos que se queira estabelecer como colono agricultor. As intenções dessa elite indo-europeia seriam outras... visariam replicar o sistema hierárquico nas paragens ocidentais.

Nesta altura a zona habitável seria reduzida. Latitudes acima do paralelo 45º seriam pouco convidativas. O início do degelo abriria novas paisagens, novas passagens, e seria por aí que avançaria a população indo-europeia ariana, evitando o contacto com uma população mediterrânica, mais avisada pelos embates na zona persa-mesopotâmica.
Seria então no avanço pela Europa central que se consolidaria o domínio indo-europeu e a invasão para ocidente, ficando o enorme lago mediterrânico cercado a norte.
O embate traria novidades para a comunidade indo-europeia, e essas inovações apareceriam em todo o continente euro-asiático.
Subitamente, para além da maior agressividade indo-europeia, ariana, uma nova componente mais criativa, resultante do embate com os místicos pintores rupestres iria catapultar a civilização.

Nesta história, haverá um fundador inicial, um Brama (Vrama), que pode ligar-se a Urano, na posterior tradição grega. A ideia de ter 10 Prajapati (... ou "praia-p'a-ti") que o aliviariam da regência do mundo... mas se os Vedas significam "conhecimento", também sabemos que "veda" é para vedar um conhecimento (que não se "chiba"). 
De qualquer forma percebe-se que actividades principais seriam medicina, música-dança, e uma arte militar muito ligada ao conjunto arco-flecha (dhanur-veda). Seria ainda a "onda" da Oceania, mais especificamente uma onda de Java... ilha de onde teriam emigrado os invasores indo-europeus.
Eventualmente a sequência poderá parecer parva, mas "parva" é também uma palavra hindu para livro.

Templo a Trimurti - a trindade «Brama, Visnu, Chiva» (Prambanan, Java, Indonesia)

Com a saída da Índia dá-se uma divisão principal, que se nota não só na diferença dos haplogrupos R1a (India e Europa-oriental) e R1b (Europa-ocidental), mas também na diferença linguística... sendo coincidentes na forma geográfica de forma surpreendente.
Centum vs. Satem - diferença da raiz da palavra 100 nas línguas indo-europeias.
O mapa coincide com a diferença entre R1a e R1b (as múmias Tocharian em Tarim eram R1b)

No lado ocidental terá havido mais uma confluência de culturas, já que o que restaria da herança neandertal seria europeu, mas separado de outras populações mediterrânicas. O estabelecimento dos arianos pode ter sido feito com alguns e contra os restantes. A língua base seria a dos indo-europeus forçados a migrar, mas talvez se tivesse mantido uma língua original (basca), dos invadidos. Essa distinção seria depois usada como factor elitista no novo poder que se iria consolidar. Das encostas dos Himalaias, onde dominavam a Índia, a nova migração usaria as encostas dos Pirinéus para definir um novo poder... atlântico, atlante.

Esta será uma época de transição de gelo para degelo, e uma época de primeiras navegações... as navegações atlantes, que vão chegar à América, em particular ao Canadá, onde há um registo R1b antigo (curiosamente existe na India uma linguagem chamada Kannada).
Esses atlantes americanos encontram também na América as populações que teriam migrado da Oceania pela orla do Pacífico, e que seriam os ascendentes da maioria da população índia americana.
Estes atlantes iriam sair da sua base nos Pirinéus e definir cidades chave na costa atlântica... talvez as sete cidades. Controlariam o vasto território ocidental, tendo praticamente perdido o contacto com a civilização indiana e ariana... excepto ao nível mais elevado, da casta sacerdotal dos magos. 
Detinham um certo avanço tecnológico, especialmente marítimo, mas também ao nível dos artefactos, nomeadamente com o metal. Esse conhecimento era ainda mágico, ou seja dos magos, da classe sacerdotal, e não estaria difundido na população. 
Durante os milénios seguintes, até à fase crítica do degelo, iriam demonstrar a sua superioridade como deuses. Por vezes entrariam como cavaleiros que passavam por centauros, doutras vezes apareceriam no seu baile de máscaras como mistura divina homem-animal. Os povos mediterrânicos, que antes tinham evitado, passavam a ser usados como crianças órfãs, para passatempo em jogos divinais, e o objectivo principal seria mantê-los ignotos.

O Dilúvio
Uma hipótese que me parece interessante, e que levaria à queda parcial do poder atlante, seria a ameaça progressiva da subida das águas. A certa altura tal subida poderá ter sido mais abrupta, devastadora, levando ao colapso das principais cidades costeiras, onde os atlantes definiam o seu poder.
Até onde subiriam as águas?
Também na Índia encontramos um registo semelhante ao de Noé, com um sobrevivente humano... Manu, em conjunto com "sete sábios"...
Matsya - avatar peixe de Vishnu - salva o homem Manu e os sete sábios

Tal aumento marítimo deveria ter conduzido a um colapso social dessa sociedade atlante.
Os sete sábios atlantes teriam que tentar a sua sorte com outros povos para definir nova mão-de-obra operacional... os restantes atlantes entrariam em revolta, num caos social que demoraria a estabilizar, e que já não seria cooperativo com o poder xamã, dos magos, dos sábios, dos sacerdotes.
O reínicio dos magos pode ter sido feito de novo com a ajuda de um poder centralizado nos Himalaias.
Pelo lado ocidental seria consolidado na zona turca do Cáucaso, preparando-se no monte Ararat uma embarcação colossal para uma eventual subida dramática das águas.
Essa seria a ligação ao mito da "arca de Noé".
O estabelecimento de nomes como Ibéria e Albânia traduziria essa ligação às penínsulas ibérica e itálica, perdidas... não tanto pelo risco de submersão, mas mais pelo risco de subversão. 
Os magos tinham perdido o seu poder na parte atlântica.
Por sua vez, a Cólquida deveria referir as paisagens perdidas por submersão no lado americano, muito provavelmente na zona da Terra Nova e também das Caraíbas.

É tempo de reconstruir a sociedade mágica, e os magos vão precisar de reeducar as tribos incipientes que antes amedrontavam e exploravam. É tempo de fazer nascer impérios e culturas no médio-oriente. Começa aqui o tempo da história contada, não sem antes fazer desaparecer o que restava da história pelo lado ocidental. Com a ajuda dos magos exilados, feitos deuses, é tempo dos gregos derrotarem as populações atlantes, fragilizadas, que se refaziam do colapso social. Este seria o orgulho grego que os sacerdotes de Heliópolis contariam a Sólon. 

Porém, essa restante sociedade ocidental atlante, quebrada pela subida de águas e pela manipulação dos magos sobreviventes, emigrados em paragens caucasianas, tentaria recompor-se de novo, várias vezes.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ponto de situação

Até aqui tenho basicamente colocado informações sobre as quais tenho informação considerável.
A informação fica solta, e fiz várias tentativas de prosseguir colando a diversa informação... porém, o problema acaba por ser escolher uma das múltiplas vias.
Se damos mais valor ao registo mítico acabamos por versões demasiado especulativas, com pouca base na informação disponível. Se nos deixamos ficar pelo material mais fiável, paramos... mas não é por isso que deixam de se colocar várias hipóteses que fazem sentido.

Em concreto, podemos seguir a linha de Ludwig Schwennahagen, que me parece ser quem melhor procurou compilar a informação antiga. No entanto, fazer aparecer uma Atlântida do nada, como faz Schwennagen, não me satisfaz, porque deixa tantas ou mais perguntas. Tem a vantagem de acompanhar o registo bíblico das viagens de Salomão...

Surgiu uma hipótese que estou a considerar, mas faltam-me muitos dados ainda para a tornar mais sólida.
Em poucas palavras, a ideia seria que o propalado "Império Atlante" não saiu do nada... foi resultado uma evolução migratória que começou noutras ilhas remotas, a oriente, na Oceania, e marchou como uma invasão imparável, com duas vertentes coordenadas. A vertente oriental que se consolidou na China, e uma vertente ocidental que se consolidou na Índia e depois no Atlântico, dando origem à ligação indo-europeia. A Índia poderá ter servido de charneira na ligação entre estes dois pólos geográficos, que depois se autonomizaram consideravelmente.

Na Idade do Gelo ter-se-ia consolidado uma vertente ocidental, europeia, que teria acolhido o ímpeto agressivo dos invasores indo-europeus, incorporando o registo místico dos pintores rupestres. Aceitar um espasmo artístico cavernoso sem outra continuidade parece-nos redutor.
Essa incorporação definiria um poder completamente diferente. À componente secreta do poder sacerdotal dos invasores acrescia um misticismo mágico dos invadidos. O ilusionismo poderia adquirir estatuto de pragmatismo no poder. As elites iriam manipular e jogar com a ignorância dos povos.
À distância ficavam os restantes povos mediterrânicos e africanos, de outra ascendência, condicionados por manobras de bastidores. Essa nova elite actuaria sem se revelar, condicionando tribos, fabricando mitos e deuses. Se apareciam montados em cavalos, eram centauros que roubavam mulheres gregas, e disfarçados numa mistura animal-humana podiam aparecer como deuses de vários panteões.
Esses "atlânticos" só entrariam no Mediterrâneo, um lago na Idade do Gelo, pelo estabelecimento em ilhas chave... esse espaço serviria de recreio para essa "elite atlântica", autênticos deuses que presidiriam à construção e destruição de impérios.
Ainda na Idade do Gelo, o poder atlântico consolidar-se-ia pelo estabelecimento próximo, numa Europa Atlântica que ligaria à Mauritânia, mas também pelo estabelecimento distante... em paragens idílicas, em Hespérides, na zona das Caraíbas, e em outras paragens americanas. Essa seria a parte que mais sofreria com o degelo posterior.

É natural que o crescente aumento do nível das águas determinasse uma instabilidade social, e um eventual colapso hierárquico nessa estrutura "atlântica". O império pode ter colapsado pela base, separando a elite atlântica da maioria da população europeia, desagregada da sua antiga estrutura de poder...
Esta hipótese serve para justificar o aparente retrocesso civilizacional da população europeia, que se viu forçada a uma reconstrução social, tendo provavelmente criado os primeiros ensaios tribais republicanos.
A plebe atlante estaria sujeita ao ataque das estruturas civilizacionais mediterrânicas, apadrinhadas pelo imperialismo duma elite sacerdotal remanescente, mas ausente.

Surge agora a "novidade", que é uma simples conjectura, até reúna outras evidências. 
Podemos especular que, perante o avanço do degelo, a "migração de Noé" para o Cáucaso tenha sido mais uma organizada navegação lacustre, com o objectivo de estabelecer na Ásia Menor uma reedição das paragens atlânticas que iam ficando submersas pelo avanço dessas águas. Em desespero de causa, talvez os partidários de Noé tenham mesmo pensado em fazer uma enorme arca no topo do monte Ararat, último refúgio, caso tudo o resto falhasse. Quando dizemos isto, apontamos para a reprodução de nomes na península turca, e em particular para a existência de uma Ibéria e Albânia caucasiana... a Cólquida pode representar assim a parte ocidental, para sempre submergida.
Seria essa nova Cólquida que encerraria o Velo de Ouro, o símbolo do velho poder atlante mergulhado no Dilúvio. Os "deuses do antigo poder" passariam a reunir-se em paragens Olímpicas bem altas, temendo novo colapso diluviano. Restabelecido o poder em torno do Cáucaso, da Turquia, da Grécia, o mar não subiria tanto quanto temido, e as populações abandonadas tenderiam a reorganizar-se autonomamente.
A mesopotâmia ibérica com as suas províncias de Entre-Rios pode ter esboçado uma reorganização independente, ausente que estava o poder em paragens caucasianas... podem ter erguido grandes torres, desafiando o antigo poder, e sofreriam consequências. Aguardaria aos deportados uma nova Mesopotâmia, colocada em lugar mais próximo do Cáucaso, mais facilmente controlável... uma Babilónia onde sempre chorariam Cião. A história seria recontada partindo do oriente, lugar bem central, que só foi chamado oriente relativamente ao ocidente perdido.
O ocidente tem que se erguer de novo, de restos sobreviventes, mas com um considerável atraso. É tempo dos grandes monumentos na Mesopotâmia... pelo lado europeu refaz-se uma cerâmica campaniforme. Entretanto o mar pára de subir, Jasão tem autorização divina para fazer a sua viagem exploratória pela passagem norte, pelos pântanos polacos, que em breve fechariam o Mar Negro à entrada norte.

Os gregos dominariam temporariamente os mares, mas despertaria de novo o lado ocidental pelos "galos", celtas e venetos etruscos, é então altura de Tarsis, e da tentativa de colocar na Fenícia um posto marítimo avançado, em Ur, Tur, Tiro. Os galos fenícios disputarão o Mediterrâneo com os gregos. O galo passaria a ser a ave fénix fenícia, e reergueria nas suas velas as riscas alvi-rubras, as vezes necessárias.

Egipto, Grécia, Pérsia e depois Roma, serão palco de disputas internas religiosas de índole política.
No Egipto, o monoteísmo de Akenaton, centrado num Rá solar, e também os segredos de Hermes Trimegisto... opunham-se de certa forma à panóplia de divindades tradicionais. Algo semelhante ocorre com o Zoroastrismo na Pérsia, que de alguma forma vai substituir as divindades antigas.
O mesmo se passa na Grécia, onde as várias vertentes filosóficas mais racionais embatem contra o panteão clássico de divindades. Na Índia com o budismo, na China com o taoísmo, aparece esse movimento global, que dá um estatuto filosófico à religião, ainda que ela mantenha um certo carácter popular.
Em Roma a principal disputa será entre o cristianismo e o panteão clássico de divindades, mas inicialmente este cristianismo é gnóstico, ligado a essa vertente filosófica hermética.

Esta instabilidade acaba por seguir, grosso modo, a transmissão do poder mundial, de acordo com as "monarquias universais" de Figueiredo.
Tentarei nos próximos textos dar alguma sequência mais detalhada a estas ideias.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Inevitabilidade (2)

O erro parece inevitável.
No entanto, até que se possa falar de verdades indiscutíveis, de cariz lógico-matemático, todas as outras considerações são simples comparações de registos... uns tidos como mais certos que outros, de forma subjectiva apenas se distinguem pelo número de adeptos.

Seguindo um raciocínio consistente, se os dados oficiais levarem a conclusões contraditórias, o problema remete-se exclusivamente à inconsistência desse registo oficial. 
Dada a incerteza subjacente nas informações que usamos, é algo indiferente averiguar da veracidade actual dos dados. Interessa mais saber navegar num mar de falsidades.
Haverá quem julgue ter informações privilegiadas, remontando sabe-se lá onde, vindas sabe-se lá por que meios... pouco importa. A certeza sobre informações depende muito mais da robustez do seu nexo, do que da certeza do seu conteúdo, pois as peças individuais são mais contributivas do que decisivas.
Mesmo que os cultivadores do oculto viessem publicamente reconhecer as suas manipulações, e nos entregassem uma nova versão dos acontecimentos, essa versão não escaparia ao mesmo critério judicioso de averiguar a sua consistência e plausibilidade.

A verdade é algo intemporal, não é o que se julga verdade hoje que interessa.
Quem não aparece, esquece. O que existe do passado só se revela no presente, e o presente pode bem evoluir a ponto de dispensar o que não precisa. A única coisa que precisa é de uma justificação consistente... passado e futuro moldam-se a essa consistência. Por isso o caminho é de quem procura a verdade, e não de quem a esconde. A verdade de um grupo fechado, de uma elite do oculto, pode ser absolutamente irrelevante para o nexo global. Os sujeitos podem achar que condicionaram a história, mas a história pode ter nexo sem esse condicionamento. Nero pode ter incendiado Roma, mas pode ter sido forçado a isso, ou pode também pode ter sido uma propaganda contra ele, uma danação da sua memória, entre dezenas de outras hipóteses igualmente plausíveis.
Quem se prende às certezas do passado, pode ficar preso num passado onde não cabe o futuro.

Os livres e os livros
Tomemos como exemplo a Bíblia, que assume ter um registo correcto dos tempos passados, desde a criação do Homem... e até do Universo. A existência de um personagem divino no nexo dos acontecimentos pode ser revelar-se completamente redundante, não deixando de ser válidos os relatos tidos como certos. À excepção da criação universal, todo o restante conteúdo poderia ser facilmente inserido num quadro de intervenção extra-terrestre, ou de alguma antiga potência terrestre, com capacidade de iludir manifestações sobrenaturais. Mais comummente é assumido que se tratariam de alegorias remetendo para outros factos. Portanto, mesmo uma peça rígida contendo um relato de acontecimentos, assumido fidedigno, pode estar sujeita a grande maleabilidade interpretativa, dada a incerteza sobre os relatores e sobre a intenção do relato.
Curiosamente, se se pretendeu a veracidade literal em tempos idos, este registo bíblico só acabou por se sustentar pela aceitação de ser alegórico.
Todo o registo documental dum reino, de uma tradição, pode colapsar sob a suspeita de falsidade, ou alegoria intencional. Isso é especialmente fácil de assumir quando verificamos que já ocorreu, e é mantido sistematicamente. Havendo essa intenção de encobrimento generalizado, os detentores de informação "oficial", ou "secreta", caem no simples descrédito das mais básicas contradições, ficando com uma grande estrutura assente em pés-de-barro, em que tudo pode ser alvo de suspeição generalizada. A História passa a ser assim uma mera história, com mais ou menos acontecimentos fabulosos, consoante o "gosto" do leitor. 
O leitor fica assim livre perante os livros. Pega nos que quiser, dá credibilidade ao que quiser, e faz a sua história, com centenas, milhares ou milhões de anos... apenas tem que arrumar as peças de forma consistente. Radicando as suas raízes sobre estruturas alheias, ergue uma árvore alicerçada em vários pontos de apoio num terreno pantanoso. Os que pretendem apenas usar apenas uma raiz como fonte passada, tudo apostam num alicerce dúbio, erodido pelo tempo, por enxertos assentes em contradições que se podem revelar como simples mentiras.

Saída da ilha
Um primeiro momento complicado em termos de convívio humano pacífico terá ocorrido quando a sobrevivência exigiu uma competição letal entre tribos. Ou seja, nessa altura não seria suficiente o afastamento dos perdedores, haveria mortes por questão de sobrevivência, e nessa altura os vencedores passaram a predadores dos perdedores. É natural que tal tenha ocorrido numa ilha, por encurralamento, onde a fuga não era possível.
Já referimos a hipótese de ter sido na zona da Melanésia-Oceânia, pelo simples facto de haver registo de agricultura mais antiga (c. 25 mil anos) nas Ilhas Salomão - Nova Guiné, do registo do haplogrupo-Y remeter ancestrais não-africanos a essas paragens, e mais importante... do convívio em equilíbrio entre tribos canibais da Nova Guiné, que falam 800 línguas diferentes.
Não há registos de antigas civilizações na Nova-Guiné e outras paragens da Oceânia?
Talvez não muitos, mas também é de perguntar o que aconteceu, por exemplo, à Pirâmide do Taiti:
Taiti. A pirâmide (entretanto desaparecida) de Mahaiatea. 

O fim de uma Idade do Gelo implicaria um aumento do nível do mar. Partes unidas ao continente apareceriam como ilhas, prendendo os hominídeos. Casos típicos seriam as ilhas da Oceânia (ou ainda das Caraíbas, mas onde não há outros hominídeos).

Quais são os grandes primatas que nadam? Nenhuns... excepto humanos!
Só recentemente se conseguiu fazer com que dois chimpanzés nadassem, e outras referências são de pequenos macacos. Por isso, encurralar numa ilha significava a priori isso... impossibilidade dos hominídeos sair, a menos que aprendessem sozinhos a nadar.

Numa ilha, dada a súbita restrição, iriam experimentar a escassez de caça, e os conflitos iriam agudizar-se, tornando a competição numa luta pela sobrevivência.
Há assim fortes probabilidades que ocorresse numa ilha a primeira necessidade de ataque e defesa sistemática, onde a invenção de novas armas e estratégias marcasse a diferença. Os primeiros vencedores, passariam a uma situação de novo confronto se o crescimento populacional não fosse travado, ou não fossem encontrados novos recursos.

O equilíbrio final só seria atingido por um ajustamento entre o número de sobreviventes e a capacidade de alimento da ilha. Não é pois de estranhar que fosse numa ilha que se desse com maior urgência a necessidade da agricultura.
Mas ainda assim, a agricultura não evitaria outro crescimento, e o problema colocar-se-ia de novo. Tinha que ser considerado um equilíbrio que, ou evitasse a natalidade descontrolada, ou criasse razão de mortes. De qualquer forma implicaria uma gestão inteligente, um controlo acima da vontade da população. Uma tirania mostraria um alvo a abater, e possibilidades de revolta frequentes. O esquema mais inteligente seria outro... um poder controlador invisível, que regularia o aumento de população por guerras controladas, entre tribos.

Esse poder controlador seria detido pelos xamãs, actuando em sincronia, como uma elite invisível acima da elite visível - o rei ou chefe local. Cada chefe era senhor da sua tribo, mas ao desafiar um xamã, desafiaria todos, e poderia ser rapidamente controlado, pela influência dos outros xamãs nos outros chefes.
Um entendimento entre chefes era controlado pelo simples facto de não falarem a mesma língua... precisariam de tradutores - que seriam normalmente os xamãs, ou elementos por si controlados.
Só assim se parece explicar uma coexistência milenar na Nova Guiné entre mais de 800 tribos que falavam línguas diferentes, que eram violentas, antropófagas, mas onde não houve nenhum ascendente natural que levasse ao domínio de uma sobre as outras. O equilíbrio era polvilhado de mitos, e onde não se saiu de uma sociedade tribal primitiva... mas onde pode ter sido também o local onde apareceu a agricultura, e o poderoso conjunto arco e flecha.

Com uma nova Idade do Gelo, os mares recuavam e a saída das ilhas da Melanésia estava aberta de novo... mas os homens que dali saíam tinham já numa perspectiva e desenvolvimento completamente diferente. O seu contacto com os povos da Ásia meridional seria conflituoso. As sociedades mais pacíficas não resistiriam ao embate, dando origem a uma população mais uniforme em fisionomia (haplogrupo NO), e onde os Ainos são excepção. Esse primeiro domínio seria pela larga região do Extremo Oriente, até aos gelos siberianos.
Vindos de ilhas da Oceânia, outros elementos (haplogrupo P-R1) seguiriam em direcção à Índia, e ainda dessas ilhas polinésias, mais tarde (haplogrupo P-Q), seguiriam em direcção à América (até aí praticamente despovoada).

Não seria apenas um embate militar, não havia apenas uma legião, havia uma religião. Por isso, o embate seria civilizacional, liderado por xamãs, que imitariam noutras paragens os velhos métodos. Na Índia, o ancestral esquema de castas pode ter essa origem. Os pouco numerosos invasores colocaram-se num nível superior, tratando os restantes como escravos. Essa hierarquia bem estabelecida, mais uma vez escondida em múltiplos reinos, unida por uma religião comum, levaria a um efectivo controlo da sociedade.

As sociedades em confronto distinguir-se-iam pela organização. Os invasores eram combatentes natos, organizados, enquanto os alvos viveriam em simples tribos com uma interacção pacífica. A madeira e as peles, os ossos, ou a cerâmica deveriam ser um material comum para os artefactos, tão ou mais importante que as pedras.
O metal estaria ausente. Por isso, a combinação "arco e flecha" teria dificuldade em ser combatida, especialmente quando venenosa, pelo que as serpentes seriam um símbolo importante desse poder. Nesta altura (ainda na Idade do Gelo), se havia monumentos seriam de madeira, osso, de tijolo, muros de pedra não trabalhada, ou então imperfeitos megalitos.
Com o fim da Idade do Gelo as povoações costeiras iriam desaparecer. De forma mais ou menos brusca, um dilúvio terá ocorrido, já que o aumento do nível de água, pelo simples derreter do gelo, submergiria povoações ou antigas estruturas.

De Lito e De Cobre
Da pedra ao cobre vai uma significativa diferença. A pedra bem trabalhada exigiria instrumentos de metal, e por isso haverá uma diferença substancial entre civilizações que apresentam monumentos megalíticos mal trabalhados, e as que o fizeram com uma precisão notável, já que isso implicaria provavelmente o uso de metais. 
Devemos pois distinguir o momento da descoberta do uso de metais, já que seria fulcral para o diferente desenvolvimento civilizacional, não tanto pelas implicações imediatas no conhecimento, mas sim pela consequência do seu uso em armas.
Uma civilização baseada em materiais não-metálicos poderia ser muito sofisticada do ponto de vista intelectual, mas estaria pragmaticamente limitada no embate contra armas mais poderosas. Ou seja, a civilização dos grandes pintores rupestres poderia ser confrontada até à aniquilação com uma civilização guerreira baseada em artefactos metálicos, e outros expedientes militares mais pragmáticos.

Podemos associar o metal à cerâmica, por razão das altas temperaturas usadas para o fabrico. É natural que o metal tivesse surgido por constatação de resíduos em fornos de cerâmica. A cerâmica, por sua vez, teria evoluído da constatação que o barro cozeria mais rapidamente com o fogo, substituindo uma simples secagem ao sol, e dando uma adicional consistência e resistência. Como subproduto desse cozer ao forno, algum pedaço de cobre derretido poderá ter marcado o fim do alicerce na pedra e o princípio do cobre e do encobre.

Uma antiga cerâmica foi encontrada na Caverna de Xianren, na China, e não é muito posterior ao tempo em que se efectuavam belos desenhos rupestres nas cavernas europeias.  
Caverna de Xianren, cerâmica com 20 mil anos...
Alguém toca num sino de tradição sínica

Depois, é claro questiona-se sempre se houve ou não uma ligação global entre culturas, e aqui e ali aparecem sinais. Já vimos exemplos de dolmens na Índia, e também os há na China:

Dólmens em Haicheng-Ximu e em Yingkou (China).

Claro que estas informações não têm grande divulgação, e os fazedores de mitos ocidentais gostarão de sempre remeter culpas para as autoridades chinesas... quando lá afinal fazem parte de atracções turísticas locais, e é cá que são "olimpicamente" ignorados.

O fim da macacada
Se o homem foi no mito formado do barro, essa cerâmica feita no molde divino, trazia um travo distinto... e quem diz tinto, não seria pela imagem dionísica, visava-se o sabor, já que outro saber ficara na maçã. A esse homem adamantino foi oferecido um jardim sensaboroso, um paraíso infantil, onde o sabor se substituía ao saber. Porém, essa redoma encantada aparecia como isolamento a semelhantes, menos benventurados, que passariam por macacos servidores de um corte social, de uma corte.
Até ao instante em que a cobra mostra o que cobre, o preço da ilusão era a ignorância.
O convívio pacífico, em qualquer ilha do Pacífico, tinha esse tom de inocência, de regresso aos paraísos naturais, onde não se questionava a gravidade da massa na maçã.
O fruto da chama interrogativa estava lacrado num fogo desnecessário a macacos. Prometeu-se apenas um sentir humano sem sentido humano. Os cortes das cortes garantiam que os mundos de conhecimento não se tocavam, e embalados pela harpa recusariam o bater do tambor.
A reflexão era narcisista, espelhando na água parada um ser que se desenha a si próprio, enterrando na cova a reflexão de ossos num caixão estrutural, uma caixa de Pan doutrora. 
O fogo permitiria alimentar fornos de pão, e a chama do novo homem levaria-o aos mesmos erros passados, à mesma deriva competitiva, com petizes, aprendizes de feiticeiro, que encobririam o cobre, imitando os seus deuses nas hierarquias cognitivas. Uns seriam senhores, outros escravos, e se as torres cresciam na ambição, as línguas eram baralhadas para manter um véu que impedia a comunicação, deixando intocada uma elite sacerdotal que velaria pelos enredos segregados nos segredos. 
No entanto, era o fim da macacada, e a perda da inocência não iria aceitar o fruto sem o questionar, iria à raiz da macieira, questionando as fundações das ilusões, consubstanciando um acordo com a natureza que até aí parecia funcionar como uma fábrica de presentes, sem passado nem futuro, sem razão de ser, sem outra existência que não fosse a de ideias que apareciam e desapareciam como bolas de sabão, enfim, sem um saber constitucional.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O engenho a vapor que se vaporiza (2)

Surge hoje uma notícia que vem confirmar a invenção prévia de máquinas a vapor em Espanha:
A Biblioteca Nacional espanhola anunciou hoje ter adquirido um documento datado de Espanha do início do século XVII que faz referência ao que tudo indica ser uma máquina a vapor, 100 anos antes da sua invenção.  ________ Datado de 1600, o documento descreve as ideias do navarro Jerónimo de Ayanz e Beaumont, comendador de besteiros da ordem de Calatrava, sobre o uso "industrial da energia do vapor mediante uma série de engenhos" (...)  

 Ler mais em

O assunto já tinha sido aqui abordado, com uma documentação ainda mais antiga, relatando não apenas uma invenção de máquina a vapor, mas de um inteiro barco a vapor, apresentado a Carlos V:

... portanto, não é a mesma notícia, é algo de muito mais suave, mas caminha na direcção certa de desencobrimento da monstruosa cobertura que nos envolve.

Sobre Jeronimo de Ayanz y Beaumont, pudemos ler rapidamente uma descrição constante de um artigo de 2003:
Out of his experience as overseer of mines came not only new assaying techniques but a precision balance, designs for more efficient furnaces, a steam injector to ventilate mines (a priority after his assistant was poisoned by toxic gases), and pumps using pressurized steam to drain flooded mines. He also developed a diving bell and suit for retrieving underwater treasure, shipboard pumps, a submarine, windmills, and sundry other useful machines.
Un inventor navarro: Jeronimo de Ayanz y Beaumont (review), Alison Sandman
 
Imagens da página


Portanto isto não é novidade, como atestam artigos antigos, a novidade é mais o esforço da Biblioteca de Espanha na divulgação.
No entanto, devemo-nos lembrar que as notícias do barco a vapor de Blasco de Garay, contemporâneo a Cortés, Pizarro, (até de Colombo), também as obtivemos em jornais do Séc. XIX, e pouco ou nada adiantaram -- foram simplesmente esquecidas pelas gerações seguintes.

domingo, 17 de novembro de 2013

Inevitabilidade (1)

Procurando seguir a linha científica mais sustentada, afastando-nos apenas por ausência ou insuficiência explicativa, vamos tentar apresentar um resumo actualizado do que foi aqui apresentado, juntando outras informações.

A ligação genética coloca quase como evidente uma evolução com ponto comum nalgum primata. Não é por aí que contestamos o darwinismo: - o problema é que quem fala em origem acidental omite a origem do acidente!
De forma análoga, quem fala em origem fabricada não responde sobre a origem do fabricante... e por aí contestamos a pertinência do criacionismo, seja ele extra-terrestre ou divino.
A perspectiva que seguimos é a da inevitabilidade lógica - foi assim, pois não podia ter sido doutra forma. Esta filosofia de inevitabilidade não serve a previsão, serve a pós-visão. Serve o compreender descomprometido e não o prever pré-intencionado.

A existência requer uma observação... mas não observação literal, não é uma réplica ou espelho.
A existência confronta a não-existência, e portanto há um olhar além do simples constatar.
Assim, a existência do universo implicaria um "olhar inteligente" - é o caso humano.
A história serve o nexo da formação desse olhar.

Saindo da macacada
A vivência pacífica de hominídeos em estado tribal podia ter prosseguido por gerações incontáveis.
O desejo de subjugar o adversário não se deve ter mostrado imediatamente. A competição entre elementos da mesma espécie é ocorrência animal recente. Passou por três fases notórias, desde a competição se resumir à constatação de selecção pela alimentação e reprodução, a uma competição por confronto singular - na disputa da liderança local por um território, e finalmente à competição por confronto de grupos, tribos, algo que se manifesta nalguns hominídeos e de forma clara nos humanos.

Quando os animais se organizam em grupos, podemos entender que é formada uma nova estrutura animal, diferente do animal singular. O indivíduo aparece fragilizado e pode ser vítima do novo predador, que é o grupo. Essa nova estrutura domina e pode alimentar-se dos indivíduos de diferentes formas. Uma é a simples aniquilação, outra é a exploração, e ainda outra, a cooperação.
Na aniquilação, o indivíduo pode ser destruído ou não integrado - visando o desaparecimento daquele indivíduo, mas ignorando que o problema não desaparece. Na exploração, o indivíduo é inserido na estrutura como uma parte funcional dela, faz parte de um órgão, mas o peso da sua individualidade é apenas o de uma unidade na funcionalidade. Finalmente, na cooperação, o indivíduo insere-se na estrutura, num órgão, e a sua individualidade é tão importante quanto o conjunto, pois o conjunto visa o benefício de todos os indivíduos, e o número não se sobrepõe à unidade.

Portanto, numa fase inicial é natural que os hominídeos se preocupassem mais em estabelecer a sua sobrevivência e domínio sobre as outras espécies, e não vissem os outros com preocupação, excepto na questão de alguma interacção social ligada a uma hierarquia tribal. 
Os primatas mais próximos dos humanos são os chimpanzés e bonobos. Ao partilharem 90-98% da genética, estão mais próximos de humanos que de gorilas ou orangotangos (os outros hominídeos), mas têm atitudes sociais diferentes. Ao invés da agressividade característica dos chimpanzés, os bonobos são mais cooperativos, resolvendo muitos dos seus problemas por interacção sexual. 
É aliás bem conhecido que os bonobos e chimpanzés conseguem realizar tarefas de forma muito similar aos humanos, e são sujeitos a experimentação no campo da linguagem, onde os resultados são quase sempre limitados. A palavra "limitado" é propositada, pois a questão é justamente essa... o que faltará a esses hominídeos será uma constatação da sua limitação. Não procuram por si próprios colmatar as suas falhas, e estando satisfeitos com o seu conhecimento, com a sua compreensão, não os move o desejo do ilimitado, do infinito. Não estando condenados a essa permanente insatisfação humana, podem reagir, mas não têm a necessária curiosidade que move um evoluir, por aceitarem as lacunas. Afinal, o seu conservadorismo, pode ter mantido a herança da sua ancestral linhagem genealógica, mas nunca os aventurou para além das florestas tropicais.
Bonobos -África Central

A ideia de que os primeiros hominídeos seriam agressivos (ao contrário dos bonobos ou orangotangos), mais agressivos que gorilas, ou até que os chimpanzés, parece carecer de sustentação: 
However, the picture of early hominins as “killer ape‑like creatures” is not realistic, considering the hard evidence from fossil remains, primatology, and ethnography (cf. Sousa e Casanova, 2006)

Portanto, inicialmente não terá havido uma movimentação de conquista, nem domínio, mas uma natural expansão territorial, semelhante à que acontece com outros animais. As florestas tropicais da África Central (bonobos, chimpanzés, gorilas) e da Indonésia-Melanésia (orangotangos), podem revelar uma expansão antiga de hominídeos, entre África e o sul da Ásia, mas que não chegou a paragens americanas. A chegada americana deu-se posteriormente, com migrações humanas.

Do saber à compreensão
Algumas proezas humanas estão longe de ser proezas absolutas. O homem mais rápido não é o animal mais rápido, muito menos será o veículo mais rápido ou mais forte. Nem o homem com melhor memória ou maior capacidade de cálculo suplanta uma máquina programada para a mesma tarefa.
A capacidade de memorizar ou efectuar tarefas mecanicamente não é sintoma de nenhuma inteligência humana. Um robot pode ser programado para saber fazer tarefas mecânicas específicas. A inteligência humana manifesta-se na capacidade de compreensão, pela abstracção subjacente, podendo ser aplicada noutros contextos. Assim acontece com as simples histórias infantis, onde não é tão importante o enredo literal, mas sim a apreensão da moral subjacente.

Por isso, quando vemos algumas pedras lascadas, e outros artefactos que denunciam intencionalidade de aplicação, não significam "inteligência humana", apesar de poderem ter precedido essa inteligência humana. O mesmo olhar que vê inteligência no uso de uma pedra lascada, não pode deixar de ver inteligência num camaleão que adopta uma cor de camuflagem. Porém onde está essa inteligência?
É um reflexo interpretativo, está na génese do executor, ou no executor?
A simples constatação de que uma pedra lascada serviria o propósito de trinchar alimentos, de que uma lança poderia perfurar, ou de que o uso do fogo permitia cozinhar alimentos não é ainda revelador da transcendência humana. Há vários exemplos de animais que recorrem a utensílios, e mesmo a agricultura não é um sintoma claro dessa inteligência humana. As formigas saúvas (leaf-cutters) usam folhas para cultivar fungos, entre outros exemplos (há inclusive um peixe da família da  Castanheta que cultiva algas). Mesmo o simples construir de estruturas não revelaria essa inteligência não-programada, bastando lembrar os ninhos das aves, ou as construções das térmitas. Também encontramos entre vários animais uma interacção em estrutura social, pré-programada, onde os esquemas de servidão, actuação em matilha, obediência a hierarquia, etc... estão bem presentes e dificilmente denunciam mais inteligência do que a simples vivência para sobrevivência. 
Castanheta néon (Pomacentrus coelestis, Timor Leste)

Onde se manifesta então a inteligência humana? Na necessidade de compreender o desconhecido, na aquisição e incorporação desse desconhecido numa linguagem não literal. A religiosidade, a filosofia, ao procurarem um significado para a compreensão da existência, manifestam isso. O activo entendimento superior da natureza, procurando uma previsão de fenómenos naturais, também.
O ponto comum é a capacidade de o homem subir para se ver a si próprio e ao restante, não aceitar apenas a oferta das suas faculdades, compreender que há um racional para além delas. Por isso, o homem ciente duma ilimitação vê-se inicialmente incompleto por constatar a sua limitação... se não adquirir que, ao poder interiorizar o ilimitado, isso é prova de que não é limitado.
Máquinas ou animais que não questionem o nexo, não precisam de nexo. No entanto, o nexo ganhou existência a partir do momento em que houve animais que o viram - os humanos. Esse nexo funciona como um estômago faminto, que precisa de ser alimentado, até à completa consistência. Toda a filosofia humana passou a alimentar essa fome de compreensão, que a espécie herdou. A incompreensão gerava incompreensão... e se os bonobos podiam usar a actividade sexual para resolver os seus problemas sociais, aos humanos restava ainda resolver os problemas existenciais.

Panspérmia e Gaya
Entendendo a vida como um corpo "Gaya", que engloba todos os seres vivos, a vida apareceu e nunca desapareceu. A morte de uma célula não é a morte do corpo, e olhando o conjunto, a morte de um ser pouco afecta o conjunto da vida.
Analogamente, a vida, enquanto conjunto, esteve a evoluir, como evolui um embrião, desde a sua formação até atingir a fase adulta.
Um ser complexo tem uma individualidade que está para além da individualidade celular. Nesse mesmo sentido o conjunto da vida pode bem ser encarada como uma individualidade para além dos seus seres. Tem múltiplos componentes, tal como os animais tem múltiplos órgãos. As células morrem, o animal não. Os seres morrem, a vida na Terra não.
E, se a vida nunca cessou, esse organismo global apenas esteve em processo de formação... passando por várias fases, como uma borboleta. Podemos ter o preconceito de ver um corpo conectado pela união das células, mas se pela disjunção há diferença, há também um património genético comum entre todos os seres vivos... tal como há diferença entre as células dos diferentes órgãos de um mesmo corpo, não deixando de terem o mesmo DNA.
Os transplantes mostram até que as células não têm uma fidelidade excessiva, podendo servir a diferentes corpos. Assim, mais do que servirem exclusivamente um ser, servem o propósito maior do conjunto da vida.

Isto pode remeter para uma teoria chamada Panspérmia (ver Portugalliae - José Manuel).
O planeta Terra (ou outro planeta), funcionaria como óvulo, pronto a ser fecundado por matéria extraterrestre, da mesma forma que um óvulo aguarda a fecundação por um espermatozóide.
Se virmos essa matéria genética transportada por um cometa... as analogias são "claras no ovo".
O Sol seria a fonte materna de energia que iria alimentar essa vida, e embelezando o cenário, a própria Lua pode ser o que resta da colisão fecundadora, pairando vigilante sobre o embrião de vida que crescia e evoluía na Terra.
Tendo-se descoberto sinais de matéria orgânica nos cometas, isso dá algum suporte a uma teoria que remonta a Anaxágoras, ou mais recentemente a H. Helmholtz. Faltaria dizer de onde viria então essa matéria reprodutora, que inseria nos cometas matéria orgânica tão significativa que levaria à formação de vida em planetas distantes. Ou seja, podemos falar de um "Úrano" que fecunda Gaya?
[Escrevo "Gaya" e não Gaia, porque tenho usado o nome Gaia para algo muito maior, quase identificável ao próprio universo, e este conceito de Gaya é muito mais restrito, pois aplica-se apenas ao universo físico, e em concreto à vida na Terra. No entanto, e mais uma vez, podem ver-se analogias.]

Supernova Simeis 147 (Constelação de Touro)

Ora, há uma outra questão que normalmente é evitada. A Terra tem metais e outra "matéria pesada" que não cabe na simples produção nuclear solar, que envolve hidrogénio e hélio. Isso indica uma proveniência diferente - que remete à explosão de uma supernova, onde tal fusão seria possível. Ou seja, a matéria terrestre é suposto ter vindo de uma "estrela morta" (isto é a teoria oficial), a que acresce a própria matéria orgânica poder seguir, depois, em cometas ou asteróides. Assim sendo, um "Úrano" emissor de panspérmia, não seria destas paragens, e poderia ter gerado filhos em diversos sistemas solares.
A intencionalidade disso é assunto mais especulativo, e não liberta o criador de tal fonte emissora da sua própria origem... que até poderia ser semelhante. Por isso, como a ausência de intencionalidade precede sempre a intencionalidade, basta remeter a essa ausência. A introdução que fizemos explica onde está a razão das razões.
De qualquer forma, por um lado este é um quadro perfeitamente sustentável para admitir uma replicação de situações semelhantes à da Terra, à geração de vida análoga, e possibilidade de vida inteligente extra-terrestre. Por outro lado, interessa-nos apenas o quadro da origem sem nenhuma interferência inteligente externa, porque mais uma vez, o oposto iria remeter os "pais" aos "pais dos pais", e a uma estéril lengalenga da "galinha e do ovo".
Por perfeição, o nexo deverá ser simultaneamente circular e linear. Circular no que diz respeito à unidade, linear no que diz respeito à multiplicidade e diversidade. A junção desses dois olhares é um outro olhar, que não deixa de ser interior aos dois outros.