quarta-feira, 17 de agosto de 2011

alvodemaia (5)

Faltando o Número 8, ficam os Números 6 e 7, resultante do publicado em Junho e Julho de 2011:

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Ficam ainda os links para os textos anteriores publicados, durante os últimos tempos.

ALVODEMAIA - 2011 (Volume 2)
  
Número 1    ------------------------   Número 2   


Número 3  ------------------------   Número 4




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Blog Alvor-Silves - 2010 (Tombo 1)

-------- textos anteriores -------

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Teogonias (3)

Um acontecimento não desprezável, e que merece a nossa atenção como "coincidência" notável é o seguinte:
- a filosofia e o saber grego apareceram após a subida ao poder de Ciro, o Grande, e consolidação do Império Aqueménida... na Pérsia!
... mas não só, aparecem ainda pouco depois - Buda, na Índia, e Confúcio, na China.
O que tinha de notável, o novo império aqueménida?
- seguia a doutrina de Zaratustra (Zoroastro), tendo como entidade suprema Mazda (Ahura).

 
(falcão que olha o oriente?... depois no zoroastrismo as águias olhavam o ocidente 
- tal como romanas, americanas, ou mesmo nazis... a  opção dupla cabeça foi Habsburgo)

Os conflitos entre gregos e persas começam justamente com esta expansão aqueménida... (e digamos que se os gregos já escreviam da esquerda para a direita, a língua avéstica fazia o contrário, como era comum à época... apenas um detalhe, como é claro!)

A questão principal é que houve conhecimento similar que foi difundido, e iluminou subitamente vários povos, nas fronteiras da expansão aqueménida, sobretudo feita por Ciro, Cambisses e Dario. É ainda nessa altura que se dá a libertação judaica, do cativeiro na Babilónia, e se recompilam os textos bíblicos. A transição do Séc. VI a.C. para o Séc. V a.C. parece ser assim uma altura de salto no conhecimento e religião.

A expressão mais notável é a grega... podemos dizer que acordam subitamente, e começam a debitar vários tratados, com uma profundidade que não parece ter paralelo anteriormente. É evidente que o conhecimento persa não está ausente, mas muito podia estar presente pelo lado dos babilónios!
Perante a invasão persa, e adopção da nova religião, o Zoroastrismo (que os sacerdotes Medos haviam combatido) era natural algum medo face ao desequilíbrio na ordem hierárquica da classe. Os magos vão ser os novos sacerdotes do zoroastrismo.

Os egípcios não conseguem fazer face ao avanço persa, mas uma Grécia ainda arcaica, acordando para o registo histórico, vai suster de forma surpreendente o embate - em proporções que são ilustradas pela defesa das Termópilas. Havia é claro, toda a Guerra de Tróia, e até uma Guerra contra os Atlantes, que passaram a fazer parte da história que se escreveu e consolidou nessa altura, onde os gregos de então se identificaram com os aqueus, nessa altura já lendas com muitos séculos ou milhares de anos.

A Grécia passou a ser lugar de embate entre duas concepções... um modelo de racionalidade e progresso, mas ao mesmo tempo um modelo místico, que não se desligava do panteão de deuses, dos oráculos, das oferendas, das decisões tomadas pelas entranhas ou voo dos pássaros.
Levantamos a hipótese de a Grécia ser ainda um campo externo de uma guerra interna que se passava no Império Aqueménida... entre os novos magos do zoroastrismo, e os antigos sacerdotes babilónios. Os primeiros procuravam que os gregos aderissem ao império e à filosofia de Zaratustra, os segundos quereriam a resistência grega, como forma de segurar a expansão e voltar ao culto dos velhos deuses. O conflito entre racionalidade e o misticismo teve o seu episódio com Sócrates e a cicuta...
Com Aristóteles e Alexandre, a defesa grega passa a ataque macedónico, e os persas são mais uma vez surpreendentemente derrotados, a ponto de perderem o império num par de anos. Porém, as políticas de Alexandre não corresponderiam exactamente ao acordo de quem tão prontamente o acolheu e inseriu. Alexandre queria ir mais longe, para além da Pérsia, e seguiria a filosofia grega... mas morreu demasiado cedo. O império estilhaçou na divisão interna entre os generais. Preparava-se um novo império, o romano, onde mais uma vez imperou o conflito entre adeptos republicanos e os da monarquia imperial.
Com o fim da República e a instalação do Império Romano terminaram as expansões territoriais significativas, e até o génio inventivo e literário começou a estagnar. O Mundus Clausus, fechado sobre os limites antigos chegou a deixar aventuras para além das Colunas de Hércules como primeiras obras de ficção científica, com reinos alienígenas e viagens à Lua (caso de Luciano de Samosata).
Se o advento cristão teve a benção dos (reis) magos, o modelo que a igreja cristã seguiu foi um modelo de casta sacerdotal, seguido por Roma e Bizâncio, após Constantino.
Ainda assim, o Império Romano seria demasiado heterogéneo, multi-racial e multi-cultural... um imperador poderia resultar de equilíbrios de forças instáveis, e raras vezes seguia a linha hereditária. Os segredos não eram tão estanques, quanto pretendido, e flutuavam numa classe demasiado vasta...
Mais eficaz seria introduzir um factor racial, fácil distintivo... a escolha recaiu sobre os godos, que ficaram encarregues de preservar uma linhagem aristocrata, que se misturasse pouco com as populações autóctones. Como sempre, se os romanos tinham um poder esmagador e conseguiram suster a divisão do Império com Aureliano, nunca conseguiram grandes progressões a norte... já estariam designados os godos/suevos como possíveis sucessores.
Ao mesmo tempo conseguia-se um retrocesso civilizacional, que caracterizou a Idade Média, e que com Carlos Magno assumiu contornos de novo império romano, perfeitamente controlado, com hierarquias e castas bem definidas... nenhum soldado passaria a general e daí a imperador, como podia acontecer em Roma. A casta tinha o modelo ariano, afinal aquele que desde o princípio estava centrado na extensa zona de influência babilónica/persa/indiana, e serviu não só na Europa, mas ainda como modelo racial no sistema de castas da Índia. Curiosamente, é ainda ariano o nome da filosofia monofisista que os godos vão adoptar, mas por nomeação de Arius de Alexandria, seu proponente.
Esta linha ariana acaba por ser derrotada sucessivamente, afinal os magos teriam confirmado o carácter divino de Jesus Cristo,  cuja vida em muitos aspectos tem analogias assinaladas com o percurso do próprio Zaratustra. O ataque ao que restava do Império Romano será feito pelos árabes. Constantinopla resiste até quando pode... e a Península Ibérica fica também embrenhada em guerras de reconquista. O Mediterrâneo antigo mar estável, fica em permanente confronto entre duas civilizações que não se falam, divergindo profundamente na questão da vinda do Messias (e de Maomé enquanto profeta). Será esse o principal foco da discórdia entre cristãos, judeus e árabes.

A Península Ibérica ficou como território ambíguo, resistiu à invasão árabe, e também ao Império de Carlos Magno, na sua derrota em Roncesvalles (haverá uma outra Roncesvalles com Napoleão).
O mais significativo nisto é que só no momento em que o Infante D. Pedro se coloca ao serviço do Imperador Sacro-Germânico é que de alguma forma os reis portugueses se sujeitam a alguma vassalagem imperial, passam a ter o direito a ter Príncipes (deixa de haver Infantes...), e as suas viagens marítimas começam a ter chancela oficial.
A Europa tem autorização de expansão, para além das fronteiras... Portugal e Espanha vão dar relevância aos Reis Magos nalgumas nomeações que vão fazer. A situação é estranha, ao ponto da Europa estar ao mesmo tempo ameaçada com a queda de Constantinopla, até Viena e Veneza, e  ameaçar o Império Otomano nas paragens orientais com a presença portuguesa no Suez, em Ormuz, etc...
As navegações ficam de novo suspensas - há territórios proibidos... e surge novo conflito ideológico.
De um lado, uma cultura protestante procurando manter um monoteísmo, e do outro lado o catolicismo abre uma quantidade enorme de devoções secundárias. O fecho da Igreja Católica usa métodos drásticos, especialmente com a Inquisição, e continua a restringir alguns territórios. O Renascimento já iniciado, que basicamente vai repiscar e republicar toda a literatura antiga, proibida, fica em perigo.
A herança que ficara em Alexandria e Constantinopla, vai passar pela Hispânia, tendo árabes e judeus como transmissores. Mas esse privilégio hispânico cai definitivamente na Guerra dos 30 anos... e o novo avanço será dado pelo lado protestante, que também vai colaborar no esquema de ocultação, mas através de instituições secretas.
Uma coisa será o poder estabelecido e visível, outra coisa completamente diferente serão os acordos entre nações. A ocultação será mantida, e voltamos ao velho problema... como evitar que os segredos ou o poder caia na mão de um cidadão que passa a imperador?
O teste maior terá sido feito na Revolução Francesa e com Napoleão. Viram-se aí os barretes frígios, mas a Verdade não se impõe num ápice sobre a "verdade social". A "verdade social" é volátil, e precisa de um farol de referência... o resultado foi caótico, onde tudo seria alvo de dúvida, e os executores passaram a executados, no Regime de Terror que se seguiu a 1789. Napoleão foi uma solução contra esse caos, mas pelo lado indesejado... julgou deter um poder absoluto, e ao coroar-se imperador, não se terá apercebido da dimensão do problema que enfrentava (aliás, tal como terá ocorrido com D. Sebastião)... o sistema aristocrático implantado deixou de o considerar como um problema, ao ponto da Conferência de Viena ter mesmo começado antes de se ter dado a Batalha de Waterloo (que definiria o seu asilo final).

Se a anterior lógica era uma lógica repressiva, dispendiosa e que abria novas brechas de conflito, a implantação monetária definiu novos executantes e um novo sistema. A "verdade social" tinha um preço, que cada nação tinha de preservar na "fabricação"... estímulos monetários, reconhecimentos, etc, tudo iria servir para garantir a preservação dos segredos. Controlando o sistema de publicação, o sistema de divulgação, a "verdade social fabricada" poderia ser mantida, criando manobras de diversão, prémios ou ameaças veladas se necessário.
Para os inseridos no sistema não há outra solução sob pena de se cair na desordem ou fraqueza... uma parte não pode abrir o jogo unilateralmente, sob pena de ser aproveitado pela outra. Após séculos de conflito, não há confiança entre as partes para que possam deixar cair a máscara - até porque ninguém vai querer aparecer como parte fraca na fotografia. Assim, a certeza aparente é a de que o sistema se deve manter, ou então que se deve ainda fechar mais. A pressão de divulgação é vista como tentativa de uns para trocarem os lugares de poder com os outros... porque tudo é sempre visto numa lógica de poder. Será difícil distinguir entre aqueles que o querem fazer sinceramente, e os que o querem fazer aparentemente, preparando a estratégia seguinte. Uns gozam com outros, de maneira explícita ou velada para a população, mas sabendo que há muitos que percebem os códigos, coisas habitualmente infantis e perversas, aprendidas em muitos séculos de diletantismo nas cortes. Esse pretenso elitismo, fruto de um preço inato de silêncio, e de ausência de liberdade, tem assim uma recompensa incompleta num estatuto artificial, sem objectivo, nem outra finalidade que não seja a preservação.
As dívidas são essencialmente dívidas à verdade, que são remetidas ao próprio povo, pela sua felicidade na ignorância, paz e soberania iludida...

É aqui que entra de novo a filosofia de Zaratustra, "o velho camelo".
Se pensarmos que somos cindidos e uma parte de nós se separa da outra, perdendo uma parte das nossas memórias, artes e faculdades de raciocínio para a parte restante, aceitaríamos ou não regressar ao ponto em que pelo menos pudéssemos trocar informação e cooperar com essa parte separada fisicamente? - Claro que sim! Porquê... porque nos lembramos dessa identificação. A menos que uma parte seja colocada em posição de ter que escolher entre si e a outra, poderia haver dúvidas... e mesmo assim, se o próprio der mais valor à sua reflexão, poderá sacrificar-se, no que normalmente se chama amor.
Essa cooperação sente-se mais facilmente em famílias, em aldeias, sem pressões e influências externas... e é claro que está mais afastada numa cidade onde a lógica competitiva ocorre todos os dias, e em várias ocasiões.

Naturalmente um objectivo estável de um universo pensante, separado em diversas componentes, será a troca sincera de informações entre essas componentes separadas. Chama-se a isso curiosidade...
Poderá pensar-se que se podem definir estratos, mas a menos que não sejam comunicantes, de nenhuma forma, uns influenciam-se aos outros, de forma indissociável.
Pode pensar-se em fechar, como protecção... mas isso só significa uma coisa - medo!
E portanto como não está aberto ao desconhecido, ficará aberto ao medo que tem dele.
Estes são alguns dos processos que o Universo usará para um objectivo muito simples - concentrar toda a informação num único ser pensante - que será resultado da junção de todos os seres pensantes, através de canais de comunicação fiáveis. Só assim poderá observar-se em plenitude, e até observar o passado... mas isso é outra história, e por enquanto seguimos adormecidos nas estorietas de quem julga que o sonho que inventa se sobreporá à realidade.

domingo, 7 de agosto de 2011

Teogonias (2)

No mito grego da criação, Gaia apoia Cronos contra o pai Úrano, pelo facto deste ter relegado para as trevas alguns dos seus filhos, entre os quais os Ciclopes, que assim não poderiam ver a luz.
Digamos que esta alegoria pode ter uma interpretação perfeitamente racional. 
Cronos personifica o Tempo. (Sobre a dupla escrita Κρόνος ou Χρόνος percebemos estar ligada à introdução posterior que substituiu o Κ
Qualquer estado fixo (a menos que seja trivial) implica um desequilíbrio, e é através do tempo que esses estados vão alternando a sua posição, e se poderá cumprir um equilíbrio.
O tempo, Cronos, através da sua prevalência, permitiria a que os filhos de Gaia, os filhos da terra, tivessem igual tratamento... uma representação adequada pela maternidade que dispensa igual atenção aos filhos.

No entanto, Cronos será deposto pelo seu filho Zeus.
Esta sequência é ainda racional, já que a prevalência da personificação de uma estrutura mais poderosa não seguiria nessa linha de equilíbrio. O mito de um Cronos que "devora os filhos", mas que também corresponde a um "período de ouro", de felicidade humana, pode ser visto no sentido de impedir que esses filhos exercessem um poder despótico sobre as restante entidades. A Guerra dos Titãs (Titanomaquia) que se segue tem a ver justamente com esse desequilíbrio... com essa revolta dos Titãs perante um destino de desequilíbrio, onde não iriam pertencer ao Olimpo.

A deposição de Cronos apenas pode ser vista como aparente... o Tempo está longe de se ter esgotado.
Do ponto de vista puramente abstracto, qualquer Universo já cumpriu todo o seu Tempo.
Não há qualquer razão para admitir que o Universo parou no Tempo, e está à espera de ordens para definir o que vai ser a seguir... essas ordens viriam de onde? De algo que não pertencia ao Universo? - isso seria uma contradição da própria definição de Universo.
Aquilo que temos é uma visita, um pouco no sentido da Escola Pitagórica "A vida é como uma sala de espectáculos, entra-se, vê-se e sai-se" (ver o ponto 10 aqui). 

Há no entanto várias coisas que não seria experimentadas numa "posição divina".
A omnisciência não permite saber o que é o conhecimento... 
O conhecimento não se define pelo saber, define-se pela passagem do "não saber" ao "saber". O "não saber" é tão importante quanto o "saber". O acto de passagem de um estado ao outro, começa pela ignorância.
O desejo é manifestado pela transição entre o que "não se tem" e o que se "pretende ter"... digamos que esta e outras coisas são sensações exclusivas de seres incompletos, imperfeitos.
Apenas seres limitados podem experimentar e sentir a visita a uma pequena parte do Universo... essas sensações são a ilusão a que chamamos realidade, a realidade que experimentamos enquanto seres humanos.

Perante as diversas hipóteses, digamos bifurcações, todas são possíveis, e de alguma forma correspondem às "acções" que definiram este Universo... um universo que tem assim consciência da sua existência, através da diversa contemplação parcial de cada entidade. Outras possibilidades nas  bifurcações não levaram ao resultado final que vemos e em que nos inserimos... e que no fundo correspondem parcialmente às "escolhas que fizémos/fazemos". Parcialmente, porque muitas das bifurcações são "decididas" por outras entidades, a que nós chamamos "acaso", e que antigamente também eram personificadas como deuses de entidades titânicas, ou animais... digamos que era habitual atribuir a Poseidon, ou a Zeus, o controlo de factores imprevisíveis (terramotos e tempestades). E se é possível prever parcialmente fenómenos lineares, já sobre as bifurcações em fenómenos que admitem duas ou mais possibilidades, aí fica a indefinição sobre a escolha ocorrida, e que antigamente se personificava na forma de entidade consciente e divina.

Diz-se que Cronos/Saturno, depois de deposto por Zeus/Jove, assumiu estatuto humano... parece-me alegoria natural para quem tivesse uma visão equilibrada de todo o Tempo, e não apenas de uma parte.
Cronus/Saturno

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

dos Santos e Silva


Portugal, 1917... não é novidade que, ao longo dos séculos, muitos foram aqueles que tentaram publicar, para transmitir à população, um conhecimento que parecia ser destinado à ocultação.
Calisto encontrou uma preciosidade de J. E. dos Santos e Silva, então engenheiro da Direcção Geral das Colónias, que procurava compilar conhecimento que se afastava "dos modernos historiadores portugueses" que faziam surgir "quase espontaneamente" a nossa História com D. Afonso Henriques (cito o autor).

Para além de no excelente material compilado por Calisto ficar evidenciada uma outra estória sobre as Colunas e Torres de Hérculesparece ainda clara uma ligação Egiptânia e não só... temos uma confirmação para a existência de um Canal do Suez na Antiguidade.

Não podemos deixar de notar que Estrabo dá a entender que os Pilares/Colunas seriam no seu tempo as torres que estavam em Cadiz:
... while the Iberians and Libyans place them at Gades, alleging that 
there is nothing at all resembling pillars close by the strait.

pelo que talvez haja uma confusão no texto com essas torres, que já teriam desaparecido por altura das invasões napoleónicas, fazia mais de um século quando Santos e Silva escreveu o livro (em vez de livro apetece aqui dizer balanço de balança, se libro vier de libra).


------------------- email de Calisto Barbuda  -------------------

Quando há pouco tempo andava à procura de informações sobre os Coni/Cynetes/Cunetes, deparei-me com este livro:
Episódios e Tradições relativos à História Antiga da LusitaniaJ. E. dos Santos e Silva (Lisboa, 1917) 
foi aqui que encontrei umas informações sobre Hércules que achei curiosas, pondo de parte algumas coisas que não percebi como por exemplo ter o nome de Rhamsés II, e a data 1600, quando Sesóstris I reinou 1908-1875 a.c.

Segundo o autor, sobre a vida de Sesóstris I (Rhamsés II), diz que os episódios relatados podem ser relativos a vários dos seus Reis 
“(...) mas que a imaginação e vaidade nacional reuniram n’um só. Supõem que é o Sesác dos livros sagrados; que viveu muito antes da guerra de Troya, no tempo dos Juízes de Israel; que é o Setósis de Maneton; o Egypto, irmão de Danáo; Typhon da Mythologia; o Pharaó submergido nas ondas do Mar Vermelho, quando ia em perseguição de Moysés; e por último que era ou foi chamado o Osíris Egypcio.
Heródoto coloca este rei um século antes da guerra de Tróia (1300 a 1100 A.C.), Cantù coloca em 1600, época em que a península Ibérica foi reinada por Geryon, e como o Sesóstris foi chamado de Osiris, parece lógico que o libertador da Península tenha sido ele.

A data de Heródoto, segundo o autor do livro, coincidiria com a invasão dos Pelasgos na Península, mas refere também que antes destas invasões podem ter havido outras, por outro lado entre os historiadores tem havido confusões chamando Pelasgos aos Tyrrhenos, por isto será (para o autor) a data que Cantù menciona; ou um século depois, na opinião de Bossuet (ou seja, 1491-1457 a.c.).

O autor continua dizendo que: 
Não há tambêm unidade de opiniões sôbre se a derrota de Geryon e a sua morte foi simultâneamente com a dos seus três filhos, nem são unânimes os autores em supôr a vinda de Horus distinta da de Osíris. O que é mais seguido e comentado nos livros antigos é a invasão da Península pelo Hércules Egypcio, isto é, por um rei conquistador d’aquela nacionalidade, cujos feitos o fizeram comparar com o deus Hércules, e que ficou conhecido por êste nome. Considerando, portanto, que a existência de Osíris e Horus, a ser verdadeira, teria necessáriamente que remontar-se a uma época muitíssimo anterior à de Geryon, em cujo tempo reinava no Egypto a XVIII dinastia, de que Sesóstris foi um dos últimos reis (1643, antes de Christo), e que a época d’êste rei coincide com a de Geryon, temos que concluir que o Hércules Egypcio, libertador da Ibéria, foi realmente Sesóstris.
Segundo Heródoto, Hércules teve origem no Egipto, de onde Gregos e Fenícios o adoptaram dando esse nome aos seus heróis, assim na Fenícia era Hércules Tyriano ou Melkarth, na Grécia era Hércules Thebano ou Heraklés, na Gália identificaram-no como Ogmios dos Celtas, chamando-lhe Hércules Gaulês, e na Itália também foi introduzido o culto do Hércules Tebano. Toledo e Huesca consagram vitimas a Hércules Endovecélio (ou Endovélico), mas Leite Vasconcelos (Religiões da Luzitânia) diz supor serem falsas as inscrições.
A história dos diferentes Hércules é um conjunto de prodígios, ou antes, é a história de todos aqueles que tiveram o mesmo nome e suportaram os mesmos trabalhos. Tem-se exagerado os sues feitos, reùnindo-os em um só homem e atribuindo-lhe todas as grandes emprêsas de que se ignorava o autor, cobrindo-os assim d’uma notoriedade que os elevava acima da espécie humana (Diodoro Sículo). Comtudo, o que parece averiguado é que um grande conquistador, que supomos ser Sesóstris e não Osíris nem Orus, e a quem se chamou «o Hércules Egypcio», à frente de forte exército d’esta nacionalidade, depois de ter empreendido uma grande peregrinação, ennobrecendo com os seus feitos quasi todo o mundo, veio à Península Ibérica.
O autor continua dizendo que por todas as partes extremas a que ele chegou erigiu colunas simbólicas das suas vitórias com inscrição do seu nome, pátria e a resenha das vitórias obtidas pelo seu exército sobre os povos subjugados, segundo Heródoto só Sesóstris usou a prática de establecer estas colunas, encontrando-se no tempo de Heródoto as de Scythia e da Thrácia, 
“Não será, pois, para estranhar e talvez seja esta a verdade histórica que as famosas colunas de Hércules do estreito de Gibráltar, que separa a Península Ibérica da África e que a fantasia transformou nos montes Calpe e Abyla, sejam as colunas colocadas por Sesóstris em Cádiz quando conquistou a Península e derrotou o rei Geryon.”.
Fala depois da introdução da agricultura na Península por ele, e diz que: 
“Estamos, pois, em presença d’outra grande invasão na Península, constituida pelo povo Egypcio e por todos aqueles que o conquistador arrastou na sua passagem; Ethiopes, Assyrios, Persas, Scythas e Thrácios; os quais, como veremos, prolongaram aqui o seu império por muitos anos, devendo ter deixado forçosamente vestígios da sua passagem na raça peninsular.”
Fala depois dos seus feitos, da abertura do canal do Suez que terminaram no tempo dos primeiros Lagidas (250 a.c.), tendo depois ficado obstruida e tornou-se novamente navegável no tempo de Trajano e Adriano conservando-se até ao séc. VI quando foi novamente obstruido sendo reaberto em 1869.
Para o autor, as lendas de Osiris e Sesóstris são semelhantes, os dois saem do Egipto, conquistam nações bárbaras, estabelecem a ordem social, fomentam a riqueza, etc, sendo “endeusados”, 
“(...) ficando na memória dos povos como um mito de virtudes cuja tradição constitue uma parte das suas crenças religiosas. Estas circunstâncias e o facto de Sesóstris ter sido chamado Osíris confirmam a suposição de ser aquele rei egypcio o Hércules que veio à Península e não o verdadeiro Osíris que, se existiu, foi em tempos muito mais remotos.”
Mais à frente diz: 
Há contudo uma consideração que, se bem não altera fundamentalmente a tradição, modifica-a na forma como os acontecimentos se teriam dado. Geryon, conhecido pelo monstro de três cabeças, por ter três filhos ou três exércitos, podia ter sido derrotado em Tarifa, na primeira invasão dos Egypcios, juntamente com os filhos, ou em três batalhas dadas em vários pontos da Península; e, n’êste caso, fica posta de parte a vinda de Horos para castigar os filhos de Geryon. O que porém, importa verdadeiramente é o facto, que parece fóra de dúvida, de ter-se dado na Península uma grande invasão egypcia acompanhada de Ethiopes, Assyrios, Persas, Scythas e Thrácios, catorze a dezasseis séculos antes de Christo.
Quando o autor fala dos Sírios diz o seguinte: 
“Carteya, diz Strabão, mantinha grande comércio com os Iberos e foi tomada por Amilcar, carthaginês, no ano de 236 da fundação de Roma. Era a povoação mais importante junto ao Estreito de Gibráltar (fretum Herculeum ou Gaditano), que para os antigos estava situado entre o cabo de Espartel (Ampelusa), junto ao monte Almina (Abyla), termo de Ceuta e o promontorium Junonis, antigo monte Calpe ao noroeste da ponta d’Europa, na montanha de Gibráltar. Êstes montes, Abyla e Calpe, eram as colunas de Hércules da Mythologia; as verdadeiras e reais deviam porêm, ser as de Sesóstris, edificadas em Cádiz.”
Sobre as colunas de Hércules o autor diz o seguinte: 
As colunas de Hércules passavam por ser antigamente, as portas do mundo. Êste monumento substiu até 1145. Constava de uma estrutura de pilares de pedra sobrepostos, formando uma espécie de torre levantada na praia ou já no mar. Cada pilar tinha quinze côvados de circunferência e dez de altura. O conjunto, que media de 60 a 100 côvados de alto, estava ligado sólidamente por barras de ferro chumbadas. Sôbre esta tôrre, em que todavia não existiam portas nem câmaras interiores, levantava-se uma estátua de bronze doirado, de Melkarth, o Hércules phenício, da altura de 6 côvados, representando o deus sob a figura de um homem barbado, com cinto e manto que lhe descia até ao joelho. Com a mão esquerda apanhava as dobras do manto contra o peito, e no braço direito estendido, a mão segurava uma chave ao mesmo tempo que o indicador apontava para o Estreito. O facto, porêm, de existir sôbre as colunas a estátua de Melkarth, não significa que elas fôssem construidas pelos Phenícios, mas unicamente a sua consagração àquele deus, efectuada posteriormente por aqueles povos invasores.

            Os Cruzados e os piratas normandos chamavam ao Estreito, Karlsar, ' as águas do homem'; e Isidoro de Beja, no tempo do domínio árabe, atribuia uma significação profética à atitude da dextra de Melkarth: a chave que empunha era o símbolo de que era essa a porta do país; e o dedo, apontando para o Estreito, queria dizer o caminho por onde vieram os exércitos de Muza.

            As colunas de Hércules foram destruídas em 1145 pelo almirante árabe Ali-ibn-Isa-ibn-Maimun, que se sublevára em Cádiz. Corria a tradição que a estátua era de oiro puro e por isso o Árabe a abateu: era doirada, mas ainda assim a douradura produzio 12.000 dinàrs. (Dozy, Histoire et Littérature d’Espagne).”
Só uma última referência em que é dito que 


“(...) outros dão a entender que Espanha quer dizer, terra desconhecida e afastada. Em língua euskara (vascongada) Espanha significa extremidade, isto é, extremo do mundo conhecido, convicção antiga que deu origem ao  non plus ultra que dizem estava escrito nas colunas d’Hércules, e que se vê reproduzido nas moedas peninsulares.”
No fim de ler isto lembrei-me da questão levantada pela Maria da Fonte sobre o haplogrupo de Tutankhamun ser da Península Ibérica...

Estátuas do templo de Melkarth em Cadiz...
cuja pose parece ser tipicamente egípcia. 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Reflexão

Há algumas palavras que temos e cujo significado primevo perdemos, por falta de um bom ensino de Português. O ensino da língua é lamentável, pois não nos faz estabelecer as múltiplas relações e conexões que têm as palavras que usamos e que estruturam o nosso raciocínio.

A língua funciona como uma formatação do pensamento. É até difícil perceber como seríamos pensantes sem uma linguagem... pelo menos não conseguiríamos exprimir esse pensamento.
As pessoas pensam numa determinada linguagem, são condicionadas pelas noções que foram aprendendo, de forma ocasional, mais pela sua experiência induzida pelo ambiente e sociedade circundante... não há propriamente uma aprendizagem estruturada da língua.

A aprendizagem estruturada prende-se com regras de sintaxe, primeiro com a gramática, que adquirimos e esquecemos. 
Porém ninguém nos tenta dar a mínima explicação para algumas curiosidades da nossa língua. 
Por exemplo, por que razão o SER e o IR têm a mesma conjugação no passado (pretérito perfeito)?
- a diferença que fazemos necessita do artigo... "ele foi à praia" por diferença a "ele foi a praia". 
Esta semelhança não tem origem no latim, é algo ibérico - ter "sido" ou ter "ido" é semelhante!
- Quem não foi, não foi!... para se ser não basta ficar, é preciso ir. 

Ninguém nos informa que o português transformou o L em R neste caso... os espanhóis usam L em "playa" (tal como os franceses em "plage"), mas os portugueses acharam mais "másculo" o som R (segundo diz Duarte Nunes do Lião) e passaram alguns L para R e do "playa" passamos a "praia". Nalguns casos manteve-se, noutros casos perdeu-se... o Castro viria de Castlo (os ingleses usam Castle), mas também mantivemos Castelo. Duarte Nunes de Lião usa outros exemplos:
- Obligar em espanhol (obliger - francês, inglês) desviou-se em Obrigar.
- Blando em espanhol passou a Brando... etc.
Digamos que o português ficava brando, mas não demasiado blando... mesmo assim há alguns exemplos que ele dava e que regrediram: "simpres" e "craro", retornaram a "simples" e "claro"... o que mostram que ficámos mesmo mais "blandos". Lião nota ainda a peculiaridade nortenha da mistura B e V, e dos CHs da região de Viseu. Percebemos que se a Távola seria Tábula ou Tábua (os ingleses dizem Round Table), com a passagem de L a R, também foi Távora.

Mas sejamos claros... há bastante uso nas palavras que, mesmo sendo óbvio, raramente é sentido ou mencionado, e cuja origem está no latim.
Claro está ligado a Aclarar, a Declarar... uma Declaração é algo que deve tornar claro.  
Clamar está ligado a Aclamar, a Reclamar, a Proclamar, a Declamar... o "falar alto" é usado na aclamação, na reclamação, na proclamação, na declamação!

Custará muito ensinar alguns destes casos aos nossos petizes, para que sintam curiosidade pela língua que falam? Será um caso de selar?... sendo que celare em latim significa esconder! 

Há muitas outras particularidades, mais ou menos conhecidas, como a distinção que fazemos entre o Ser e o Estar, sendo característica ibérica e um pouco italiana, em que o "estar" não liga exactamente ao "stare" do latim (que significaria mais ficar imóvel, de onde vem o "status").

O assunto deste post não é exactamente este...
A estrutura da nossa língua remete para noções às vezes demasiado profundas para serem acidentes linguísticos. 
Um exemplo é a palavra "Reflexão"!
A reflexão remete para a imagem no outro lado do espelho.
O que fazemos então quando "reflectimos"? ... apenas nos vemos a nós, no outro lado?
Ou será um pouco mais do que isso?

Seguimos na linha do que escrevemos no texto Sapiens Sapiens... O indivíduo que interpreta, com consciência de si, terá capacidade de se colocar na posição do que observa?
A sua capacidade de abstracção coloca-lhe a possibilidade de se ver na posição do outro.
A reflexão muito mais do que um acto de introspecção, remete para a consciência do "outro", que no espelho da nossa alma deveríamos ver como semelhante. Podemos é claro, ignorar a sua existência enquanto "igual", mas aí reduzimos o nosso universo de igualdade, a um "grupo eleito", ou no limite ao caso "singular" de isolamento.
Até aqui tudo isto é simples... e não parece haver distinção entre as possibilidades.
Um grupo ou o indivíduo pode cultivar o elitismo, mas não pode ignorar a ideia dos "outros"... e é essa ideia que vai ficar presa no espírito. Poderá tentar ignorar a reflexão, mas essa possibilidade de "trocar de lugar" é inevitável no raciocínio do Animal Sapiens. Por isso, quando atinge um semelhante é inevitável colocar-se no lugar do outro lado do espelho. Pode tentar ignorá-lo, mas o seu cérebro coloca-lhe sempre essa hipótese, por muito que tente reprimi-lo... porque tem consciência - não apenas de si, mas do outro!
Assim, também sentimos as expressões dos animais como nossas, tanto mais quanto esses animais se assemelham a nós próprios. A reflexão é tanto mais evidente e inevitável com os que consideramos como semelhantes. A expressão do olhar de um animal consegue-nos tocar, porque somos levados a uma rápida reflexão e colocamo-nos mais facilmente no seu lugar.
Um Animal Sapiens só conseguirá estar em paz consigo próprio, quando conseguir reflectir, vendo os outros, e não se vendo apenas a si próprio.

Depois desta pequena divagação filosófica, fica-me a questão... é esta palavra "Reflexão" uma simples coincidência linguística, ou procurará transmitir um conhecimento perdido nos tempos?

domingo, 31 de julho de 2011

Torres de Hércules

As Colunas de Hércules foram um ponto marcante, colocado como referência na maioria dos textos da Antiguidade. O estatuto lendário de Hércules acabou por identificar essas colunas com os montes situados de um e outro lado do Estreito de Gibraltar, a saber o Monte Calpe em Gibraltar, e o Monte Abila (ou será Avila?) em Ceuta. Porém, os antigos escritores romanos consideraram a hipótese das colunas terem mesmo existido. A cidade de Cadiz (ou Gades) mantém o mito das colunas no seu brasão e a inscrição Plus Ultra:
 

Acontece que, para além destas colunas, podemos encontrar as Torres de Hércules...
Essas torres estiveram sinalizadas em mapas e textos até há bastante pouco tempo!
Encontramos isso ainda num mapa de 1715:

E mesmo numa descrição marítima de 1812 vemos que restava uma Torre, que passava a chamar-se "Torregorda"... Ao contrário do que esperava, foi estranhamente difícil encontrar menção a essas torres, cito a este propósito um dos poucos textos que encontrei online:
En Cádiz existían dos torres llamadas de Hércules en 1550, una donde hoy está torregorda y la otra como doscientos pasos más cerca de la ciudad, ambas iguales de altura, dice Adolfo de Castro, la ultima de ellas posiblemente fue destruida cuando el saqueo de los ingleses, porque en el siglo XVII solo se habla de una torre.
Esta fue totalmente destruida en el terremoto acaecido el 1 de Noviembre de 1753[!! 1755]. Por otro lado, las dos columnas del non plus ultra del que habla los antiguos historiadores pudieron ser las dos torres que señalaban la entrada del Puerto de Cádiz, una en la punta de la isla de San Sebastián, donde hoy está el faro, y otra también altísima, e igual en el Cabo Candor. Servían para avisar con fuego nocturno la entrada y el peligro de los puertos.
Portanto, percebemos que havia duas torres em 1550 (o que se vê no mapa de 1715), e que uma delas foi destruída no terramoto de 1755 (o ano 1753 estará errado no texto). A acção desse terramoto estendeu-se até Cadiz, como vemos! Será aqui útil referir a expressão associada a esse terramoto:
Caiu o Carmo e a Trindade...
Muito do que havia para cair, caíu, e o que não caiu na altura, caiu depois, e já não se recompôs!
Como a segunda torre estava de pé, segundo texto publicado em 1812, mas depois desapareceu, consideramos a hipótese de actuação napoleónica...

Como seriam essas Torres?
Podemos ter uma razoável ideia neste site ou neste [links entretanto removidos] pela ilustração num mapa de N. J. Visscher de 1660:
No canto superior direito desse mapa podemos ver (nas duas versões cores/preto-branco):
Ao contrário, num mapa semelhante constante da Universidade de Évora, encontramos o mapa com figuras recortadas! O que havia nessas figuras, que mereceu o recorte e a exclusão a olhos vindouros?

Uma das figuras que não está recortada, mas deixa algum mistério é a ponte de Segovia!
Também essa ponte de Segóvia já não existirá... deixamos aqui as imagens encontradas nos mapas referidos em cima:
Não sabemos se esta ponte caiu com o Carmo ou com a Trindade... há ainda outras duas construções nos outros cantos do mapa, que não conseguimos identificar.

Ainda sobre a questão de Torres de Hércules, já falámos sobre a Torre pentagonal de Coimbra...
... mas voltamos a acrescentar referências. Uma por António Francisco Barreto, outra de António Coelho Gasco, mas a mais enfática está na Revista Universal Lisbonense onde se começa por citar Almeida Garrett (D. Branca):
Alli o berço foi da lusa gloria; Creral-o hoje sepulcral moimento; D'essa gloria defunta
Ruínas tristes; Esbroardos pardieiros - oh, vergonha! São as torres...
 mas o autor do artigo continua, e cito:
(...) de mais longe vem o nefando empenho de apagar memórias do que fomos, arrasando os mais famosos monumentos de nossas glórias; julgamos por isso mais execráveis os antigos demolidores, que são os patriarcas d'essa abominável seita, cujo compromisso cifra todos os seus preceitos no único: "Aniquilar tudo o que recorde façanhas portuguezas".
e informa que o projecto do Marquês de Pombal para a destruição da Torre, ou segundo a versão politicamente correcta da nossa História - para construir o Observatório Astronómico, tinha sido entretanto abandonado... porque "não estava livre de abalos ocasionais pelo rolar dos carros nas calçadas, condição essencial que deve satisfazer todo o local destinado para observações". Depois, já no Séc. XX foi construído algo semelhante a um Observatório Astronómico de Coimbra, do outro lado do rio...
Digamos que se o Carmo caiu por mão de Neptuno, a Trindade deve ter caído por mão do Marquês e acólitos...
Fala-se ainda de que pelo menos a pedra com a inscrição "Quinaria turris Herculea fundata manu" deveria ter sido preservada!... Havia uma outra inscrição, que reportava a D. Sancho e ao ano (hispânico) de 1232, e deveria remeter para a construção da torre adicional... também essa parece ter desaparecido... coisas de invasões talvez! Se os culpados não podem ser internos, vêm os externos... e aqui os séculos de permanência árabe dificilmente podem ser vistos como motivo de destruição das nossas antiguidades, conforme podemos comprovar nos vários exemplos!

O artigo fala ainda do "arco da traição", e o arco do castelo, que tinha grossas portas chapeadas e cravadas de ferro, ambos teriam sido arrasados pela Câmara Municipal em 1836. Continuava por isso a reescrever-se a História, agora por mão do "mano Pedro", já que o "mano Miguel" tinha sido derrotado em 1834, e Maria II, filha de Pedro IV, era já rainha.
O autor do artigo, R. de Gusmão, termina assim:
Restos venerandos do alcaçar coimbrão, testemunha das nobres proezas de nossos maiores, poupe-vos a cólera dos homens d'hoje a aniquilação! O pó dos séculos, em que jazeis involtos, cegue os olhos incuriosos dos que ousarem desbaptizar-vos do sólo em que vos encravaram homens d'outras eras.
Se o brasão de Cádis mantém ainda a figura de Hércules, o problema identificado por Gaspar Barreiros - que ouvia tudo ser atribuído a Hércules, terá sido eliminado definitivamente pelo Marquês e sucessores que o compararam ao herói mítico, colocando-o em pedestal máximo lisboeta, acompanhado também por um leão. Não terão sido dois leões, talvez por modéstia... afinal tinha edificado alguma coisa sobre o destruído, mas não teria destruído tudo sozinho.
Não tem a maça nem a maçã de Hércules, por aí ficámos com o "anónimo" homem da maça e com "algo" ao lado, já que ninguém quererá ver Ládon. Cortados os braços, retiradas a maça e a maçã... o que resta do homem?
Homem da Maça (Monte de S. Brás) 
[imagem de C.M.Matosinhos]

Desterrados das suas sepulturas, desonrados os feitos, nomeados outros heróis, desses fantasmas doutrora ainda não terá sido silenciado por completo o registo, e é certo que o peso dos assombros passados parece pesar agora como assombração.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cavalaria e Cavalos Lusitanos

Colocamos aqui uma importante contribuição de Calisto sobre a cavalaria e os cavalos lusitanos, recebida por email, na sequência da discussão sobre o Cavaleiro do Corvo.



--------------------- email de Calisto Barbuda ------------------------

Concordo sobre quem seriam os cavaleiros Lusitanos. 
A maior referência que encontrei estavam associados aos Coni, por outro lado a melhor zona de criação de cavalos é a Andaluzia incluindo o território a Sul de Portugal, é claro que esta questão é um pouco melindrosa, visto que há quem diga que, quem defende esta ideia é Iberista. O cavalo na Andaluzia famoso no séc XV a XVII, poderá ser descendente do de Portugal, e até concordo com as razões apontadas:
- Platão coloca na Andaluzia, mais concretamente na Bética a criação de cabras e carneiros.
- Do lado do Tejo Português temos planícies fabulosas para a criação de cavalos.
- Por outro lado (e em tempos mais recentes) repare-se que os reinos Árabes foram sendo empurrados para Sul e já não se podia escolher as terras entre o Tejo e Guadalquivir para continuar a selecionar e melhorar cavalos, já não havia Santarém (cf. [1]).
Posto isto, a faixa geográfica com que ficamos presumo que seja a dos Cónios.
"(...) Além destas referências ao modo de combater peculiar aos povos ibéricos e seus cavalos, que demonstram uma ininterrupta sequência milenária, existem outras que o designam como único. São elas as descrições do emprego de cavaleiros ibéricos na Itália ou Norte da África em que se diz que aqueles tinham que levar seus cavalos e quando era impossível o seu transporte, tinham pelo menos que levar os seus arreios, demonstrando assim que lhes eram peculiares e únicos." (cf. [2])
Uma coisa curiosa é o seguinte detalhe, os cavaleiros Ibéricos eram conhecidos com 'frenati', conduzidos com um freio (cf. [2]), ou seja o freio em vez do bridão (utilizados por todos os outros povos, salvo o erro) permite uma condução com uma só mão (poderia lhe dar o exemplo das touradas, mas infelizmente hoje já não há ninguém que utilize uma só mão para conduzir o seu cavalo perante qualquer situação), e para completar deixo-lhe um texto que encontrei na internet: 
"Em nenhum outro local existem evidências da existência de cavalos montados há tanto tempo. Embora noutras paragens, como na Grécia ou no Egipto, também já se utilizasse o cavalo na guerra, essa utilização era sempre feita como animal de tiro, puxando os carros de combate. Isto permite-nos colocar a hipótese da origem ibérica da própria equitação. A confirmar-se, o cavalo Peninsular seria, então, o primeiro cavalo de sela conhecido.
Os cavaleiros ibéricos evoluíam nos campos de batalha de uma forma característica. Tirando enorme partido da obediência e agilidade das suas montadas, movimentavam-se com rápidas transições e bruscas mudanças de direcção, o que dificultava em muito as manobras dos seus inimigos. Esta equitação peculiar, foi dada a conhecer ao mundo pelos Cynetes, quando esta tribo do sudoeste da Península combateu na Grécia contra os Atenienses, auxiliando a vitória dos Espartanos na guerra do Peloponeso (séc. IV a.C.). Tal facto justifica a origem do termo “gineta”, ainda hoje utilizado para classificar esta forma de montar.
Seleccionado, durante séculos, como suporte de uma técnica específica de combater, o cavalo Peninsular vai surpreendendo, pelas suas invulgares capacidades, todos os que contra ele se batem. É o caso de Romanos e Mouros, que o vieram encontrar na Península e prontamente reconheceram as suas inegáveis qualidades." (cf. [3])
Rapidamente se percebe que os ataques de cavalaria, na minha opinião, seriam quase actos "individuais", e não através de uma estrutura de combate sólida e coesa.
E isto tem uma ligação curiosa com a Guerra de Tróia, uma vez que a estrutura militar muda depois da dita guerra.

Sobre o cavalo Ibérico eu sabia alguma coisa, tal como sobre equitação do séc XVIII/XIX (nomeadamente Francesa), mas sobre a cavalaria na Antiguidade é que não sabia quase nada.
Antes da idade do Bronze o papel da cavalaria era essencialmente desempenhado por carros ligeiros puxados por cavalos.

Quando os Persas foram derrotados por Alexandre o Grande, o carro de combate puxado por cavalos já era obsoleto, no entanto continuaram a ser usados, por exemplo, pelos povos do sul da Grã-Bretanha quando da Invasão Romana comandada por Júlio César (55,54 a.C.), por essa altura, os carros já eram usados praticamente em cerimónias ou em corridas.
Xenofonte (430-355 a.c.) escreveu o mais antigo tratado conhecido de equitação ( há um mais antigo escrito por Simão/Simião, mas não se conhece o seu conteúdo), é interessante encontrar lá coisas que ainda hoje em dia fazemos, no entanto a ideia com que fiquei foi que ele preconizava uma cavalaria montada e não atrelada, uma força de cavalaria pequena mas bem treinada.
Xenofonte

O que de seguida transcrevo já não me lembro qual foi a fonte:
"Para os gregos montar a cavalo é um hábito que vem depois do cavalo atrelado. Mesmo com Homero as passagens são mal interpretadas pois todo o tom da poesia épica prova que a condução era a prática comum. Os heróis combatem em carros de combate, a maior parte do exército a pé, mesmo em viagens sobre montanhas eram feitas com carros de cavalos" 
Esta questão da viagens é curiosa, é que para a deslocação com carros de cavalos a rede viária Grega deveria rivalizar com a Romana.
Continuando: 
"Não se sabe quando, mas ao longo dos séculos houve uma mudança. Facto: jogos Olímpicos (776 a.C) em que originalmente a única prova era corrida de carros, só na 33º Olimpíada (648 a.C) aparece corrida de cavalos.
Em batalha o carro de cavalos desaparece antes das guerras persas (499-448 a.C), mas o seu lugar não foi preenchido até depois delas. Na guerra de maratona (guerra greco-persa 490 a.C) os atenienses não tinham cavalaria. Havia criação de cavalos provavelmente para corridas. Sem duvida foi o contacto com a cavalaria persa que levou à organização de um corpo de cavalaria ateniense. Os gregos nunca conseguiram a revolução na arte militar que deu à cavalaria um papel decisivo. Isto estava reservado para os Macedónios."
Um aparte, talvez para perceber a influência Persa é que Xenofonte em 401 alistou-se no exército de Ciro irmão de Artaxerxes II na luta contra este, juntou-se depois aos espartanos e lutou contra Atenas e Tebas na batalha de Coronea 394 a.C.
Continuando: 
"A cavalaria Grega era usada para assediar um exército em marcha ou completar uma vitória já garantida. Só os ricos serviam na cavalaria. O solo e morfologia grega não se adptavam/adaptam à criação de cavalos ao contrário dos tessalianos. Já eram reconhecidos desde os primeiros tempos, mas para o carro e não para cavaleiro. Encontram-se raças descritas nas éguas do rei Diomedes (trabalhos hercules), que comiam carne humana, os cavalos de Rhesus (rei tarcio que combateu ao lado dos troianos), Aquiles e Orestes nas corridas descritas por Sophocles “Electra”- finalmente da mitologia para a história, Bucephalo de Alexandre. Outras raças eram Argive, Acarnanian, Arcadian, e Epidaurian."
Sobre a Peninsula Ibérica nunca encontrei nada sobre carros de cavalos, tudo o que encontrei referia-se a cavalos montados, e isto deixa-me baralhado...
Da outra vez eu referi que foram levados cavaleiros Ibéricos por Dionísio tirano de Siracusa nas guerras do Peloponeso (369 a.C.), a forma de combater e montar em nada era semelhante à forma Grega de então. Também referi que : 
"(...) cavaleiros ibéricos na Itália ou Norte da África em que se diz que aqueles tinham que levar seus cavalos e quando era impossível o seu transporte, tinham pelo menos que levar os seus arreios, demonstrando assim que lhes eram peculiares e únicos."  (cf. [2]) 
ou seja teríamos mais uma vez a vantagem tecnológica do nosso lado.

Disse também (desta vez um pouco mais completo) que:
"(...) outros narram muitos combates singulares de cavaleiros íberos com Cartagineses e Romanos por onde se infere não só a superioridade ibérica neste género de combates, como ainda que ele era um apanágio ibérico. O mesmo se pode verificar mais tarde das crónicas moiras do século XI, de Abu Bakr al Tartusi, autor de Sirg al Muluk, em que cita um combate de um cristão com moiros das hostes de Al Nansur Ibn Amin, em que o Cristão venceu sucessivamente três adversários antes de ser vencido. No final, frisa-se que o vencedor era um homem da fronteira, habituado às lutas com Cristãos e diz-se que como aquele guerreiro nas hostes árabes não havia ‘- nem mil, nem quinhentos, nem cem, nem cinquenta, nem vinte, nem dez’."  (cf.[2]) 
por aqui consegue-se visualizar como seria a forma de combater Ibérica (apesar de se referir ao séc XI presumo que podemos transportar o mesmo para os anteriores).

Continuando com os Gregos: 
"Alguns séculos depois da guerra de Tróia, os tempos mudaram na Hélade e muitos costumes locais foram substituídos. Os gregos já não podiam mais viver sob aquele tipo de sociedade, na qual monarcas mandavam com poderes irrestritos, e isso demandava alterações radicais. Contudo, vale lembrar que Ílion não foi o único reino destruído naquela época. Segundo o historiador Robert Drews, da Universidade de Vanderbilt (Estados Unidos), inúmeros palácios caíram naquele período, causando o fim da Idade do Bronze. Tebas, Micenas, Tirinto e Canaã tiveram o mesmo destino da cidade de Príamo. 
Um dos motivos foi a mudança na estrutura militar. No caso da Hélade, os gregos abriram mão das eficientes cavalarias e, com isso, desenvolveram um novo tipo de estratégia bélica para fortalecer as infantarias. O problema é que, até então, os carros de guerra eram as armas mais eficazes de combate: um condutor bem treinado guiava a biga enquanto "passageiros" atiravam lanças e flechas nos inimigos. Os novos exércitos foram obrigados a encontrar formas de combater essas máquinas militares de forma mais eficiente. 
Com isso, as batalhas envolvendo cavalarias e bigas foram substituídas por pelejas entre homens a pé, os cidadãos-soldados: pessoas que passavam a fazer parte da sociedade de forma mais incisiva e, além disso, vivenciavam a rotina do exército e da polis. 
Assim, os clãs foram extintos, para que todos os homens fossem agrupados em uma mesma cidade, onde poderiam treinar em conjunto por mais tempo para se preparar melhor para a guerra. Isso fez que não tivessem apenas relações familiares, mas sim com os pares, criando um sentimento de cidadania colectiva. Era uma forma de despertar conceitos cívicos nas pessoas. Além disso, os heróis também se transformaram em figuras ultrapassadas. Não havia mais espaço para guerreiros como Aquiles e Heitor, que deixavam os companheiros para trás a fim de ir de encontro ao adversário para obter glórias individuais. Tudo passa a girar em torno da sobrevivência da cidade: os soldados deveriam permanecer unidos no campo de batalha para minimizar os riscos de derrota e, desta forma, resguardar a polis.  
O herói homérico, o bom condutor de carros, podia ainda sobreviver na pessoa do hippeis; já não tem muita coisa em comum com o hoplita, esse soldado-cidadão. O que contava no primeiro era a façanha individual, a proeza feita em combate singular", explica o helenista Jean-Pierre Vernant em seu clássico As origens do pensamento grego. "Mas o hoplita não conhece o combate singular; deve recusar, se lhe oferecer, a tentação de uma proeza puramente individual. É o homem da batalha de braço a braço, da luta ombro a ombro. Foi treinado em manter a posição, marchar em ordem, lançar-se com passos iguais contra o inimigo, cuidar, no meio da peleja, de não deixar sem posto. 
Nesse novo conceito de exército, as infantarias dependiam muito da força do conjunto e da unidade, portanto, todos os homens deveriam se unir como um só bloco para vencer as batalhas. Surgem aí as temíveis falanges, em que os guerreiros passavam a vida toda treinando para desenvolver uma "dependência" de um para com o outro. Deste modo, os generais formavam unidades de combate sólidas e coesas - como ocorreu com a eficiente infantaria de Esparta, que de tão competente foi apelidada de "usina de cadáveres" durante a Segunda Guerra Médica.  
Com a mudança, os monarcas também perderam seu espaço, afinal, os homens já viviam em conjunto para o bem comum da polis, então, sentiam-se capazes de decidir os rumos políticos da cidade-estado. O cidadão passa a se confundir com o soldado, pois a partir do momento em que ganha direitos, também assume seus deveres com a defesa da pátria. Os reis espartanos foram reduzidos a meros generais, sem desempenhar funções administrativas, mas apenas militares. Em seu lugar, quem passou a tomar as decisões políticas foram os conselhos criados pelo legislador Licurgo, que na verdade são os primeiros focos de instituições democráticas no Mundo Antigo. 
O período da grande batalha de Tróia e das memoráveis aretéias entre heróis lendários chegava ao fim porque os homens, treinados para ficar unidos nas guerras, passaram a querer lutar juntos para decidir os rumos da comunidade, de forma coletiva. Caem os reis e, no lugar, ergue-se a imponente democracia."A formação do exército no período clássico carrega elementos das relações sociais, tanto no caso dos espartanos como dos atenienses", explica Álvaro Allegrette, da PUC. "Com as mudanças sociais, as pessoas passaram a viver em comunidade e, assim, as relações entre os cidadãos fica mais evidente." 
A polis, explica Werner Jaeger, representa um princípio novo para os helenos, com reflexos importantes para a vida nas cidades, e surge também a definição de Estado, criado em Esparta: essa instituição pública representa, pela primeira vez, o agente educador do povo. 
Hesíodo, outro poeta grego da Antiguidade, dizia que o heroísmo não surge apenas nos combates. Segundo ele, em O Trabalho e os Dias, o verdadeiro herói mítico e exemplar é forjado em qualquer situação nas quais a disciplina é necessária para enaltecer as qualidades humanas. Um desses momentos era o acto de erguer-se na ágora e, dotado de um senso cidadão apurado, incitar o povo a votar por mudanças importantes para a vida colectiva. Isso reforça a idéia de que era fundamental aprimorar a erudição do povo. A educação seria, portanto, uma forma de obter mais condições de tomar decisões coletivas corretas. Surgem, assim, os políticos (a própria palavra deriva de polis)." 
(ver referência [4])
A cavalaria (penso eu) é boa para partir formações de infantaria (coisa que os cavaleiros Ibéricos eram exímios), a nova estrutura militar Grega parece uma forma de combater a cavalaria, digo eu...
Continuando: 
"a Tessália era, amplamente, conhecida por produzir exímios cavaleiros e experiências posteriores em guerras, tanto com como contra o Império Persa ensinaram aos Gregos o elevado valor da cavalaria em ações de perseguição e em escaramuças.
Em contrapartida, a Macedónia, ao norte, desenvolveu uma forte cavalaria pesada que culminou nos hetaroi (cavalaria dos Companheiros) de Filipe II e de Alexandre o Grande. Além desta cavalaria pesada, o exército de armas combinadas macedónio também empregou soldados de cavalaria ligeira, chamados "prodromoi, em missões de exploração e de cobertura. Foram também empregues os ippiko, soldados de cavalaria média, armados com lança e espada, protegidos com uma couraça de pele, cota de malha e chapéu, usados como exploradores e caçadores a cavalo. Esta cavalaria era usada em conjunto com a infantaria ligeira e a famosa falange macedónica. A eficiência do sistema de armas combinadas foi demonstrado nas conquistas asiáticas de Alexandre o Grande."  (cf. [5])
Sobre esta cavalaria média, armados com lança e espada, fez-me lembrar a lança contrapesada dos Ibéros. Encontra um texto interessante aqui: 
A maioria (se não toda) da informação sobre o cavalo Ibérico encontra com Sommer d'Andrade.

Posto isto continuo sem perceber o que levou a cavalaria Ibérica evoluir da forma que evoluiu, talvez a equitação tenha começado aqui na Península.

Referências:
[1] Arsénio Raposo Cordeiro: Cavalo Lusitano. O filho do vento. Edições INAPA, 1989.
[2] Fernando D'Andrade: O cavalo Lusitano. Lisboa, 10 Março 1986.