sexta-feira, 31 de julho de 2015

Estado da Arte (2)

Depois de ter escrito o texto anterior, encontrei um bom documentário da BBC sobre Arte Rupestre, apresentado por Nigel Spivey, da Universidade de Cambridge.


[Dez. 2020: O vídeo desapareceu da internet, um resumo escrito é dado neste link]

O documentário tem o mérito de dar ênfase a questões importantes, ainda que depois tenda a concentrar-se numa conjectura como resposta - ou seja, o que seria desenhado nas cavernas seriam descrições de estados de transe dos xamãs.

Bom, mas este assunto da pintura tornou-se numa questão de um milhão de dólares, valores atingidos nos leilões de pinturas abstractas desde o início do Séc. XX. Ignorando pertenças de ídolos, raramente encontramos outros objectos, sem ser quadros, cujo valor de mercado é astronomicamente superior ao valor dos materiais ou dos processos utilizados na construção. 

Uma das revelações feitas neste documentário, e que foi para mim uma surpresa, foi a história de um turco, no início do Séc. XX, que não associava o animal à pintura realista de um cavalo. Ou seja, para esse turco, fundamentalista, de uma religião islâmica que proíbe a representação em pinturas, a pintura do cavalo, por mais realista que fosse, nada tinha a ver com o animal. 
O animal era tridimensional, e a pintura era apenas um boneco bidimensional.

Mas vejamos um caso mais concreto.
Em Espanha não há só Altamira, e em El Castillo podemos encontrar um esboço numa parede:
Cave de El Castillo (Espanha, perto de Altamira)

Será que o pintor troglodita, num certo estilo minimalista de Picasso, procurou evidenciar a cabeça de um auroque, usando apenas dois traços? Ou ainda melhor, será que todas as pessoas vêem naqueles dois traços uma cabeça bovina, ou haverá quem, tal como o personagem turco, não associa aqueles traços a nenhuma representação animal. De facto, olhando novamente para a imagem, a curva à esquerda poderia ser um traço em forma de 2 ou de Z. 
Portanto, é preciso um certo clique de contexto... Em pinturas rupestres, evidentemente as letras estão excluídas, e os nossos olhos procuram figuras que sugiram animais, sendo essa associação feita. 
Noutro contexto não seria assim... e por isso uma certa surpresa é entender que precisamos de alguma educação para associar às imagens o que elas representam, por muito realistas que possam parecer.


PLANTAS
El Castillo é uma gruta muito interessante, até porque a datação oficial têm-na colocado como uma das mais antigas, anterior até às grutas francesas, com cerca de 40 mil anos... ou seja, mais em épocas de Neandertais do que Homo Sapiens, levantando algumas interrogações sobre se seriam esses os autores originais das pinturas (nesse ponto, de remeter algumas das pinturas a Neandertais tem-se destacado J. Zilhão - ver por exemplo o artigo Spanish cave paintings world’s oldest says new dating tech ).

Talvez o mais surpreendente em El Castillo consiste em representações com pontilhados e "estruturas quadrangulares", conforme podemos ver nas figuras e vídeo seguintes:



Estas imagens foram retiradas do vídeo sobre El Castillo

Texnai Digital Archive (empresa japonesa)

Desconheço se a Nigel Spivey também se ofereceria interpretar estas estruturas como resultado da representação de imagens vistas em estados de transe. Ainda que essa ideia possa fazer algum sentido nalguns casos, está muito longe de servir como panaceia, parecendo servir mais como tentativa de reduzir toda a pintura rupestre a estados de alucinação sem significado especial.
Não negligencio de nenhuma forma o papel que os xamãs tiveram na evolução humana, como já aqui abordei, simplesmente não considero que parou em tempos remotos... transformou-se mas nunca se alterou a essência desse controlo ou influência sacerdotal nas decisões políticas, mesmo actuais.

Voltando aos quadrados de El Castillo, esses lembram outros quadrados, e avançamos muitos milhares de anos para Çatal Huyuk (ainda assim reportada com mais de 8 mil anos):



Çatal Huyuk - possível planta da cidade - figuras originais e desenho
(imagens daqui e daqui)

A questão é que em Çatal Huyuk, por muito que se tenha tentado desprezar o significado deste mural (a esse propósito, consultar Portugalliae), verificou-se que os quadrados apresentados correspondiam muito bem à planta dos edifícios da própria cidade desenterrada, ou citando directamente M. Tomczak: "A wall painting from one of the shrines, dated to 6200 BC with an error margin of less than 100 years, depicts the plan of the city and corresponds very accurately to the arrangement of the houses as they were excavated."

Bom, o que isto tem a ver com as pinturas de El Castillo?
Lá está... falta-nos o contexto explicativo, e cada um pode ver o que quiser. Se forem os "alienados" do Canal História, certamente que podem ali ver planos de dispositivos ou veículos espaciais! Pelo lado do documentário da BBC, talvez sejam representações de visões de xamãs em estados de transe.

Está já clara qual é a minha opinião - poderiam bem ser representações de estruturas habitacionais, provavelmente em madeira, onde os pontos seriam meras pessoas. Ou seja, poderia ser uma simples planta dos edifícios existentes, ou simplesmente planeados.

O problema é que, dada a profunda ocultação a que fomos sujeitos educacionalmente, tendemos a ver mapas e plantas como um produto recente, como se as construções antigas não requeressem um planeamento igualmente ponderado e colocado no "papel", antes de ser levado a efeito.

Não estou a pretender que é a única hipótese com sentido. Também poderia fazer sentido pensar-se que as cavernas funcionavam como prisões, e cada ponto representava um dia preso, ou que aquilo era uma espécie de tabuleiro do jogo do galo, que iam jogando para passar o tempo... tudo isso, e mais uma centena de possibilidades.

A questão que coloco é simples.
Tinham ou não os romanos uma planta de Roma, ou os atenienses uma planta de Atenas, etc.?
Se tinham, já alguém as viu?


Plantas romanas (Museu da Cidade de Roma)


Existiam de facto plantas de Roma em pedra, em mármore... e pergunto, quantas cidades de hoje tem a sua planta gravada em mármore, ou em pedra?
No entanto, como vemos, o que chegou dessa obra monumental de 18 x 13 metros em mármore, foram minúsculos fragmentos partidos. Para além disso, quantas pessoas têm a noção de que os romanos faziam plantas como hoje fazemos? Por que razão esta informação fica perdida num recanto de um museu, sem qualquer destaque?


Horror-a-mapas
Horror a mapas foi a manifestação de uma doença que consumiu a humanidade, e cujos principais doentes estão longe de estar curados. Destruir plantas de cidades foi só um dos muitos aspectos, mas na sua fase mais crítica levou à destruição de todas as imagens que representassem não apenas deuses, mas também imagens da realidade circundante.
Basta atendermos às directivas judaicas ou islâmicas na arte, para compreendermos a forma brutal como foram reprimidas todas as manifestações de imagens, o que levou então ao exemplo caricato do sujeito turco que não associava o cavalo à imagem do cavalo. Grandes pintores árabes ou judeus, antes do Séc. XX estavam proibidos de exercer... e mesmo os outros só começaram a poder recuperar o fino traço da Antiguidade, depois do Renascimento.
Portanto houve ordens... dos "deuses", ou "astronautas", ou mais simplesmente de alguns magos ou xamãs de serviço, para que fossem reprimidas e destruídas todas as representações, especialmente por imagens. Ainda hoje essas ordens são levadas a sério pelos radicais islâmicos... mas está longe de ser só aí que está a doença, que é mais profunda. Afinal, uma das maiores forças do poder pretende ser negar uma correcta informação sobre o passado.

Dito isto, ouso dizer, sem grandes problemas, que em nada me espantaria encontrar um bom mapa da Europa pintado numa caverna com 10 ou 20 mil anos... é claro que não seria bem desta Europa, porque o nível do mar não seria o mesmo.

Mas isso é outra conversa... de qualquer forma, lembro que foi a pequena Maria que sinalizou os "touros" de Altamira. O pai, o Marquês Sautuola, foi depois ridicularizado no Congresso de Pré-História, realizado em 1880, em Lisboa. Um dos principais opositores, Cartilhac, seria eleito curador da Academia dos Jogos Florais... a célebre academia Occitana, que referimos no texto anterior.
Na sua região occitana, uma outra pequena Bernadette ficara famosa uns anos antes, em Lourdes, pelas visões numa gruta, onde seria erguido um dos maiores monumentos ao culto mariano. Alguns anos mais tarde, também numa região de muitas grutas, outros jovens com outras visões marianas, e um novo local de culto, Fátima.
Curiosamente, e serve isto para fazer esse reparo, tirando as gravuras de Foz Côa, que mal se vêem, conheço apenas em território nacional uma inscrição pintada na Lapa dos Gaviões, e outra na Gruta do Escoural. Devo dizer que já entrei em grutas não abertas ao público, quando era mais jovem, e também nunca vi nada... Aparentemente, o desígnio artístico deve ter perdido ímpeto quando se passava a fronteira de Espanha para Portugal.

domingo, 26 de julho de 2015

Estado da Arte

"Estado da Arte" é uma expressão usada normalmente para dar conta da situação em que se encontra uma certa parte do conhecimento, geralmente designada como "arte".
Iremos procurar dar aqui sentido a uma outra interrogação, que não tem nenhuma resposta conhecida... pelo menos que faça sentido.

O maior problema que aqui ficou por resolver, é ilustrado assim:
Pintura Rupestre na Caverna de Font-de-Gaume, datada com 20 mil anos.

Se as restantes pinturas rupestres são notáveis, esta composição evidencia uma sensibilidade e um grau de abstracção surpreendentes. Os chifres não foram desenhados para corresponder a uma realidade observada, as pernas são estreitas e demasiado curtas, e sobretudo é uma cena que só uma alma muito insensível pode associar a "caçadas"... 
Diz-se que Picasso, depois de visitar a Caverna de Altamira terá dito: 
- Depois de Altamira, tudo é decadência...
A questão é muito simples. 
Depois de se atingir os píncaros da pintura, o que fazer nos 20 milhares de anos seguintes?

Tal como Font-de-Gaume, Lascaux, Chauvet, etc... uma grande parte dos mais notáveis registos de pintura rupestre estão na região Occitana, que em tempos romanos foi designada Aquitânia
Durante a Guerra dos Cem Anos, uma parte chegou a ser designada como Guyenne, ou Guiana, província que chegou a mãos dos Lancastre, e já aqui mencionámos que esse nome poderá ter sido corrompido em português para Guiné, pelos filhos de Filipa de Lencastre. 

Parte da região é conhecida como Languedoc, "langue d'Óc", em occitano "lenga d'Óc"... o que de certa forma corresponde a dizer "língua de Ó" - ou abreviadamente "linguadó", como alternativa ao nome Romance (designação das línguas românicas). 
Porquê o linguado? - Falamos da parte vocal, e não da parte bocal, do Romance. 
Podemos ver esse peixe como uma versão camuflada de uma raia (sendo que já falámos de Cronos e Raia... no contexto, da Raia miúda!)
Linguado usando o mimetismo como camuflagem na superfície.

Esta língua do Ó, ou dos Ós (ou ainda, se quisermos, língua de Oz) seria muito provavelmente a raiz de onde saíram as restantes línguas "latinas"... o que nem é especular coisa nenhuma, já que se assume o desvio das restantes num certo "Romance", a língua provençal.
E sim, estou a entrar moderamente em "jogos florais", porque foi em Toulouse criada a primeira Academia em 1323... a Academia dos Jogos Florais, em resposta à brutal repressão contra o movimento cátaro na Occitânia. 

Esta técnica do "jogos florais" não é bem como ler ao contrário "amor" em "roma", até porque por via das dúvidas, de "roma" sai também a palavra "romance"... que não é bem amor. Seria mais gerar-se aqui uma discussão entre escrever palavras "occitanas" ou "oxitanas". 
A querela poderia parecer minudência.
Por exemplo, procurar rebuscada relação com o osso occipital, na retaguarda do crânio... sabendo que os Neandertal, habitantes das paragens occitanas, tinham esse osso bem mais saliente. 
Noutra versão, oxitanas" poderia ler-se como uma manifestação política grega actual, no sentido de "Oxi, o tanas!"... entendendo que o "não-oxi" no referendo grego foi uma farsa! Convém relembrar que Tanas é a divindade primitiva, de onde derivam os nomes como "lusi-tana", "mauri-tana", etc.

Eram assim os jogos florais, alimentados por poetas, onde uns liam uma coisa, e outros, outra. Coisas próprias de tempos em que a chama ardente era mesmo a das fogueiras inquisitórias contra os cátaros occitanos. Mas, as coisas são como são, e não me é difícil ver muitas mais relações florais... porque afinal com dois Ós (oo) faz-se um oito (8), ou "octo" na língua de óc. E por aí adiante, com oc-culto, com oc-cidente, com mais ou menos óculos (que é como quem diz oc-olhos), e tantas outras palavras formadas com o prefixo latino "oc", entendido como "por razão de...". E, é claro, todo este jogo floral pode ser entendido como oco.

Para o que interessa, toda a região do sul de França teve um papel activo nas Cruzadas, sendo o porto de La Rochelle a base naval dos Templários, antes da sua extinção... sendo ainda mais significativa a própria Cruzada Albigense contra os Cátaros, levada a cabo pelo rei de França, que arrasou a ideia de cisão do Deus do Antigo Testamento, Jeová, do Deus do Novo Testamento, Jesus. Isto seria uma ideia particularmente mal vista pelos judeus, já que os cátaros remetiam o mal para o pai Jeová, e o bem para o filho, Jesus.

Madalenas
Não falamos de Maria Madalena, nem dos bolos a que se chamam madalenas, cujo formato é uma significativa vieira, de inspiração antiga no culto de Vénus.

A questão principal são os 20 mil anos, que separam os traços dos pintores trogloditas, dos traços dos pintores modernos.
Se em tempos remotos foi lançado o desafio aos pintores futuros... o Estado da Arte pareceu não ter evoluído de sobremaneira.
Alguém foi capaz de desafiar na pintura, os cervos de Font-de-Gaume?
Quando a técnica atingiu o apogeu, o que restou aos pintores modernos?
- Passaram do impressionismo aos movimentos mais abstractos, tornaram o traço mais grosseiro, menos realista. Mas será que alguma dessas tendências seria novidade, com efeito?
O que vemos nas pinturas rupestres não são também muitas vezes temas abstractos?
E os rostos humanos?
Por que razão escapavam de tema os rostos humanos, a quem com segurança desenhava de forma notável os animais que via?
Será que não houve nenhum pintor, durante todos esses milhares de anos, que não pintou sequer um rosto humano, com a mesma perícia com que desenhava bisontes e cervos?
Poderia ser proibido, certo, mas mesmo assim... haveria tal proibição capaz de impedir um rapaz de pintar a cara da sua amada, quanto mais não fosse por saudade, ou para impressioná-la?
Durante milhares de anos, em tantas grutas descobertas, e não se encontra um esboço?
De vestígios humanos pintados, só encontramos mãos impressas?
Pois, uma coisa é encontrar... coisa completamente diferente é conseguir divulgar a descoberta, nos nossos dias de ocultação. Se tal coisa existe, ou foi passada a ácido, ou ainda está bem escondida.

Bom, mas o que aconteceu aos habitantes das cavernas? Desapareceram?
O que é interessante é que nessa mesma região do Sul de França, restam habitações "trogloditas"... ou seja, algumas casas que foram feitas aproveitando as saliências da rocha.
É o caso do "Abrigo da Madalena", que acabou por dar nome a toda a Cultura Magdaleniana, associada aos Cro-Magnons no período final da Idade do Gelo.
Abri de la Madaleine - Sul de França (Tursac, Dordogne)

Talvez o caso mais bem conservado será a "Casa Forte de Reignac"

Esta "casa forte", só teve janelas abertas no final da Idade Média, e só recentemente passaram a autorizar a visita a uma sala e a um quarto. Apesar da habitação ser denominada "troglodita", porque se traça permanência humana até aos tempos paleolíticos, esta casa certamente vedaria o acesso a um interior de grutas pré-históricas, só possível de concretizar mediante autorização dos proprietáriso.

Certamente que a população muito mudou, mas não se poderá pensar que alguns dos habitantes da região poderiam traçar as suas origens a épocas perdidas na noite dos tempos?
- Afinal, nem os romanos levaram todos os gauleses como escravos, e sabe-se dessa contínua permanência de habitantes, desde tempos remotos.
É claro que isso se poderia afirmar para todos os povos... mas quando se mantêm casas na rocha, cujo acesso interior leva certamente a cavernas e galerias usadas desde o Paleolítico, estamos com uma continuidade, e preservação do local de habitação, a tempos da Idade do Gelo.

Entre o Estado da Arte, em que ficaram as pinturas rupestres, será que não podemos ser levados a pensar num outro "estado", num estado em que à arte era dada uma importância crucial, e que se poderá ter mantido em continuidade, desde a Cultura Magdaleniana até aos nossos dias... mantida por Magos e Magdas?
Claro que não há nenhuma evidência concreta nesse sentido... tirando uma propositada história de continuada ocultação, permanecendo em quase todas as civilizações de que nos chegou registo.

E nem tão pouco podemos dizer que cenas com fauna animal, como a de Fonte-de-Gaume, tenham desaparecido da pintura. Aliás, encontramos até exemplos disso nos Romanos.
Frescos romanos (1)

... no entanto, estes fragmentos de frescos, são apenas alguns dos múltiplos registos, que podemos encontrar entre os romanos, e cuja qualidade lembram tempos mais recentes da pintura:
Frescos romanos (2)

A maior parte encontram-se hoje em pedaços, mas alguns que restaram, dão-nos ideia de qual foi a força erosiva que esteve em presença, quando se tratou de apagar registos antigos
Frescos romanos (3)

... ou seja, numa boa parte dos casos, a força erosiva em presença, não foi nenhuma ruína natural - foram apenas homens munidos de escopros! E essa mesma força, continua a mandar no Estado da Arte.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

História "alienada", ou "ali é nada"?

O canal História tem difusão quase mundial, por integrar praticamente todos os serviços de TV por cabo. Para além de ter passado a integrar rubricas de lojas de penhores, tem sistematicamente apostado na difusão da teoria dos "deuses astronautas", lançada por Erich Von Däniken em 1968, há já quase 50 anos.

Nas caixas de comentários já abordei este assunto com o José Manuel, até com respeito ao próprio personagem Däniken, que vê agora no final da sua vida, uma divulgação surpreendente, com uma legião de seguidores, personagens que vão dos mais aos menos ridículos.

A atitude da academia perante as referidas bizarrias é simplesmente ignorar, e não havendo espaço ao contraditório, há já quase uma meia dúzia de anos que o canal História insiste nesta linha "alien", ou melhor, "alienada". 

Apesar de "alienada" e "ali é nada" serem expressões homófonas, o significado é diferente.
A teoria pode ser "alienada" e ali haver qualquer coisa, ou não ser alienada, e não haver mesmo nada.
Nesse aspecto prefiro a versão "alienada" às versões que assumem "ali é nada".

Porém, convém distinguir a substância da mera aldrabice.
Estar aqui a discorrer sobre o nonsense da série "Ancient Aliens" seria uma imensa perda de tempo. Tudo faz parte do espectáculo, e do negócio rentável envolvido. No meio da encenação acabamos por ter conhecimento de algumas coisas, que de outra forma provavelmente nunca notaríamos. 

Entretanto, como é natural, houve quem se tivesse dedicado a rebater praticamente tudo:
de Chris White
Ancient Aliens Debunked - (full movie) HD


Intro ( 0:00 ) Puma Punku ( 3:38 ) The Pyramids ( 22:41 ) Baalbek, ( 37:40 ) 
Incan sites ( 55:33 ) Easter Island ( 1:01:33 ) Pacal's rocket ( 1:05:36 ) 
The Nazca Lines ( 1:13:10 ) Tolima "fighter jets" ( 1:21:16 ) Egyptian "light bulb" ( 1:27:01 ) 
Ufo's in ancient art ( 1:36:08 ) The crystal skulls ( 1:46:38 ) Ezekiel's Wheel ( 1:58:17 ) 
Ancient nuclear warfare ( 2:11:16 ) Vimana's ( 2:20:50 ) Anunnaki ( 2:32:52 ) 
Nephilim ( 2:54:37 ) Conclusion ( 3:07:10 )

Trata-se de um filme de mais de 3 horas, que ainda não vi na totalidade, mas vi alguns tópicos, nomeadamente alguns tratados neste blog. Talvez depois na caixa de comentários escreva algo mais detalhado sobre cada um dos tópicos.

Não nos fechando às nossas convicções iniciais, é um filme que merece ser visto. Mas, como não há bela sem senão, se faz uma boa e severa crítica a algumas afirmações do programa "Ancient Aliens", inclusivé demonstrando que são ali ditas mentiras descaradas, por outro lado não deixa de incorrer em defeitos que critica.

Começando por Puma Punku, ou Tiahuanaco, fiquei surpreendido com as diversas "mentiras" apontadas ao programa, pois desde a dureza da pedra à precisão dos recortes, tudo é sempre afirmado com grande peremptoriedade. Mas é de facto caricato um dos personagens da série estar a tentar mostrar um perfeito ângulo recto, quando por isso mesmo, se vê que não é perfeito...
No texto Tiahuanaco Liliputiano já tinha notado que as dimensões do monumento eram muito mais reduzidas do que aparentavam, agora surgem mais estas novidades que este filme "desmascara", e que desvalorizam a "importância misteriosa" da mítica cidade inca. Claro que quando não podemos confirmar, ficamos apenas sujeitos ao contraditório dos que nos informam, nem sequer sabendo se ainda estão lá ou não as pedras originais...

Passando à frente, e sobre o assunto das "lâmpadas egípcias" figuradas em Dendera, parece-me claramente que o filme tenta simplificar o problema que tratei aqui no texto Lucerna. Primeiro porque ignora propositadamente a "pilha de Bagdad", como prova de electricidade em tempos antigos, e depois para tentar mostrar que há fuligem nos tectos dá como exemplo de limpeza numa parte que não é câmara subterrânea, conforme relatado pelos "alienados". A interpretação do desenho pode ser facultativa, e não tem que representar nenhuma ampola de vidro, mas ainda é mais discutível que não seja ambígua como representação.
Por isso, este é um dos casos em que o autor se esforça tanto por contrariar a tese dos outros, que cai nos mesmos erros de raciocínio claramente tendencioso. De qualquer forma, não seria por isso que as lâmpadas egípcias me merecem crédito. O que me deixa mais convencido nesta matéria é o texto de Rafael Bluteau em 1717 - que volto a citar:
Maravilhosas, mas tristes, inúteis, e sempre fúnebres foram as tão celebradas lâmpadas ou lucernas inextinguíveis dos Egípcios. Que maior maravilha, do que luz perene de uma incombustível matéria, sempre ardendo e sempre luzindo, sem socorro de novo alimento, porque sem consumo do primeiro?
... e Bluteau estaria longe no tempo e no espaço da descoberta de Dendera, para sequer pensarmos em tal afirmação como sendo mera especulação sua.

Os restantes assuntos só levemente foram aqui mencionados... mais nos comentários. Por exemplo, o assunto dos "crânios de cristal" vi-o sempre da mesma forma que vejo os emails de "banqueiros do Niger" que me querem dar dinheiro. Puro preconceito - não acreditei naquilo nem nos emails dos "banqueiros", pronto. Mas, não é preciso o crânio de cristal para nada. Basta termos visto aqui como os romanos processavam vidro delicado, induzindo filtros dicróicos (texto dos Comentários (5)), algo aparentemente mais complicado do que a manufactura do crânio de cristal.

É especialmente curioso ver que esta substituição de Deuses por Aliens é motivada pela crença científica moderna. Quis-se banir a religião, mas como ela é inata, acaba por manifestar-se de maneira semelhante. Um ateu ferrenho é capaz de negar deuses e anjos, argumentando que "nunca foram vistos", mas já admitirá a existência de vida extraterrestre, sem nunca a ter visto! Admite uma vida num espaço mais largo que a Terra, porque foi ensinado a pensar dessa forma, tal como antes eram ensinados a acreditar num espaço mais largo que a Terra, chamado Céu, onde viviam os anjos.
Portanto, esta mudança de "deuses" para "extraterrestres" não é nenhuma mudança, é vestir os mesmos conceitos, de poderes superiores externos, com outra roupagem.
Se os cientistas modernos fossem mesmo cientistas, deveriam admitir com o mesmo grau de probabilidade - quer a existência de vida noutro espaço (extraterrestres), quer a existência de vida noutras dimensões (anjos)... e se não o fazem, é por mero interesse político, ou mais vulgarmente, por simples ignorância. Nada tem de objectivo admitir uma possibilidade e não a outra.
Mais objectivo é prescindir das duas, e colocar o problema de onde ele nunca saiu - da Terra, e de uma hierarquia que a comandou desde o início das civilizações - de xamãs a magos, de sacerdotes a maçons.

Os "alienados" dos "Ancient Aliens" podem cometer diversos erros graves, mas nada é comparável à versão dos "oficializados" académicos que consideram aceitável historicamente terem-se passado mais de 150 anos entre a descoberta da Austrália Ocidental e a descoberta da Austrália Oriental.
Nisso, a teoria oficial é tão ridícula, que faz os mais malucos parecerem gente séria e credível.
Mesmo com todas as imprecisões, e até falsidades, é melhor saber da existência de coisas "suspeitas" por via de uma história alienada, do que se querer omitir dizendo que ali não há nada. Depois do fumo, podemos averiguar se há alguma chama, ou não.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Faraós & Faroés

O tema deste texto ficaria simplesmente ilustrado pelas imagens das Ilhas Faroé, que não apenas lembram Faraós pelo nome similar, mas também por estas formações geológicas notáveis, que lembram perfeitas pirâmides:
Ilhas Faroé - formações geológicas piramidais.
Esta seria uma forma típica, com que comecei aqui muitos textos, notando semelhanças fonéticas que deram títulos interessantes. No entanto, uma grande e principal diferença é que já não estou a trilhar nenhum caminho exploratório. Trata-se agora mais de um passeio, e o interesse de fazer este texto é residual, no sentido de não encerrar o blog por completo.

A semelhança fonética entre as Faroés e os Faraós existe também em inglês, e é até talvez maior, conforme se pode ver neste relato sobre uma marcação de viagem:
"I said the Faroe Islands, not the Pharoah Islands".

Como curiosidade adicional, fiz uma simples pesquisa para saber se havia alguma etimologia que ligasse uma coisa à outra, e não encontrei nada de relevante.
No entanto, encontrei um interessantíssimo livro
Archaic England de Harold Bayley (1919)
onde podemos ler uma folclórica ligação em que os habitantes das Faroé viam as focas como representações dos soldados do Faraó, afogados quando perseguiam Moisés pelo Mar Vermelho.
In all probability the phoca was a token of the Phocean Greeks who founded Marseilles: the phoca was pre-eminently associated with Proteus, and in the Faroe Islands they have a curious idea that seals are the soldiers of the Pharaoh who was drowned in the sea.
Provavelmente não seriam os únicos a usar esse mito, mas foi essa ligação remetida às Faroés que me permitiu encontrar o livro de Bayley. Esse livro começa com um capítulo chamado "Magic of Words", que remete ao fascínio da antiguidade das palavras... ou como é dito, a língua carrega uma história enorme que só parcialmente foi alterada pelas alterações gramaticais, impostas contra a tradição popular.
Bayley dá como exemplo o caso do lugar de Palmira, uma cidade síria (de que já aqui falei a propósito de Zenóbia), para enfatizar que a origem da toponímia se pode perder em milénios de história. Não tanto pelas ruínas de Palmira que seriam influência greco-romana, mas por uma cidade ainda anterior a essa, cujo nome mais antigo era Tadmor. Hoje a cidade recuperou o nome da tradição árabe, mas à época de Bayley, antes da independência síria, era mais natural aos ocidentais considerar Palmira como o nome antigo. Provavelmente estão ambas ligadas a "palmeiras" ou "tâmaras", indicando um talvez antigo oásis. Palmira fez entretanto notícia televisiva, pelo medo ao novo papão chamado "Estado Islâmico", e a associada destruição do património greco-romano.
[É sempre curioso saber que os exércitos de "drones" vigilantes são afinal muito selectivos nos inimigos que deixaram crescer, e que Israel se preocupa mais em bombardear escolas em Gaza, do que em incomodar os vizinhos lunáticos cortadores de cabeças em fatos de ninja... isto, é claro, sem duvidar da qualidade da produção em cena. Ninguém ousa confundir o filme transmitido às 19h55 com a notícia transmitida às 20h05... a entrada do logotipo do "telejornal", tal como uma campaínha de Pavlov, faz passar do modo ficção para o modo realidade.]

Bayley refere ainda uma tradição de ligar o deus Thor ao touro: "a bull, the symbol of the god Thor was called thor", algo já aqui falado algumas vezes (aqui e ali), entre outras múltiplas relações facilmente sugeridas pela simples fonética. Porém, não é minha opinião que estas coisas tenham resistido simples e puramente duramente milénios, apenas por perservação linguística na tradição popular... Ao contrário, é possível que as modificações ocasionais tenham partido a porcelana, mas a sucessiva colagem permite ver onde se encaixavam as peças.

Bom, quanto às pirâmides da Ilhas Faroés, não é impossível que sejam naturais, mas parece um caso ainda mais evidente que a propalada "pirâmide da Bósnia", e não é de excluir que possa ter havido uma alteração humana a escopro e martelo sobre a rocha.... para obter aquele aspecto mais quadrangular.
Convém não esquecer que, não muito longe, entre as Faroé e a Escócia, estão as Shetland, onde foram encontradas grandes torres megalíticas. Ver p.ex. notícia final em

Assim, havendo construções megalíticas nas Shetland, parece mais facilmente possível uma modificação do relevo das rochas, para obter o aspecto piramidal.... isto sugere uma possível utilização até das Faroés como Faróis de referência, para limite da navegação a norte. Se o grande Farol de Alexandria, referência egípcia, foi proeza dos Faraós Ptolomaicos, nessa altura seria perfeitamente possível navegar até aos limites do Norte da Europa.


domingo, 24 de maio de 2015

Princípio Antrópico

Entre as diversas coisas que podem ser encontradas neste blog, e que contemplam uma História mais antiga, primordial, está a consideração básica de que o Universo evoluiu para formar a inteligência, porque sem a existência de seres inteligentes, um universo de escória e calhaus nunca ganharia consciência de si (ver Arquitecturas (3)).
Acabei, entretanto, por encontrar a mesma reflexão com o nome de
e que parece ter sido debatida desde os anos 1950, 60 e 70 (J. A. Wheeler, R. Dicke, J. Barrow, F. Tipler, B. Carter, entre reconhecidos físicos e matemáticos).
Isto é para mim pouco relevante, mesmo. Não procurei, nem me interessa saber, se o assunto teve, tem ou terá mais ou menos adeptos, e por que razão. No entanto, terá interesse para o leitor saber onde poderá encontrar outros autores com trabalhos publicados, e com ideias semelhantes.

Este "princípio antrópico" ao colocar a inteligência como objectivo da evolução universal, tem o inconveniente de ir contra a religião darwinista implantada, e sofre críticas primárias (p. ex.  dererummundi.blogspot.pt), mais próprias de quem não faz a mais pálida ideia do que está a falar.

Assim, é escusado fechar os olhos a que estas coisas suscitam paixões contrárias, com dedicadas legiões de fundamentalistas religiosos ateístas, promotores do niilismo total, até porque vêem este princípio antrópico ligado a uma ideia de desenho inteligente, ou seja, a uma certa perspectiva criacionista.
Como as minhas considerações não tiveram nada a ver com o "criacionismo divino", este chamado "princípio antrópico" só coloca o homem no centro, se admitirmos que a única inteligência possível é a humana.
Ora apesar de ter já tornado claro (p.ex. de-natura-deorum.html) que a inteligência artificial é uma impossibilidade, pelo simples absurdo de que uma máquina finita não pode conceptualizar o infinito (ou outras noções abstractas), isto não invalida que uma inteligência semelhante à nossa não se possa desenvolver noutros contextos, biológicos, ou mesmo cibernéticos.

Equivalências
A cegueira fundamentalista religiosa do ateísmo moderno, não conseguindo negar este princípio antrópico, onde o Homem aparece como objectivo da evolução, acusa-o de ser uma "verdade de La Palisse", como se a afirmação darwiniana da "sobrevivência dos mais aptos", não fosse também ela uma verdade de La Palisse, mas esta já aceite sem pruridos.
Depois, indo a truques baixos, vai chamar da tumba o positivismo de Karl Popper, para poder negar as verdades "auto-evidentes", que não são consideradas científicas, porque não são susceptíveis de falsificação. Esta "ciência da falsificação" convém a qualquer corja falsária, que recusa à aritmética a dignidade falsária da ciência, mas não prescinde dela para as continhas que dão jeito. 

O leitor racional deve tanto quanto possível afastar-se dos feiticeiros e seus aprendizes, e procurar entender que há até razões críticas de ambos os lados.
De facto, perante a constatação de que o Homem é o resultado improvável de uma evolução universal, é igualmente objectivo dizer que foi causa, ou que foi consequência, dessa evolução.
Porquê?
Foi causa, porque sem inteligência, este universo nunca teria nenhum observador inteligente, o que seria equivalente à sua inexistência. Pensar na existência de um universo sem seres inteligentes, é simplesmente esquecer que não há observado sem haver observador. No entanto, o nosso Universo é suficientemente abrangente para admitir o raciocínio de tolos dispostos a negar tudo. Se nenhum universo tivesse admitido inteligência, simplesmente não teria existido nenhum universo, por falta de observador. Os que negam isto, pensam nos seus universos inconsistentes perdidos, mas só o podem fazer porque foram salvos num universo consistente que os acolheu, para sequer poderem pensar nisso.
Assim, por mais absurdas e irracionais que sejam teorias, com os seus big-bangs e relatividades da moda, encontram espaço no imaginário de hoje para falar de um passado sem pés nem cabeça. O nosso passado só fez sentido tendo em vista uma consistência que nos trouxe a este presente. E é nesse sentido que também podemos nos encarar como consequência do passado, e não apenas como causa. O caminho que traçamos do presente para o passado tem que ter consistência, independente de uma nossa existência pré-assumida. 
Numa limitada perspectiva determinista, que vê o futuro condicionado pelo passado, é precisa essa consistência racional mínima para o caminho saído do "nada". Numa alargada perspectiva quântica, as possibilidades do passado só fizeram sentido pelo próprio resultado futuro. Ou seja, se o caos fosse meramente uma probabilidade acéfala, o único futuro que permitira perceber e assegurar a existência do passado, seria o que lhe pudesse ver o traço, invertendo o caminho. O que isto significa é que um passado indetectável, a partir do presente, seria igualmente equivalente a um passado inexistente. 
Para um niilista, onde o caos não tem ordem, a história é qualquer... é uma história da carochinha, e é definida pela liberdade de pensamento da moda dos mandantes inspirados, nunca interessando perceber de onde vêm as ideias do pensamento, que isso só atrapalha as certezas cegas da ciência moderna.

Dimensão 3
No referido artigo da wikipedia, fazem-se algumas considerações sobre a ordem do nosso universo, indo ao ponto de Barrow e Tipler sugerirem que "com grande probabilidade, a nossa espécie é a única inteligente na Via Láctea": An entire chapter argues that Homo Sapiens is, with high probability, the only intelligent species in the Milky Way.
Presumo que essa consideração é meramente estatística, tendo em atenção a necessidade de estar suficientemente afastada do centro galáctico, e dentro dessa hipótese considerar condições ideais para o desenvolvimento de vida com atmosfera, etc... acabam por ser tão reduzidas ou tão alargadas, quanto a vontade de distorcer estatísticas.

Porém, o mais interessante é a consideração sobre as 3 dimensões.
Num pequeno gráfico são analisadas as possibilidades de existirem mais dimensões, não apenas espaciais, mas até temporais. Foi concluído que universos com dimensões superiores a 3 seriam instáveis, não permitindo nem estabilidade atómica, nem mesmo ao nível das órbitas planetárias. A única possibilidade para evitar essa instabilidade seria aumentar também as dimensões temporais!

Aumentar as dimensões temporais é algo que não imaginamos facilmente, mas seria equivalente a admitir a possibilidade de varrer universos 3D simultaneamente. Ou seja, em vez de vermos apenas o futuro de uma maneira, veríamos todas as suas variações. Porque se o tempo não implicar apenas um desfecho, ficamos com um rasto de possíveis desfechos. O tempo ser único é que determina a noção de verdade e falsidade. Por isso, aumentar as dimensões temporais corresponderia a universos onde a verdade não se impõe contra um absurdo.  De certa forma, convivemos com duas dimensões temporais quando somos levados pela imaginação, pelo sonho, para um outro tempo e outra realidade, mas mantemos o regresso a um único tempo, o tempo em que estamos no "acordo", em que acordamos com os outros.

Abaixo de 3 dimensões aparece "demasiado simples", ou seja seriam universos onde não se manifestaria nenhum caos, e tudo seria demasiado previsível, não podendo levar a nenhuma inteligência. 
Por exemplo, se pensarmos num ser a 2 dimensões, simplesmente não poderia alimentar-se... já que o canal do estômago separaria o animal em duas partes (basta fazer um desenho de um boneco com o canal da boca ao ânus, para perceber que ficaria dividido em duas partes)!

O caso sem tempo corresponderia a um universo estático, congelado, e tal coisa pode ser encarada num agregado 3D+1T = 4D concluído. A simetria de possibilidades deveria ser mais evidente, e desconheço a razão de invocar os hipotéticos taquiões no caso 1D+3T... mas também não há grande interesse nesse assunto.
O único interesse adicional é a informação de que a luz, e todas as ondas de rádio funcionariam apenas em dimensão 3, e de certa maneira a ideia que a estabilização das constantes físicas sugere a convergência para um universo físico que não será de índole caótica. Isto é uma das ideias que reforça a adequação do universo à nossa compreensão facilitada dele.

Sinais do Tempo
Por razões que não interessam, fui "forçado" a pensar em várias dimensões espaciais, temporais, e não apenas finitas, como as consideradas acima. Nesse deambular interrogativo, é fácil perceber os caminhos onde o caos irá imperar... como por exemplo, quando assumimos "pretensos paraísos" onde somos levados para situações sem referencial de verdade. Pretensos paraísos, porque sugerem libertações de restrições temporais, podendo fixar ou revisitar momentos bons, mas todas essas ofertas têm um contraponto pouco evidente, mas claro... desacordo, isolamento, por afastamento de uma verdade.

Apesar da imaginação nestes assuntos poder parecer grande, não vi neste caso a consideração do sinal do tempo. E até ao momento em que tive que pensar nisso, de facto não me lembrara do problema. 
As ideias de futuro, as concepções futuristas, dificilmente podem ser explicadas do passado. Não é por razão do pequeno-almoço, ou de um bom almoço, que nos surgem ideias futuristas. É mais fácil que surjam de forma "inexplicável", por inspiração num sonho, ou por reflexão num simples detalhe. Seja como for, são ideias que, inexistentes num passado, só surgem no presente tendo em vista um certo futuro. Nesse sentido podemos vê-las como vislumbre de um certo futuro, como uma qualquer outra visão, mais ou menos racional. 
Se sobre o nosso passado, dificilmente podemos pensar em mudar as coisas, as pressões para seguir um ou outro caminho futuro, podem ter uma razão bem simples. Porque, apenas escolhendo um futuro, haverá múltiplos futuros que serão omitidos, obliterados. 
Ora, admitindo o princípio antrópico mais forte, não estamos apenas em um dos possíveis universos, estamos no Universo consistente que permite conceber os restantes, mas não com a mesma validade. Por razão de verdade, há o tempo único da realidade, e o resto é imaginário. O imaginário é a componente que escapa à realidade construída e definida pelas restrições consistentes do passado. E assim é nesse campo que se joga o futuro... porque uma certa imaginação leva a um futuro e outra ignora-o ou suprime-o. O que para nós será futuro, não significa que não seja em certa medida, um dos múltiplos resultados fundados e definidos pelo passado.
Ora o casamento entre o passado e o futuro faz-se a cada presente, mas sem poligamia... e por isso os futuros que se mostram na imaginação são convites à construção de uma realidade, tendo em vista esse futuro, normalmente apelativo ou assustador para o visitado, pela ideia de futuro que se lhe apresenta. Quanto mais claro se apresentar esse futuro, mais essa ideia o condena um determinado desenrolar previsto, e fará sentido se se conjugar com o passado que conhece, mas será uma completa ilusão infernal, se ao puxar a cabeça as tentações fizerem esquecer os pés assentes na Terra, pela ordem do passado. 
Por razões de desvios, de mentiras cimentadas, o próprio passado consistente só está completamente definido em consistências físicas, e não em escritos ancestrais. Há o que tem a flexibilidade de ser encaixado e modificado - e aí cai praticamente toda a história da carochinha mal contada, e o que dificilmente pode ser modificado, pelos registos de verdadeira ciência. 

Quando chegamos a momentos cruciais, podemos ou não ter a ideia da colisão entre mundos que vão ficar condenados à parte imaginária, ignorados pelo mundo que será realidade. Nessa colisão, que define sempre o presente, o maior conhecimento da ordem científica, estreitará cada vez mais o passado, e com isso limitará cada vez mais o futuro. Assim, do futuro surge o habitual caos pronto a reformular tudo, a arrasar o passado, para um vislumbre de futuro risonho, mas limitado. Nesse caso, a agitação das cabeças faz levantar a temperatura a valores escaldantes. Enquanto pela imposição restritiva de um passado, as possibilidades futuras procuram ser condicionadas exclusivamente por essa ordem conhecida, que tenta manter tudo previsível, congelando as cabeças, e estreitando as possibilidades futuras. 
Escusado será dizer que é inevitável um compromisso entre o caos e ordem, mas isso nem sequer será preciso definir... o piloto automático já foi ligado (pois), e resta assistir e procurar compreender.

sábado, 2 de maio de 2015

Uma ilha chamada Brasil

Deixei este blog durante mais de dois meses sem qualquer publicação.
Não foi a primeira vez... por exemplo, entre Outubro de 2011 e Março de 2012, não publiquei aqui nada.
Para além de afazeres pessoais, que não interessam ao caso, só me motiva escrever se tiver algo de novo para dizer, que não seja um simples repetir do que já foi dito, e acima de tudo quando considero que estou nalgum caminho com interesse, que me interesse.

Quando parei em 2011 foi pelas mesmas razões. Tinha chegado ao fim de um caminho, e de certa forma estava algo confortável com as respostas encontradas. Mantive o "canal aberto", porque não gosto de encerrar portas, e sabia intimamente que ainda havia coisas a esclarecer.
Simplesmente, não estava a ver como fazê-lo, e evito ao máximo estar a "escrever por escrever"... aliás, nunca tive nenhum propósito de cativar ou fixar leitores, tanto quanto procurei não afastar nenhum comentador.

Convém entender que nos alimentamos do desconhecido.
Manter o desconhecido é tão importante para a sanidade do espírito, quanto a água é para a sanidade do corpo.
A situação parece contraditória, mas o problema é evidente.
O indivíduo pode colocar um objectivo acima dos outros, mas esse objectivo só se mantém importante até ser atingido. Atingido esse objectivo, a pessoa precisa de colocar imediatamente nova fasquia, e não concebe que pode chegar a um ponto onde não há mais fasquias.
Ninguém quer ter as respostas a todas as questões.
Só quem não pensou no assunto é que pode imaginar que tal coisa é positiva.

Quando acabamos de ler um qualquer texto, por mais revelador que seja, ninguém quer pensar que tudo o que havia para saber acaba ali. Muito pelo contrário, o que pensa é no que fazer de seguida... mas a questão é simples - uma vez esgotados todos os objectivos, qual o objectivo seguinte? Quando a gula tudo esgota, nada resta.
Por isso, a última situação que alguém deseja é o conhecimento ou o poder total. Se tem essa ambição é porque simplesmente está demasiado longe de o conseguir, e por isso tem muito desengano que trilhar. Pode trilhar à vontade por esse beco sem saída, porque quando chegar próximo de o perceber, o pânico será tal que colocará todos os travões a fundo, e procurá a última gota de água de imprevisibilidade num enorme deserto onde se quis meter, esquecendo que areia sem mar não é nenhuma praia.

Evitei escrever sobre os bastidores destes escritos, porque sempre considerei que o principal problema da mensagem era o mensageiro. As pessoas focam-se demasiado umas nas outras, e não entendem que o problema fundamental está em encarnarem ideias, e as ideias não são de ninguém.
A principal fonte de medo que temos não resulta da nossa impotência, resulta da nossa potência.
Quando nos convencemos da nossa impotência, por exemplo, por motivo de doença, aceitaremos tratamentos a que de outra forma fugiríamos a sete pés, e até veríamos como tortura.
O medo não incide apenas sobre o que vai acontecer, incide essencialmente sobre a ideia de impotência em evitá-lo. As pessoas armam-se, confiando que uma arma lhes dará uma potência que não têm. Porém contra qualquer potência, levanta-se uma potência maior, e por isso é uma ilusão circunstancial e aparente. Procurar uma potência total é um caminho para um deserto, em que só tarde o indivíduo percebe que se perdeu sozinho no labirinto dos seus intermináveis medos.

Assim, as coisas são suficientemente intrincadas, porque nem podia ser doutra forma.
Os que caem na ideia obtusa do self-made man, imaginam-se por momentos deuses, que esqueceram a massa que os pariu do nada. E essa massa cobra caro quaisquer ilusões. Essa massa, não é palpável, mas tem um nome - caos.
Assim, o mesmo caos que faz acreditar a uns serem o alfa-e-ómega universal, se acidentalmente os ergue ao topo, também acidentalmente os pode fazer estatelarem-se no chão, esmagados pela sua insignificância objectiva que, afinal de contas, igual à dos demais.

Ora, se inicialmente comecei a escrever aqui por constatar uma monumental farsa histórica, que me surpreendeu, o problema principal seguinte era perceber de que forma arranjava um sentido para tudo isto. E "tudo isto" não era só a questão histórica, algo lateral, era essencialmente cair nas velhas questões filosóficas. Por isso este blog acabou por se transformar, em parte, numa manifestação desse desconforto filosófico. Com uma diferença principal... se as minhas deambulações anteriores eram privadas, aqui passariam a públicas. Assim, acho que acabei por beneficiar dessa decisão pessoal, já que ao tornar as coisas públicas, fui forçado a manter uma objectividade, e esquecer por completo outros factores subjectivos.

No entanto, como os factores subjectivos pesaram no que aqui foi escrito, para melhor compreensão do blog, seguem alguns apontamentos que omiti ao longo destes anos.

Não voltei ao Algarve desde que passei uma semana de férias em Lagos em 2009... e entretanto já andei por quatro continentes.
Assim, chamar a este blog "Alvor-Silves" acaba por ser algo caricato, porque creio que nunca passei por Alvor, nem por Silves, das várias vezes que fui ao Algarve.
Algum tempo depois, no início de Outubro de 2009, ao olhar para um antigo mapa de Reinel, disponível na internet com uma grande resolução, reparei numa pequena marca circular... com o nome "Brasil". 
A questão era simples... o que fazia uma ilha Brasil perto da Irlanda?
Sobre esse assunto - As Ilhas Míticas do Atlântico - um trabalho de Rui P. Martins (Quintus), foi do pouco que encontrei escrito sobre o assunto, à época, e não mudou muito.

Foi essa ilha chamada Brasil que me puxou para o desconforto de recusar o engano histórico.
Desconforto, porque o mundo é bem mais simples quando acreditamos no que os outros nos dizem.
Durante os meses seguintes, até Dezembro de 2009, procurei fazer um conserto das informações históricas contraditórias, com uma teoria que finalmente fizesse algum sentido, pelo menos para mim.
Quis perceber absurdos gritantes, como o de chegar a Timor, Malucas, e ilhas circundantes antes de 1514, sem admitir a existência da Austrália... até que os holandeses a avistassem por volta de 1600, e serem precisos mais 150 anos para Cook cozinhar com Sandwich o "descobrimento" da parte restante da Austrália, renomeando a Nova Holanda.
Por isso, são certamente os australianos mais atentos, como Peter Trickett, os que mais se intrigaram com este desprezo mirabolante do sem-número de navegadores que passaram ao lado da sua ilha-continente, por simples decreto histórico político-académico.

Apesar de ainda ter feito um contacto para divulgação jornalística das conclusões, rapidamente percebi o óbvio - se o assunto estava submerso, não era porque não fosse conhecido... havia informação que deixava suficientemente claro que o assunto estava propositadamente enterrado há séculos. Por isso, deixei completamente de lado o caminho académico, ou por editoras, bem vigiadas, e optei por usar a internet como abordagem de divulgação.

A minha ideia era simples. Havendo um razoável número de pessoas para quem as histórias dos descobrimentos não colassem bem, o que tinha para apresentar haveria de suscitar algum impacto. Procurei perceber qual seria a eventual reacção nas redes sociais - à época ainda mais centradas nos blogs do que no facebook. Bom, e como é óbvio, não havia propriamente muita gente interessada em discutir história, e ainda menos gente receptiva a teorias que não fossem as suas.
Acabei por escolher um blog envolvido numa polémica de ocasião, sobre Afonso de Albuquerque

A esse propósito, cumprem-se em Dezembro de 2015, quinhentos anos sobre a morte de um mítico símbolo da expansão portuguesa no Oceano Índico, demitido do cargo de vice-rei em 1515, quando conquistara o Suez, e pedira autorização real para invadir a sagrada Meca, com a finalidade de a trocar pela sagrada Jerusalém.
O excesso de sucesso militar do César do Oriente terá sido o seu principal problema em Lisboa, e pude saber que ainda hoje ecoam nos bastidores rivalidades familiares com cinco ou mais séculos.
Se em 1998 houve vontade de celebrar Gama, a partir daí, tirando alguma comemoração de Cabral em 2000, mais entusiasta festa brasileira que portuguesa, mergulhou-se num longo esquecimento.

Bom, entre 13 e 31 de Dezembro de 2009 publiquei 6 textos com alguns factos e conclusões, mas como o tema "história" foi imediatamente considerado inconveniente no tal blog (levando até à demissão de quem escrevia sobre o assunto), não pensei fazer mais nada de especial. O tema parecia cercado de todos os lados, e limitar-me-ia a este blog como espaço aberto a outras discussões.
Sobre o eventual impacto da divulgação que fiz, conheço pouco de objectivo, relatável a terceiros.

Nesse período, alguém fez a gentileza de me fazer saber de uma reunião de bastidores, que informara esses presentes sobre a "revolução dos cravos" antes de ocorrer... e de que a mesma campainha tocara naqueles dias. Era um tempo complicado, em que Sócrates alegava que "o mundo mudava a cada 15 dias", e Cavaco alarmara o país com um discurso de ano novo em que falara de "situação explosiva". Mas enfim, a crise financeira começava a instalar-se e um grande descontentamento estava naturalmente associado. Uma coisa é a percepção pessoal, outra coisa são dados objectivos, mesmo que implicitamente sugeridos por terceiros.
Lembro-me de um evento curioso na "minha televisão". Na tarde de 4 de Janeiro de 2010, vejo na SIC duas senhoras, uma escritora de cordel, e outra mais conhecida por ser mãe de políticos. Qual o objecto da sua conversa trivial? - Um "personagem mistério com revelações inéditas sobre a história nacional, mas que recusava aparecer"! Para além de sugerirem títulos e condecorações ao sujeito, viam como solução o seu aparecimento na sombra de outro escritor. A situação era tão ridícula que chegaram a apresentar esboços ilustrativos. Ao mesmo tempo, na RTP estava um comentador socialista que sugeria um local de encontro com o "ceguinho"... curiosamente, há coincidências, tinha o meu nome. Acabei por me cruzar com esse comentador, ex-ministro, uns dias depois.
Quanto ao tal "personagem mistério", não se falou mais disso, e será mistério até hoje. Quando fui procurar o tal programa, uns meses depois, no arquivo online, não encontrei nada.
Foi um tempo estranho, e estas foram só algumas das muitas "estranhezas".

Aquilo, que vemos, e interpretamos, dificilmente é objectivo num mundo em que a televisão, a internet, e tudo mais, nos chega por canais que nos podem ser difundidos individualmente, com conteúdo diferente, ainda que pensemos que a difusão é geral. Sem outra confirmação, o que vemos ou ouvimos nunca é objectivo, é sempre susceptível de dúvida alheia, mesmo que seja uma certeza para o próprio, que não duvida da sua visão e audição... mas que pode ficar numa situação complicada se insistir na sua fé contra proveitos de uma farsa alheia.
Assim, fica-se sozinho, ou quase, e espera-se que o tempo resolva o assunto. 

O tempo passa, mas as coisas podem tornar-se mais complicadas.
Uma coisa é passar a noite, como por exemplo, a escrever um texto com o Abraçadabra, e no final pensar... "hmmm -alguma coisa terá que mudar". Acordar depois com uma inédita resignação papal, tem o grau objectivo de relação semelhante à do bater de asas da borboleta australiana com o furacão americano. Problema nunca é uma meia-dúzia de incidências separadas, que só intrigam quem as quiser alimentar. Problema são dezenas ou centenas de coincidências diárias, pelo simples facto de se ter entrado numa certa sintonia relacional com o ambiente circundante. Isso já é mais difícil de explicar. Quando pensamos que já vimos tudo, e já pensámos em todos os cenários, acaba por aparecer novo motivo de reflexão. E isso não é mau, pode ser até bom, mas em certos assuntos deve ter um limite.

Assim, em 2011, acabei por abandonar estes escritos durante um tempo, porque até achei que não adiantaria mais no assunto, apesar dele não estar findo. Enganei-me, e em Maio e Julho de 2012 acabei por conseguir tirar novas conclusões relevantes. Pela minha parte estava de novo satisfeito, mas em Março de 2013 fui forçado a perceber que eu estar satisfeito com as conclusões, pouco interessava ao assunto global. É daquelas situações em que se percebe o outro significado da expressão "se Maomé não vai à montanha, a montanha vem a Maomé". Bom, mas o assunto não ficou resolvido em Março, e no final desse ano, creio que a montanha quis saber se tinha parido um rato, ou tinha sido parida por ele.
Nem uma coisa, nem outra, e estamos nisto, sem mais incómodos desde aí, no que me diz respeito.

Dito isto, que dificilmente fará sentido para a generalidade dos leitores, interessa que este espaço serviu um propósito, e que ultimamente não tem havido notícias que me tenham motivado outra escrita.
Poderá mudar ou não, mas mantenho-me numa posição estóica, que não é egoísta por potência, mas sim por manifesta impotência. A potência constrói-se da ordem, pelo racional do passado e tem um garantido fim futuro, já a impotência é um simples acreditar no racional do caos que é um presente a garantir um interminável futuro.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Ilhéus

Sobre os registos arqueológicos dos Açores e as novas investigações já escrevi aqui bastante. 
Por exemplo:
Recebi alguma nova informação (por via do Prof. Joaquim Fernandes, autor do livro sobre o Cavaleiro do Corvo). Em particular, numa certa compilação destes temas dos Açores, há o trabalho da investigadora Antonieta Costa, sob o título :

... investigadora que podemos encontrar nesta entrevista da RTP-Açores (27/10/2014):


... e onde se lê: "O estudo de várias pias, da autoria da investigadora Antonieta Costa, já deu lugar a duas publicações na Alemanha."  Esta observação é tipicamente portuguesa e perfeitamente dispensável. Talvez sem saber, pode até menorizar o seu trabalho, porque a editora alemã onde publicou é conhecida mundialmente por publicar praticamente tudo.

No entanto, esquecendo o mundo das chancelas com respeitável carimbo, também se encontrava na lista de email uma versão que envolve explorações primitivas, supostamente feitas pelos faraós egípcios, segundo teoria de R. M de Jonge:
onde podemos ler
The three island groups of the Azores might refer to the Third Dynasty of Egypt (Fig.1). The two islands of Madeira may encode the 2nd king Djoser (c.2753-2723 BC). Together these archipelagos contain 9+2= 11 islands, which indicate the discovery of Australia at Cape York, Queensland, at 11°S, 11 Moiras= 110° east of the River Nile, when measured along the equator (1 Egyptian Moira= 10 moiras= 10° of latitude). - So, king Djoser discovered Australia at the eastern crossing from New Guinea. 
Acresce uma teoria mais abrangente que vai de Stonehenge à Nova Zelândia:

... sendo sempre tudo possibilidades, convém sempre não perder de vista o essencial - não perder a razão, por querer ter razão ou por deixar que os outros a tenham.

Há assim uma diferença entre posições com sentido, que questionam os factos, porque têm que ser questionados, dadas as evidências que contrariam a História contada, como é o caso de Antonieta Costa. Essa posição é diferente das que a partem de uma teoria para explicar tudo, e tentam encaixar tudo nessa teoria, como parece ser o caso de R. M. de Jonge. Normalmente essas teorias resultam de uma ideia simples - no caso, os egípcios navegaram todo o planeta - e tudo é visto nessa base.

Ora, que os egípcios pudessem navegar todo o planeta, é uma ideia que nem sequer oferece espanto. Nem teria problema em aceitar que Djoser tivesse chegado à Austrália. Não sendo este o argumento de R. M. de Jonge, numa notícia de Outubro de 2014, podemos ler que os Hieróglifos de Gosford "foram considerados autênticos":

Hiéroglifos de Gosford - Austrália
A eventual prova de autenticidade de Gosford, seria, esse sim, um facto incontornável na presença Egípcia em paragens australianas.

Mas, a questão é muito mais perceber se essa história fica por aí... ou seja, se basta ficar contente com essa razão, ou se é apenas parte duma História que se sabe estar muito mal contada. Que o Egipto teve um papel importante e decisivo na História, não parece haver grandes dúvidas, apenas porque aí se encontram os registos mais antigos que sobreviveram até aos nossos dias. No entanto, também vai parecendo claro que a civilização egípcia esteve longe de ser a primeira a implantar-se.

Também é possível que os egípcios pudessem chegar aos Açores, mas os registos encontrados apontam sim para os fenícios.


A macacada e as ilhas
Ora, candidatos a navegações existem desde o momento em que as primeiras ilhas foram colonizadas.
Não falamos das ilhas que estavam à vista, ou alcançáveis em tempos que o mar desceu.
Os verdadeiros candidatos a serem pioneiros em grandes navegações ocorreram desde que as primeiras ilhas - fora do horizonte - foram alcançadas e colonizadas.

Porque, sejamos claros, dois ou três pescadores que se perdem no mar, não formam uma colónia insular. Só houve colonização quando houve uma travessia capaz de convencer uma ou várias famílias a partir. Isso implicaria conhecimentos de navegação suficientes para o risco tomado. E uma vez alcançado o objectivo, esses conhecimentos de navegação para a ligação ao continente não se perderiam.

O Chipre tem registos neolíticos que datam de há 12 mil anos, ainda em período glaciar (ou pelo menos construções de há 9 mil anos em Khirokitia). Se a Sicília é visível da ponta da bota italiana, uma migração para Chipre só poderia ser feita com um conhecimento avançado de navegação em mar alto.

Porém, o Chipre não foi o primeiro caso. 
A perda do medo do mar deu-se na Oceania, especialmente se atendermos a que colonização das Ilhas Salomão está datada de há 30 mil anos. Essas ilhas não se vêem da Nova Guiné, nem há uma plataforma oceânica baixa, que se supõe ter "quase" ligado a Austrália a todas as outras ilhas até ao continente asiático, em época glacial. 
Este "quase" tem uma razão - há uma profundidade considerável entre os mares das Molucas e de Banda, que inviabilizaria uma passagem "a pé", mesmo em época glaciar. Os grandes primatas - orangotangos - encontram-se no Bornéu e em Sumatra, do "lado de cá"... do outro lado, quer na Nova Guiné, quer na Austrália, não se encontram primatas.

Por que razão a macacada não conseguiu fazer o salto australiano?

Portanto, mesmo a entrada humana na Austrália (apontada para 40 mil anos), não se terá dado sem algum tipo de navegação bastante razoável.
Porém, haverá talvez uma grande diferença entre as migrações insulares na Oceânia e as que viriam a ocorrer nas ilhas mediterrânicas - as ilhas polinésias permitiam uma fácil auto-suficiência!

Quando falamos aqui de migrações insulares, datando de tempos glaciares, temos que entender que o nível baixo do mar permitia uma configuração de ilhas muito diferente da que nos habituámos a ver nos mapas de hoje.
Por exemplo, indo buscar um mapa que já aqui apresentámos:
Situação geográfica com o nível do mar baixo - configuração provável em época glaciar (verde).
Neste contexto, da relevância de ilhas na evolução da civilização humana, vemos que aparecem vários candidatos a um estabelecimento atlântico... e a região açoriana deixa de aparecer como uns simples pontos perdidos no grande oceano - passa a ser um grande triângulo. Mas esse nem teria sido o primeiro ponto alcançado... simplesmente os restantes estão hoje completamente submersos (mas ainda assim, há um significativo arquipélago que pertence à zona marítima portuguesa).

Mesmo esquecendo o mito da Atlântida, os "Povos do Mar" (e os "Pelasgos", a quem os antigos gregos remetiam o primeiro estabelecimento insular na Grécia), tinham uma reconhecida capacidade de influenciar e invadir as civilizações anteriores. Tal como os vikings no período medieval forçaram a concessão de terras, passadas a terras normandas.

Portanto, é mais que natural que os primeiros navegadores tivessem um avanço tecnológico sobre os restantes, permitindo-lhes entrar num território, saquear as suas vantagens, e desaparecer no mar sem rasto.
Quem foram esses primeiros navegadores, e de que forma impuseram a evolução das outras civilizações ao passo da sua... pois essa será uma questão fundamental.