Alvor-Silves

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A linha que divide a terra, o mar e os céus

É com estas palavras: 
"este local forma uma linha divisória entre a terra, o mar e os céus",
que Plínio coloca o Promontório Magno, hoje dito simplesmente Cabo da Roca.
Promontório Magno, Artabrum, ou de Olisipo,
dizia Plínio... ou seja, dizemos hoje - Cabo da Roca (foto)

Não é apenas assim... apesar de começar no 3º Livro com a Bética, Plínio vai descrever a Europa até fechar o ciclo e regressar à Lusitânia, no 4º Livro, Cap. 35. Começa a Europa na Bética, numa margem do Rio Ana (Guadiana) e termina na outra, na Lusitânia. Maneira curiosa de fazer o périplo europeu...

"Onde a terra acaba e o mar começa...", Camões terá usado outra expressão para esta Finisterra, agora a parte mais ocidental da Europa continental.
Este "agora" é aqui propositado, devido à descrição de Plínio, que parece confundir a Roca Lisboeta com a Finisterra Galega... o tradutor inglês queixa-se disso, aliás.
Porquê?
Porque Plínio faz neste ponto a divisão - de um lado fica o Norte, o mar Gálico, e do outro lado o Oeste, a face de Espanha. Esta descrição apenas seria compreensível hoje referindo-se ao Cabo Finisterra - é isso que o tradutor diz. Porém, toda a sequência da Lusitania, começada no Douro, descendo por Conimbriga, Collipo (~Leiria), Eburobritum (~ Obidos), confirma a posição do Promontório Magno, que é adicionalmente referido como próximo de Lisboa ~ Olisipo.
Acresce uma descrição ainda mais estranha - o promontório avança no mar, na forma de um grande corno... e dá essas dimensões de penetração - entre 60 e 90 milhas (na tradução inglesa).
- Que sentido faz isto?
- Aparentemente nenhum, e só o erro explicaria... mas podemos ser consistentes com mapas já apresentados aqui e aqui, ou seja usar a hipótese de um nível do mar mais elevado, e de uma orientação terrestre no alinhamento piramidal de Gizé:

A orientação por rotação pode ser circunstancial, mas adaptada ao alinhamento das pirâmides daria um sentido consistente com Norte e Oeste, conforme Plínio. 
Quanto ao incremento do nível do mar, parece aqui mais convicente, transformando o conjunto montanhoso da Serra dos Candeeiros até à Serra de Sintra numa península - o dito "corno" - que teria facilmente as 90 milhas de extensão.

Plínio fala ainda de uma Arrotrebae que autores situariam em fronte dum Celtico Promontório... algo que terá algum nexo toponímico se entendermos que neste mapa a Arrábida surgiria como ilha em face.
Por outro lado, Plínio diz ainda que o Promontório Sacro projectar-se-ia do meio da face da Hespanha, algo que toma sentido com a orientação colocada no mapa. 
A denominada "face" teria topo no Promontório Magno, meio no Promontório Sacro, e base no Promontório Calpe, um dos pilares de Hércules.
E sobre a "face" de Hespanha, completamos a citação de Camões
      Eis aqui, quase cume da cabeça 
      De Europa toda, o Reino Lusitano, 
      Onde a terra se acaba e o mar começa,
      E onde Febo repousa no Oceano.

Pela descrição que faz, Plínio nunca terá visitado a Hispânia, e por isso é de conceder que fosse influenciado por erros - a habitual justificação oficial - ou então por relatos referentes a tempos muito anteriores, que justificariam a concepção de um mundo muito anterior aos Romanos, talvez à época de Jasão e Argonautas...

Um outro pormenor interessante que Plínio aponta no sentido da memória perdida, e nas suas bases, é a referência que faz ao Rio Lima. Diz que os "antigos" chamavam a este rio, o "Rio do Esquecimento"... Na por vezes designada "mesopotâmia" de Entre Douro-e-Minho, o outro rio, o Lima esqueceu essa designação do Esquecimento, e de "histórias fabulosas" - que Plínio refere, mas por outro lado há sempre uma tradição subreptícia que é possível encontrar. O Lima acabou por ficar conhecido pelo seu Queijo Limiano, e o Esquecimento associou-se indirectamente por esse mito popular de relacionar "queijo" à perda de memória. 

[publicado em 11/05/2011, antes do crash do Blogger]

23 comentários:

  1. Gostei muito!
    A referência ao Rio Lima, o Rio do Esquecimento, e a associação que ainda hoje persiste, do queijo à perda de memória, foi brilhante!

    Está a situar Jasão e os Argonautas em que época?

    Maria da Fonte

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  2. Obrigado pelas palavras!
    A história do Rio Lima parece estar associada ainda ao Rio Lethe, do Hades, associado ao esquecimento. Vi entretanto que há uma estória sobre as legiões de Brutus não querem passar o rio, com medo de se desmemoriarem...
    Ou seja, há várias referências romanas a esse nome e ao mito "quebrado por Brutus"...

    Quanto a Jasão, coloco-o no período mítico, antes da Guerra de Tróia.
    Os dois navegadores gregos lendários são Jasão e Ulisses. Um antes, e outro depois de Tróia.

    Obrigado pelo comentário e cumprimentos.

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  3. Ex.mo Senhor.
    Agradecia-lhe que me pudesse indicar como obteve esta foto pois pode ser importante para um trabalho que ando a desenvolver. Mais grato lhe ficarei ainda se me puder dar indicações quanto ao nível do Atlântico em redor de Portugal, assim como do caudal previsível dos nossos rios no final da Idade do Bronze. Os meus cumprimentos. João Torcato

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  4. João Torcato:

    A imagem resulta de uma simulação computacional desenvolvida por mim, com base em dados geográficos actuais num mapa de relevo. Nada de complicado, encontra coisas semelhantes feitas para um aumento do nível do mar... não são é fáceis de encontrar e limitam o valor a poucos metros.

    É minha opinião que o caudal dos rios não deveria ser muito diferente do actual.

    Cumprimentos.

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  5. Agradeço imenso a sua resposta. Mas na sua foto é por demais evidente que o Guadiana tinha uma largura muito superior à atual. Também, segundo creio, as águas do rio banhavam o sopé das muralhas de Castro Marim e agora distam cerca de 3 kilómetros. Concorda com esta análise?
    Cumprimentos
    João Torcato

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  6. Caro João Torcato,

    agora que menciona o exemplo concreto do Guadiana, tem de facto razão... é estranho aparecer consistentemente tão largo.
    Juntando isso à sua informação, talvez tenha razão.

    No entanto, se tiver paciência de ler o imenso material que aqui fui deixando, perceberá que a minha convicção é de que todo o nível de água era bem mais alto... não teria tanto a ver com o caudal dos rios, mas sim com o nível de água no mar. A Terra mexeu... a temperatura desceu, as calotes polares aumentaram e o nível do mar também desceu consequentemente.

    Não houve nenhuma cidade que tivesse desaparecido com nenhum avanço marítimo... muito pelo contrário, as cidades marítimas foram cada vez se tornando mais interiores. Os exemplos são imensos, mas basta ver Roma ou Atenas que passaram a ter portos longe da cidade principal...

    Os castros que são encontrados em regiões interiores, aparentemente longe da orla costeira ou ribeirinha, com este tipo de mapa ficam justificados na sua boa maioria.

    Quanto ao Guadiana tem uma particularidade, de que falo nuns textos mais à frente, que era ter um grande percurso subterrâneo (perto de Mérida) até ao Séc. XVII pelo menos...
    Depois, não sei porquê... essa cobertura desapareceu, e o rio passou a correr a descoberto.

    Perceberá, mais tarde, ou mais cedo, que a pouca gente, ou mesmo ninguém, interessa saber o que se passou... ou o que se passa! Interessa a todos aproveitar-se do que se sabe com um objectivo direccionado. Uns querem reconhecimento, outros dão-lhe o reconhecimento em troca do silêncio e cumplicidade.

    A mim importava demonstrar diversas contradições, mas chegado a um ponto em que ascendem às milhares, torna-se irrelevante juntar mais uma ou outra. Aqui encontra algumas centenas, mas para cada uma destas tem associada umas dezenas de outras que nem escrevi!
    Quando se está no meio de uma farsa, quem procurar ser sério passará por farsante, e tudo se torna numa enorme paródia sem graça e nefasta.

    Cumprimentos e boa sorte no seu trabalho.

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  7. Caro Da Maia

    Lamento que tenha desaparecido.
    Os seus textos fazem muita falta, nesta estranha época que atravessamos.

    Eu diria que a maior de todas as contradições é a negação da existência de uma Civilização do Passado, com pressupostos muito distintos dos nossos; e da sua destruíção, por factores que lhe foram, externos.

    A perda da Memória que se seguiu, cultivada ao longo de Milénios, pelos que provocaram a sua destruição, conduziu-nos a este ridículo:

    Seres pensantes, evoluídos, dotados de crítica, acreditam que as Pirâmides de Gisé, tal como todas as outras, foram construídas à mão....Pedra sobre pedra....

    A partir daqui, tudo é possível em termos de alienação do pensamento...

    Até acreditar que o preto é branco, e o branco é preto.

    Pombal, com as suas ligações perversas, não passou de um esbirro, dos estranhos que nos tentam sem sucesso, espartilhar entre dogmas absurdos e tabús patéticos.

    A Traição interna é o fim....Mas serão estes Traidores verdadeiramente Nossos?
    Não creio!

    De qualquer modo, como anda desaparecido, passei por aqui para lhe desejar Boas Festas.

    Maria da Fonte

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  8. Muito obrigado pela sua ajuda e sinceridade. Tenho conhecimento do terreno movediço e armadilhado em que mergulhei ao propor-me realizar este trabalho,mas não serão certamente impeditivas para quem só tem por intenção desbravar a verdade seja ela conveniente ou não para quem se julga detentor das rédeas ilusórias da História. Fiquei a pensar num comentário seu sobre Gaspar Barreiros, onde sugere que parece haver uma certa intencionalidade na insignificância atribuída à investigação deste sobrinho de João de Barros. Será por isso que, em vão, tento encontrar onde ele se fundamenta para afirmar taxativamente que a Lacobriga dos Celtici é no Landroal (Alandroal)? Não querendo abusar da sua generosidade, pode indicar-me algum caminho para este meu intento, que, após vários dias passados na Biblioteca Nacional, se mantém em branco?
    Os meus cumprimentos, e FORÇA nas convicções!
    João Torcato

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  9. Acho que cá cheguei, por uma com-cha!

    Vou introduzir uns dados para baralhar e dar de novo.

    A zona da Arrábida, em termos paleontológicos, indica uma leitura que apresenta (segundo os especialistas das medições) fósseis de invertebrados como: moluscos e equinodermes; e de vertebrados como: peixes e répteis (crocodilos, tartarugas e dinossáuros).
    Aponta-se para a transição do Jurássico Superior (há cerca de 150 milhões de anos) para o Cretácico Inferior (110-120 milhões de anos) em que se encontram os registos de dinossáurios. Estas evidências aconteceram com as vasas moles de sedimentos que constituíam o fundo de uma zona de grandes pântanos lagunares (portanto, uma lagoa à + de 100 milhões de anos), ou charcas salobras (daí os moluscos) e pouco profundas (seriam interditais); após o seu soterramento por sedimentos em estratos horizontais que permitiram a litificação (conversão de sedimentos em rocha consolidada) dando origem a em margas e calcários (o binómio que faz o cimento); posteriormente, a actividade tectónica fracturou estas camadas que se erguem actualmente, quase a prumo e sobrepostas como folhas, por vezes com + de 120 metros de altura, testemunho de violentas convulsões geológicas que transformaram o local.

    As leituras efectuadas (sobre o Jurássico Superior), na zona Pedra da Mua (praia dos Lagosteiros, Cabo Espichel) sugeriram abundancia de microfauna como de Anchispirocyclina Lusitanica http://lusodinos.blogspot.pt/2014/03/sobre-o-foraminifero-anchispirocyclina.html e outras camadas com vºarias pistas de dinossáuros: grande saurópode com envergadura superior a 15 metros (Neosauropus lagosteirensis), a um outro saurópode (Megalosauropus gomes), a terópodes (possivelmente Megalosaurus Iguanodon) e a um pequeno bípede (tipo o Camptosaurus)...coisas medonhas e com muitas toneladas!

    Num pequeno trilo desta zona presume-se, do Cretácico Inferior, uma laguna abrigada por recifes coralíferos, onde se encontram pegadas de um ornitópode (pé de galinha, mas com algumas toneladas), de um terópode (daqueles maus que aparecem nos filmes) bípede. Entre a praia dos Lagosteiros e a Boca do Chapim, foi ainda encontrado diverso material como vértebras, costelas e dentes de dinossáuros carnívoros e herbívoros.

    (I)....cont

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  10. ...cont (II)
    Avançando uns milhões de anos, ou não.
    Do Espichel ao Outão, ou seja por toda a extensão do que interpretamos hoje como Arrábida, existem vestígios sobre locais de devoção mágico/religiosa desde a mais remota antiguidade (pré-história), como necrópoles em 'grutas naturais' onde se encontraram objectos em xisto, osso e calcário associados a práticas ritualisticas (vá-se lá saber com que intuito), onde mais recentemente (quer dizer, há tanto tempo que não se sabe quando mas usados até à idade-média) foram eregidos locais ao culto cristão como capelas (gruta-ermida da Lapa de Santa Margarida, Portinho da Arrábida, com ocupação desde o Paleolítico) e ermitérios (lapas do Monte Alverne, onde está a imagem de Santa Maria Madalena e a do Solitário onde viveu um clérigo).

    Na lapa do Bugio, para além de outros materiais arqueológicos, identificou-se uma rara placa de xisto onde se observam os contornos de um ídolo típico dos cultos dolménicos em POrtugal, dentro do qual aparece um segundo ídolo, feminino. Configuração característica da cultura de Almeria. Desta forma induzindo o intercâmbio da zona da Arrábida com as distantes civilizações do Mediterrâneo.

    Perto de Sesimbra, à cota de 217 metros e com cerca de 70 metros de comprimento uma lapa foi encontrada, onde vários níveis de ocupação ao longo de cinco mil anos foram analisados: tumulações e espólio semelhante ao da cultura megalítica do Alentejo, um machado de pedra polida, vasos cerâmicos decorados do Neolítico médio e final (ocre), placas de xisto, colares de contas, ídolos antropomórficos e zoomórficos; tumulações do Calcolítico com cerâmicas campaniforme, uma placa de arqueiro, e, variadíssimo e muito raro espólio cerâmico da Idade do Bronze. De uma idade mais recente e nesta mesma área, ainda se encontrou um tesouro com 80 quirates de prata (moedas muçulmanas) com destaquepara algumas moedas de Ibn Uazir, senhor de Beja, Évora e Silves, cunhadas em oficina local desta última cidade (sec XII EC).

    Segundo Pinho Leal "na zona da Arrábida terão assim existido templos dedicados a Apolo e a Neptuno: aquele no Monte Formosinho, onde, segundo a tradição, existiu um templo de Apolo, do qual há ruinas, e, junto à fortaleza do Outão, em cujas escavações se achou parte de uma estátua de mármore com versos em louvor a Neptuno e uma estátua de metal do mesmo deus, entre as ruínas de um edifício que mostrava ser templo desta divindade haviam muitas arquitraves e pedaços de colunas de mármore fino com inscrições latinas, nas quais se dava aquele sitio o nome de Promontório de Neptuno".

    Arrábida, AL RaBiTa, AL RiBaT, AL RaBaT, o refúgio. Confraria de homens guerreiros dedicados à expansão da Fé Muçulmana pela Grande Jihad = observância/iluminação/interior/oração. Espaço de estudo religioso (Mesquita ou Oratório) normalmente construído em zona elevada de montes ou costeira, dado o seu interesse estratégico.
    Topónimo Arrábida (segundo o ex-presidente do Centro de Estudos Luso-Árabes que vive em Évora, um digníssimo concidadão de seu nome Adel) "convento fortificado para guardar fronteira".
    Convento, não Mosteiro (Convento- interior, espiritual; Mosteiro-exterior, físico).
    R-B-T está na origem de vocábulos portugueses: "arrábida", "morábito", "almorávida", "rebate", "arrebatar", implicando sempre a ideia de vigilância, expressa nas torres das atalaias (do árabe at-talai'â).
    Nestas circunstâncias "morábitos" (de murâbit, eremitão) são pequenos edifícios de forma geralmente cúbica com cobertura em meia-esfera que reproduzem a forma do mais importante edifício religioso da Fé Muçulmana, a Ka’aba em Meca.


    Oxalá.
    abc
    B

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    1. Pois, aqui acho que fiquei baralhado com a ligação da primeira parte à segunda.
      Outão será outra forma de dizer Oitão, certo? Temos ali um grande 8 ?

      Seguindo o mito diluviano e a idade do gelo, temos avanços e recuos de águas. A costa tanto poderia avançar, como recuar, e creio que podemos falar em coisas até 200 metros abaixo e acima...
      A Arrábida era certamente um bom sítio para um templo a Neptuno, tal como seria Sagres (Sacros) ou a Roca (Rocha).

      Eventualmente Neptuno parece derivar de Tuno, que no Egipto era mesmo Atum
      https://en.wikipedia.org/wiki/Atum
      ... e a ideia de que acabaria o mundo com um dilúvio corresponde, bem como a sua ligação fálica ao peixe - Atum, Tuna fish.
      Neste sentido especulativo, não seria de excluir associar-lhe a chegada de chuvas no Outono, OuTuno.

      A sua informação arqueológica sobre S. Romão é muito interessante, com os tais 18000 registos, porque isso implicaria uma grande metrópole, ali mesmo ao pé de Tróia, se é que me faço entender.

      Parece-me claro que os árabes guardaram para si tantos segredos quanto o Vaticano, e se tinham dúvidas, ao fim de longo domínio de regiões muito importantes, também certamente que tiveram oportunidade de confirmar suspeitas sobre as histórias da Antiguidade.
      O que parece claro é que de Londres a Roma, ou de Meca a Pequim, tudo se manteve muito organizadamente fechado.

      Abraços.

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    2. Caríssimo, vou misturar as conchas com os 8's e com os oo's, sabendo que certamente lhe vai dar boa praxis.

      Codex Calixtinus. Escrito em Cluny no sec XII, Bernard de Clairvaux (Clara Vallis), Cistercenses, foi a ordem de marcha para a iniciação do Calix.

      A anterior mudança foi o Callix Ianus, iniciado por Augustus, um Príncipe ou um novo Eneas ou Rómulo, que funda um novo centro a partir do qual se repete a cosmogonia. O Sacramentum por vontade de Augusto é alcançar a convivência da paz entre Roma e os Indios do Ocidente.

      Espero que esta macro visão também lhe dê combustível para observar outros centros de cosmogonia. Também pode dar um certo jeito para ler a Mensagem.

      abc
      B

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    3. Obrigado, Bartolomeu.
      Desconhecia essa versão da Cale Calaica, a tempo de Augusto. Fui ver estes links, entretanto:
      http://www.arqweb.com/callisianus/prefacio.asp
      http://www.celtiberia.net/articulo.asp?id=1229

      Os espanhóis mantêm Cale como rua, como caminho, o Caminho de Santiago era também a Cale Lactea que passou a Galactea, galáxia.
      Portanto de Callix Iano passou a Callix Iago... mudou uma letra e do deus pagão passou a santo cristão.

      Há uma diferença entre o português calar e calhar, e o castelhano, pois calar é "callar" enquanto "calar" é mais um atolar-se.

      Calix eu leio mais como um "Cálice" ou um "Cale-se"!

      Isoladamente Cale era Porto/Gaia, agora se a Cale passou a Lugo por causa de Augusto, parece um bom despiste. Ou pelo menos, do que li, a passagem da Cale para Compostela foi mais uma compostura, para esquecer a anterior a Lugo.

      As es-Calas (no latim Scala é escada e não escala, muda o d) no caminho seriam um negócio atractivo, para ordens recentes.

      Para além do calar também nos ficou o calo no pé... certamente por algum segredo de caminho.
      Caminho não é diminutivo, temos "cá Minho", que é como quem diz na foz do Minho, Caminha... caminha que parece ser doutros sonhos, que nos mandam para as mesmas bandas galaico-minhotas do esquecimento (Lima - Lethes) e do silêncio (Cale).
      Muita alegria na alegoria que a lê cúria, ainda que a Cúria seja mais abaixo... e aqui decompor "cúria" fica implícito que não é "cure-a".
      A arquitectura de Augusto, com ou sem Vitruvio, quero crer que teve que mandar abaixo muitas pontes para estabelecer outras pontes.

      Não, meu caro, isso é muito interessante, sem dúvida, mas não é cosmogonia, parece-me apenas palhaçada antiga.
      No entanto, como história do circo, é o que fomos tendo... seja para rir ou chorar.
      Os índios do ocidente tinham já as índias, e os calos eram galos crescidos, e fenícios que tinham fé nisso, na fénix - que nunca se importou de desaparecer para renascer.

      Abraços

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    4. Grato pelos links.
      Leitura super interessante.

      Cal.
      Também existiu na Arrábida, onde os Romanos tiveram fornos de cal, depois saíram de cá uns 'enginheiros' que levaram a cal e o forno e fizeram a Califórnia.

      Então e qual é a nova palhaçada?

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    5. Alvo é branco tal como a Cal... como no Alto dos montes é a neve.
      AL tem sido demasiadas vezes ligado à mouraria, mas convém não esquecer que antes do ser já o era... ou seja, "mouras" são "antas" de antes dos novos mouros. Por isso o "Altar" já era "Alto" e se um "Ala moço" é "Alá moço"... ainda se está para ver.
      A designação "ala" serve bem "a lá", como quem diz "vai para lá". E para o "alto" vai a "alma".

      Gosto de jogar a este jogo, porque a erudição etimológica é demasiadas vezes uma paródia.
      Andaluz foi durante muito tempo ligado a Vandalos, o que parece bem pois V-andalus só tem o V a mais.
      No entanto, nada disso, parece ser mais sábio dizer que vem do godo "Landahlauts" ou do latino "Atlanticum"... funciona - se fecharmos os olhos e taparmos os ouvidos.
      https://es.wikipedia.org/wiki/Andaluc%C3%ADa#Toponimia

      Por azar, não ficou "Alandaluz" para se dizer que é árabe...
      Agora se "Andaluz" se pode decompor em "Anda luz", alguém o poderá negar?
      E é essa etimologia que me interessa, a que entra pelos olhos e pela vista... sem precisar de "chancelas" que são apenas "cancelas" sem o agágá decorativo.

      Por isso, se havia um templo solar, a Apolo, por que não ler o moto "A Rá Vida" em Arrábida?
      Afinal seria a ocidente, o último lugar de vida do Sol, antes de mergulhar no Oceano.

      Há uns tempos, fui procurar a diferença entre Ocidente e Acidente, a diferença no "oc" e no "ac" do latim, pela qual deveríamos escrever à antiga:
      ... Oc-cidente e Ac-cidente.

      Ora bem, remete-se "acidente" para "ac-cadere" onde "cadere" é cair, que declina também em "casus".
      Portanto, seguindo esta etimologia (esta sim, boa), temos um acidente como um acaso.
      Da mesma forma, o ocidente vindo de "oc-cadere" é o ocaso solar, o que bate certo.

      Qual o papel do "oc" ou do "ac"?
      ... este tipo de prefixos do latim parece demasiado variável, e concluo que provavelmente resulta de interjeições, do tipo:
      - "Oh!.. caíu!" deu "Oh!... caso!"
      ou
      - "Ha?... caíu?" deu "Ha?... caso?"
      Portanto, neste casamento, devo concluir que o abandono das duplas consoantes até se revelou inteligente, indo à expressão original.
      Na primeira situação o "Oh! caso!" é tido como um ocaso, um fim de liberdade, no segundo como uma surpresa.
      Prova adicional, é que usamos ainda frequentemente a expressão ameaçadora:
      - "Caso contrário?", que é como quem diz "... e se não casar?"
      Foi assim que os homens passaram às gerações seguintes o drama da monogamia forçada...
      E, para se entender o antigo significado de "casar", é preciso ir ao vulgo italiano que explica o que é um "caso", ou seja a procura de um "caso" - algo que ainda hoje acontece, mas percebemos mal quando ouvimos "teve um caso com ele".

      Por isso, se quer que lhe diga, é natural que a primeira divindade tenha sido o "Caso", e quando aqui critico a ciência, por ser uma "ciência do acaso", ao ter substituído a palavra "Deus" pelo "Acaso", não tinha ainda percebido que era afinal uma remissão à divindade primeira - Ha? Caso?
      Qualquer dúvida sobre a validade desta conjectura é remetida não a mim, mas sim a Mim:
      https://en.wikipedia.org/wiki/Min_(god)

      Espero que esta nova palhaçada tenha dado para sorrir, e não só rir.

      Abraços.

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    6. O latim, tanto o vulgar como o culto, dá realmente para muitas viagens interessantes.

      Cadere
      Tem como raiz C-D-R, ceder.

      Casar
      Terá sido a 'monogamia forçada' por isso, ou pela transformação de permitir que um 'não cidadão' pudesse ascender a ser cidadão e assim dar início ao fim do feudalismo tribal?
      E vendo de outro angulo, terá sido a 'bigamia forçada' pelo facto de não permitir que outros cidadãos se emiscuissem (acho que é assim que se escreve) nos centros do poder?

      Primeira divindade
      Tal como o primeiro navegador, não terá sido, a 'morte'?
      Esta não é uma erudição etimológica e antes um oito, que segundo algumas disciplinas, permite vários sentidos de circulação.
      Por escrever 8, lembrei-me que é o nó de bloqueio por excelência, para quem quer chegar ao alto, da montanha...o que é de certa forma um inverso a todos os outros 8's.
      Esta é a chancela que me interessa, pois tal como a cancela ao indicar que tanto fecha como abre permite duas viagens, isto é, torna o descobrir do universo...diverso*.

      Ou uma diversão.

      abcs
      B

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    7. A Di vino.
      Não é possível negar sem afirmar.
      Todas as negações são afirmações pela negativa.
      A morte é simples negação da vida.
      Geronte antecede Caronte.
      Para acusar a morte de Geronte não nomeia Caronte, afirma não-Geronte.
      Qualquer ausência só ganha significado pela nomeação da presença.
      Morreu? Morreu quem? Morreu o quê?
      Precisa de nomear a vida para dar significado à morte.
      A morte é apenas uma etiqueta (colocada no pé da vida).

      U~O. UNO. Fiat Uno...
      O 8 não fecha. Em cima está aberto, e continua a ser-pentear.
      Como cá do céu, caduceu, que cai do céu hermético.
      Qualquer ciclo é um fim, e por isso não pode fechar, tem que progredir como uma hélice hermética de ADN, tocando aqui e ali.
      U~O, a abertura de U une o fecho do O, como no símbolo de ouro do Touro, aurus de Taurus.
      É no verso e reverso do caduceu que é diverso.
      Nessa tripla unidade tem o ver, o ver-se, e o rever-se.


      http://odemaia.blogspot.pt/2014/02/the-ego-has-landed.html

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    8. Caro amigo, afirmar que 'a morte é simples negação da vida' é negar as leis da física, e, segundo o método científico, uma lei não pode anular a que lhe antecede.

      Cuidado com os Touros, fazem os pés saírem do chão :-)

      PS: vou ver a sua sugestão, certamente interessante.

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    9. Desculpe, mas não percebi… o que nega o quê?
      O conceito de morte nada tem a ver com a física, é um conceito lógico, que até se aplica à política - morte política. É uma mera constatação do cessar de funções. Hoje em dia usa-se a morte cerebral, mas já se usou a morte cardíaca. A única física envolvida é a do aparelho de encefalografia, já antes bastava usar o ouvido, ou o tacto, para sentir o coração.

      Quanto ao touro, depende se investe ou não na cor-nada.

      Abraço.

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    10. Está desculpado.
      "tudo se transforma" é o resumo do conceito filosófico de uma das leis da física
      os touros investem por natureza, diz-se...e eles mostram

      abc

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    11. Essa lei física aplica-se à matéria, enquanto princípio de conservação - a matéria não morre...
      Numa cosmogonia, um princípio de conservação implicaria a conservação do vazio inicial... porque, mesmo no caso das visões conservativas - que afirmam um não-princípio, teria que colocar um agente de mudança, abstendo-se de explicar a origem desse agente, seja sob a forma de lei ou de divindade. Por isso, essas cosmogonias, científicas ou religiosas, acabam sempre por remeter para outras entidades, não se podendo considerar como conceptualmente verdadeiras cosmogonias.

      A frase é "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", apenas contesto filosoficamente o "nada se cria", porque a perspectiva salomónica (ou dos Beatles), de que "já tudo foi feito", só é válida numa perspectiva limitada.
      Como explicar isto? Não é fácil... a parte física já foi feita, sobre isso não tenho dúvidas.
      Acresce a isso uma outra dimensão, igualmente acabada.
      As dimensões que faltam são apenas aquelas que não colocaram em causa o que foi formado.
      Digamos que primeiro foram feitas as simulações necessárias para ver que casa é que resistia a todas as traquinices, e só depois é que as crianças ganharam consciência da casa em que estavam.
      Sim, quando os homens ganharam consciência da morte, já lhes estava assegurada outra vida... porque para anteverem o seu fim, tinham que subir a uma dimensão diferente daquela onde estavam fisicamente.
      O mesmo problema poderia até colocar-se repetidamente em dimensões superiores, por isso é importante distinguir o que somos do que consideramos ser nosso.
      O eu que vê está sempre acima do eu que é visto, é essa a montanha mais alta que podemos escalar, perante qualquer dilúvio.

      A investida taurina eleva a cabeça da alimária... pode é deixar sem chão os pés dos forçados.

      Abraço.

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    12. A melhor resposta que ouvi de um filósofo quando lhe perguntaram sobre a morte foi "ainda não morri, mas fique descansado que se eu morrer telefono-lhe...sou seu amigo porque razão não o haverei de o fazer!?"

      Num sistema lógico condicional de matemática:
      SE a Vida tem vida própria ENTÃO a Morte tem morte própria

      abc

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    13. Essa tem piada - a segunda, a primeira parece-me demasiado simplista.

      Não sei o que é um "sistema lógico condicional de matemática", mas a lógica foi algo experimental, foi um apurar de raciocínio face à realidade, face à verdade. Ainda hoje há quem confunda os sentidos numa implicação.
      A "morte ter morte própria" é uma frase engraçada, e um wishful thinking, em certo sentido. Não dei que a morte tivesse morrido... pelo menos a morte no sentido comum. No sentido mais filosófico, creio que a vida só surgiu depois de morta a morte... porque os universos, os tais di-versos que admitiram a morte, não excluíram intrinsecamente a razão para não morrer.

      Não percebi bem o que pretendeu dizer na sua implicação.
      A vida é uma noção abstracta, não teve "vida própria" sem seres vivos, aliás a "vida" enquanto noção abstracta é noção humana.
      Por isso, a "Vida" não tem vida própria. Algo completamente diferente é dizer que o universo teve "vida própria", e numa parte de si manifestou "vida" para ser observada e entendida, por outra parte de si, os "homens".
      O que pode dizer, é que o universo tem vida própria, mas note que logicamente a negação do universo não pode ter lugar, é o vazio.
      A negação não existe por si. Precisou, e precisa, de alguém que pense nela...

      Ainda que se elucubrem miríades de teorias sobre noções mal definidas, e que consequentemente se podem reduzir ao simples vazio, a quantidade não afecta a verdade.

      Abraços.

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