Alvor-Silves

quinta-feira, 2 de maio de 2019

dos Comentários (50) carros de assalto e joguetes

Carros de assalto
Em comentário ao postal anterior, lembra o João Ribeiro a utilização dos carros militares:
Do Livro XI da Monarquia Lusitana, Cap XXII
"... e os nossos perderam o animo, se el rei não baixara do CARRO MILITAR em que andava e, acudira animosamente a esta parte, pelejando a pé com tal esforço..."
O que me espanta aqui não é o facto de D. Afonso Henriques que estava inibido de cavalgar, ter combatido através de carro/carroça/coche ou fosse lá o que fosse que tivesse rodas, mas sim o facto de um fulano do séc XVI/XVII ter a noção de "carro militar", como se fosse algo usual. Ou Fr. António Brandão remete as bigas/trigas/quadrigas para o séc XII num erro anacrónico de amador ou tinha o conhecimento de que na época medieval, se utilizavam carros para vários fins inclusive o militar. Por outro lado poderia usar o termo seu contemporâneo de "carro militar" remetendo-o para o século XII. Em qualquer um dos casos ficamos intrigados em como se sabe tão pouco sobre o uso de "carros militares" desde a antiguidade até ao seu tempo.
Para além da importante observação que D. Afonso Henriques usava um carro militar, isto lembra bem uma das técnicas mais conhecidas para assalto a castelos ou fortalezas, e que consistia no uso de torres de assalto, cuja base era justamente deslocada por rodas.

Uma das imagens mais notáveis disto, é um alto-relevo Assírio, situado no palácio de Nimrud (Iraque), onde se vê justamente o uso de um carro de assalto com aríete... e com 6 rodas!
Alto-relevo Assírio de ataque a uma cidade, usando um carro de assalto com aríete (circa 865-860 a.C.).

Este carro de assalto faz lembrar os primeiros tanques, e é até de admirar como esta imagem não é usada, pelos habituais especuladores de antigos astronautas, para invocar a presença de tecnologia antiga. É ainda curioso que o aríete é aqui colocado numa posição flexível inclinada, e não na habitual posição horizontal, como se tornou mais comum posteriormente.

Joguetes toltecas
Normalmente é considerado que as civilizações pré-colombianas não conheciam, ou não usavam a roda. 
Num outro comentário, José Manuel lembra a existência de pequenas figuras (ver link)... que seriam provavelmente brinquedos ou joguetes, onde os animais eram apresentados com rodas, conforme se pode ver na figura seguinte.
Brinquedo Tolteca com rodas (circa 800 d.C.) 

Caravanas sírias
Também na região do crescente fértil são encontrados muitos exemplos de brinquedos deste estilo, do Egipto até à Síria, onde foram são encontrados estes briquedos que lembram as caravanas que muitos séculos depois vieram a usar os colonos americanos que partiam para o Oeste.

Neste caso, esta colecção foi leiloada pela Sotheby's, pelo que se presume que a sua origem e datação (2000 a.C. - 1600 a.C.) tivesse sido minimamente verificada. Bom, e o que deve significar também que haverá objectos semelhantes guardados em museus... e não apenas em colecções particulares, ou pelo menos, assim se espera!

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