Alvor-Silves

sábado, 21 de janeiro de 2017

Fort (1859) Sobrevivência dos sobreviventes

No mesmo livro "The Book of the Damned", Charles Fort faz uma áspera crítica ao Darwinismo, notando que já funcionava como um movimento religioso, com base numa "verdade de La Palice":
In 1859, the thing to do was to accept Darwinism; now many biologists are revolting and trying to conceive of something else. The thing to do was to accept it in its day, but Darwinism of course was never proved:

  • The fittest survive.
    • What is meant by the fittest?
    • Not the strongest; not the cleverest — Weakness and stupidity everywhere survive.
    • There is no way of determining fitness except in that a thing does survive.
    • "Fitness," then, is only another name for "survival."
  • Darwinism:
    • That survivors survive.
Portanto, o Darwinismo é assim reduzido por Fort à constatação: "os sobreviventes sobrevivem"... o que diga-se, de passagem, tinha escrito num comentário antigo:
Confundir evolucionismo com darwinismo tem dado jeito, mas o darwinismo é um evolucionismo nihilista - ou seja, procura que não haja nenhum nexo tirando a premissa de La Palice que "sobreviviam os mais aptos".
Sendo adepto de um evolucionismo, que é simulado pelo desenvolvimento do embrião, na gestação, considero que a constatação de Darwin, apesar de evidente, merece atenção (como já o disse), mas não no sentido de ver a evolução como "um acaso", sem nexo.
Nessa perspectiva, a diferença entre a ciência e a religião é pequena, ou inexistente.
A ciência vai precisando de caldeirões mágicos:
  • o caldeirão do Big-Bang, que originou o universo (nunca consigo escrever isto sem me rir)!
  • o caldeirão da Sopa Inicial, que originou a vida; 
... mas ao contrário da religião, que reclama um chef  (como alquimista da receita dos "caldos"), a ciência prefere chamar "acaso" ao chefe
Nesse sentido, a ciência só pretendeu retirar nexo ou propósito ao cozinhado, porque da mesma receita só mudou o empratamento.

A maneira como se encara a evolução é como um processo inacabado, em que o produto mais recente vira costas ao que foi antes, olhando sempre um futuro...
Assim, é natural ver figuras ilustrativas como a primeira que apresentamos (E):

... mas aqui decidimos juntar uma pequena reflexão, na figura (F).
Tipicamente, o que a ciência faz é colocar-se na posição (E), em que o observador fica fora do que vê, ou na melhor das hipóteses, vê-se como o elo mais recente da cadeia. Nessa visão limitada, alinham os eugenistas, que procuram "melhorar" a selecção natural, para condicionar um "novo homem".
Em (F) a única modificação que fazemos a essa representação clássica, é reflectir o homem, que enquanto observador, consegue ver (e entender) a sua evolução, incluindo-se a si mesmo no processo.
Ao reflectir filosoficamente sobre si, vendo-se ainda como igual aos outros homens, termina o processo evolutivo. Como é natural, os eugenistas vão ver-se sempre como mais um macaco no processo, e por muito que evoluam, não deixarão de ser novos macacos, até que consigam virar-se para si mesmos.

Há uns anos, ao ilustrar um postal, coloquei um vídeo de Aimee Mann... retirado do filme Magnólia.
Esse filme Magnólia, vim a saber agora (ao fazer esta compilação dos volumes Alvo de Maia), é inspirado na obra de Charles Fort, e na sua incessante pesquisa sobre coincidências e fenómenos anómalos, desprezados pela ciência.
E não faltam aí coincidências anómalas... entre as quais, referências às chuvas de sapos (e à passagem bíblica do Exodus 8:2). Mas destacamos a parte final desse vídeo - em que a criança está ao centro, e à sua direita está o quadro do Alfaborboleto (sobre o qual falámos).
Foram essas pequenas coincidências que nos trouxeram à obra de Charles Fort.

6 comentários:

  1. Muito bom... novas imagens:
    The Living Stones of Sacsayhuaman https://www.youtube.com/watch?v=M9J_ivMwTxc
    The Perforated Road or a band of holes is located not far from the Peruvian town of Pisco, just 160 kilometers away from the Nazca plateau. It is a mysterious structure, the purpose and the authorship of which is still unknown. https://www.youtube.com/watch?v=kFVfm6DRrRw

    Cpts.
    José Manuel CH-GE

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    1. Obrigado pelos links, José Manuel.
      Nunca tinha ouvido falar dessa "perforated road", nem aparece nos sites habituais... e é difícil perceber até que ponto é ou não antiga, mas parece seguir o esquema Nazca - só será bem apercebida por vista aérea.
      Quanto a Sacsayhuaman é de facto mais um exemplo impressionante da construção "inca". A wikipedia em
      https://en.wikipedia.org/wiki/Saksaywaman
      também tem uma foto de grande dimensão do local, mas esse vídeo que sugeriu tem imagens muito melhores, e foca pontos importantes.
      Mas parece que já há mistura de construções modernas (pedras mais pequenas) no meio dos antigos grandes muros.
      Se o propósito do encaixe não alinhado deveria visar mesmo a resistência sísmica, já a maneira de encaixar as pedras daquela forma, parece mais complicada de realizar, mesmo esquecendo o arrasto dos grandes blocos (que deveria ser feito pelo deslizar em lama... já que os outros lamas não servem muito para carga).

      Abraços

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  2. Welcome to Arcana Factor!
    ArcanaFactor.org is web-representation of Ombio Films Company – an independent research organization established in 2013 and registered in Moscow, Russia – OOO Ombio, and in Nevada, USA – Ombio Inc. Enjoy reading the materials of the expeditions to the places of ancient civilizations in South America!
    http://www.arcanafactor.org/en/

    Bon dia, este soviético noutro vídeo demonstra que os traços têm efeito 3D, e reproduziu uma figura humanoide/artística interessante:

    http://www.arcanafactor.org/images/nazca-project.jpg
    http://www.arcanafactor.org/images/phocagallery/nazca/thumbs/phoca_thumb_l_nazca.jpg

    Tem aqui o site onde se vê melhor:
    http://www.arcanafactor.org/en/

    Outra leitura que me satisfez foi a deste tradutor oficial da Bíblia que vem confirmar outros menos politicamente corretos:

    (...) “não há qualquer referência a Deus nos textos da Bíblia. Há, sim, a um coletivo, chamado Elohim, e a um deles em particular, chamado Yaveh“. A dada altura, explica o autor, “as traduções foram sendo adulteradas e foram convertendo Yaveh num Deus único e todo poderoso”. E acrescenta: “Em hebraico nem sequer há nenhuma palavra que signifique Deus”. No seu livro, Mauro Biglino detalha o percurso das traduções oficiais da Bíblia, acusando a Igreja Católica de ter adulterado as traduções “para inventar o monoteísmo”
    http://observador.pt/2017/01/24/antigo-tradutor-do-hebraico-original-diz-que-a-biblia-nao-fala-de-deus/

    Cpts.
    José Oliveira GE-CH

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    1. Obrigado, José Manuel.
      Na série "dos Comentários" vou passar a incluir uma parte (mais ou menos mensal) com os links relevantes aqui sugeridos. Por vezes acabam por perder-se nas discussões informais que temos aqui nas caixas de comentários.
      Da forma que estava a fazer, obrigava-me a ter que opinar sobre o assunto, o que deixava bastante material de fora, sobre o qual não tinha nada de especial a dizer. Irei passar a deixar os links com uma linha de descrição do assunto.

      Quanto à questão do Elohim, é sim o plural de El, conforme um comentário antigo do Paulo Cruz:
      http://alvor-silves.blogspot.pt/2012/11/cristo-na-india.html#c5138029725689139440

      ... e por acaso eu fiz referência a isso, notando que, em português, o plural de "El" seria feito com "Eles":
      http://alvor-silves.blogspot.pt/2016/06/a-teia-global.html

      Estou ainda a considerar voltar de novo ao assunto dos "deuses astronautas", seguindo algumas das suas sugestões.

      Abraços.

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  3. The Nazcan figures – computer graphics?
    http://www.arcanafactor.org/en/our-projects/nazca/82-nazca-graphics

    Cpts.

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    1. Sobre o assunto dos gráficos em Nazca, a observação sobre as curvas de Bézier é errónea. Até no "Paint" do Windows, isso está implementado para fazer desenhos.
      Basicamente permite fazer qualquer desenho, e portanto também permite ajustar às curvas de Nazca. Com o mesmo argumento, poderia pegar em qualquer silhueta, de uma pessoa, de um animal, ou qualquer outra coisa, e tudo é ajustável a um conjunto de pontos com curvas de Bézier. A sério, isso é simples especulação, porque a maioria das pessoas não trabalha com CAD ou programas de design.

      Abraços.

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